Por que quadrinhos jamais serão respeitados pela sociedade


Postado em 30/05/2012, por Morcelli
Em: Análise , Destaque , Matérias


Nota Inicial: Este artigo tem base no excelente ensaio sobre a modernidade dos quadrinhos perante a sociedade, escrito em 2011 por Julian Darius para o site Sequart.

Desde a estreia do primeiro Blade, O Caçador de Vampiros (1998), os estúdios de Hollywood caminharam para a ampliação orgânica da produção de blockbusters super-heróicos. Nos dias de hoje, quase 15 anos desde que Wesley Snipes desembainhou sua espada para caçar seus semelhantes, parece que os fãs de quadrinhos e a própria forma de arte adquiriram grande respeito e notoriedade perante a mídia não especializada.

Blade foi o ponto de partida para o início (e reinício) de muitas franquias cinematográficas super-heroicas, tais como Homem-Aranha, Batman, Superman, Vingadores e uma série de outros títulos, bem ou mal sucedidos. Salvo exceções, de modo geral estes filmes são aqueles grandes e imbecis blockbusters e cheios de furos de roteiro. Mas são lindos, coloridos, com efeitos impressionantes e mulheres perfeitas para protagonizar com o herói. [Nota, obviamente filmes como Superman – O Retorno e Batman – O Cavaleiro das Trevas definitivamente não estão nesta categoria, pois se utilizaram de personagens para passar uma mensagem artística na forma audiovisual.]

Fãs aparecem nos noticiários constantemente, geralmente travestidos de seus personagens favoritos, ovacionando anúncios em convenções e fazendo algazarra, tratados como “aqueles nerds esquisitos que gostam de se fantasiar” – o que só faz gerar mais buzz e alguns milhares de dólares nos gordos bolsos da indústria do entretenimento. Francamente, será esta a única forma de “respeito” que um leitor de quadrinhos de verdade vai ganhar? Veja, gostar de super-heróis não é gostar de quadrinhos.

Um fã inveterado de batalhas épicas, crossovers infinitos, reinícios cronológicos anuais e ávido debatedor em fóruns para decidir quem é o mutante mais poderoso da Marvel certamente não é, nem de longe, fã de quadrinhos – é só um adorador de gente fantasiada. O que não é um problema, claro, mas são duas categorias totalmente distintas.

Voltando brevemente a três décadas atrás, é fácil entender a busca por respeito (como forma de arte) dos quadrinhos e seu respaldo pra isso. Foi um tempo em que os artistas não fizeram trabalhos sérios apenas por serem diferentes, mas também por buscarem uma forma de sofisticação em uma mídia calcada na mesmice.

Pouco antes disso, na década de 1970, houve um início de maturação, seja com temáticas adultas e contestadoras inseridas nos contextos super-heroicos (tais como a passagem de Dennis O’Neil e Neal Adams pelo Lanterna Verde junto do Arqueiro Verde, ou com Stan Lee no Homem-Aranha), ou com uma própria busca pela ampliação artística na forma de se fazer gibis.

A partir deste ponto, nomes como Alan Moore, Frank Miller, Neil Gaiman e Grant Morrison (e muitos outros) começaram tresloucadamente a experimentar a mídia como forma, consequentemente exibindo estes resultados como arte de verdade. A partir daí editoras, criadores e fãs começaram uma campanha para mostrar que quadrinhos também eram coisa séria. Eram arte. Havia provas para fazer valer este movimento todo com tantas obras seminais surgindo na criativa década de 1980.

Pouco importava se era legal ver o Batman velho e mal humorado agindo com a intensidade de um jovem determinado numa cidade dominada pelo caos – o que importava, na verdade, era a revolução narrativa proposta pela história, tanto em contexto como em visual. Como ninguém tinha pensado em algo tão simples como fazer uma cena quebrada quadro a quadro, sendo que o último (no momento da grande revelação) causa tremores no leitor? Miller fez. E este é só um minúsculo exemplo da quebra de limites da mídia que esta história apresenta, que vão da psicologia ao usa da sátira apurada do próprio momento social do mundo naquele período.

O mesmo pode ser dito de Watchmen e sua forma sofisticada de ser narrada. Minucioso como é, Moore trabalhou incessantemente com Dave Gibbons para fazer da obra não apenas desconstrutora do gênero, mas dividiu seu foco também em cada pedaço de ironia social, cada trecho da podre Nova York da época e alcançou um inédito jogo de justaposição de imagens junto de Gibbons que se tornou referência para o gênero durante os anos seguintes. A utilização de métodos psicológicos reais e a incorporação de citações social e politicamente imortalizadas enriqueceram ainda mais a obra, jogando-a rapidamente no topo das produções sequenciais.

Ainda falando de Moore, se por um lado ele focou na criação super-heroica calcada numa base realista psicológica invejável, por outro o autor mostrou que também consegue discutir política com seriedade em V de Vingança. Independente do foco anarquista do protagonista, o que causa reflexões no leitor são as inúmeras críticas ao regime quase fascista que dominou a Inglaterra sob a mão de ferro de Margaret Thatcher.

Enfim, o ponto é: as obras existiam. O revisionismo da mídia se provou uma maneira real de ter os quadrinhos como forma de arte. E eles mereciam ser reconhecidas assim, tal qual a literatura, a música etc. Mas num momento, infelizmente, isso se perdeu. Vieram os anos 1990 e seu imenso poder de devastação cultural, especialmente nesta mídia. Estes grandes nomes foram utilizar suas qualidades em outras mídias ou selos de menor alcance popular para ampliar a experimentação e libertarem-se das amarras editoriais que permeiam o ciclo natural dos gibis de heróis. De repente, um vácuo tomou conta das revistas mainstream.

Foi então que a superfície dos clássicos supracitados tornou-se a base para uma grande onda de histórias pobres, calcadas apenas no cool e não no conteúdo ou na forma. Havia personagens tão cool quanto Rorschach nas novas histórias, mas nenhum deles estava inserido num contexto tão sério e rico.

No mundo real, as convenções atraíam mais e mais pessoas, dando lugar aos fantasiados de plantão. De repente, o objetivo do movimento para tornar reconhecida uma mídia pela qual todos eram apaixonados, passou por uma bizarra mutação, virando um grande bloco de nerds que não demandavam respeito nenhum pela forma: apenas pela aparência cool e pelo universo fictício e maniqueísta dos super-heróis. Eles, se divertindo nas frentes das câmeras da CNN, tornaram-se um obstáculo para os que levavam a coisa a sério.

Jeff Albertson, o Cara dos Quadrinhos dos Simpsons, é a epítome de tudo isso. Ele é aquele cara gordo, que coleciona quadrinhos como se junta cards de baseball e action figures mal acabados. Um adulto que esqueceu de crescer, mas desenvolveu toda sua arrogância por conhecer detalhes mínimos de cronologias com as quais, na verdade, ninguém se importa. E hoje esse cara é aceito como um “esquisitão” na sociedade. O que, automaticamente, causa a ilusão do “respeito”. Ou seja, a mídia, ao invés de continuar buscando novas formas de se desenvolver e manter sua sofisticação sempre atualizada, preferiu ficar estagnada no “ser cool”. Já a não especializada tem nisso um prato cheio, pois pode mostrar todos esses esquisitões fantasiados. Afinal, o que seria do mundo moderno sem um bando de esquisitos na televisão? O Cara dos Quadrinhos era uma paródia. Hoje ele é o modelo a ser seguido.

Foi então que os quadrinhos se subdividiram e as coisas ficaram esquisitas. De um lado tem-se clássicos utilizando a mídia como forma de expansão cultural, geralmente ficando no nível underground hoje em dia – e são estes, vê só, que podem ficar na sua estante junto de Guerra e Paz. Outros, a maioria e onde gira o dinheiro da indústria, são apenas produtos de sub-cultura nerd visto como “da hora”.

O resultado de tudo isso é um ciclo cada vez menor e mais superficial de duração das revistas. A cada ano as editoras inventam algum “evento” para atrair público. Matam personagens. Ressuscitam-nos logo em seguida. Status quo permanecem inalteráveis  – ou quando são mudados de forma ousado, a grande horda de “comic book guys” protesta para que tudo volta a ser como era antes. Afinal, quem gosta de mudanças? Mas a verdade é que isso é uma farsa comercial que vicia.

Eventos não são Eventos. Apenas para um pequeno nicho de fãs fervorosos histórias como A Noite Mais Densa e O Cerco são considerados eventos. Matar o Capitão América ou jogar o Batman perdido no tempo não são, nem de longe, eventos. Como comparar isso a, por exemplo, encontrar uma obra perdida de William Shakespere ou colocar as mãos no roteiro que Stanley Kubrick tinha para um filme sobre Napoleão Bonaparte?

Entenda, os lançamentos da Vertigo e da Image nos anos 1990 foram eventos, pois abriram novas portas para uma indústria muito acostumada a publicar as mesmas coisas com uniformes diferentes.

Grant Morrison concluir uma série transgressora como Os Invisíveis depois de meses doente e até desaparecido foi um evento, por concluir mais uma obra que experimentou os limites da mídia, tal qual Watchmen (Alan Moore e Dave Gibbons), O Cavaleiro das Trevas (Frank Miller e Klaus Janson) e Sandman (Neil Gaiman e vários artistas) fizeram poucos anos antes. Assim também foi a Crise nas Infinitas Terras, que não foi tão sofisticada, mas apresentou uma possibilidade única: reunir herói para refazer toda a cultura de um universo – consequentemente, de uma das maiores empresas do ramo editorial americano.

Em escalas menores, o surgimento de Alex Ross com Marvels proporcionou um evento, pois trouxe olhos curiosos a uma mídia que mostrava, pela primeira, pinturas realistas em suas páginas – isso sem contar a própria sofisticação narrativa de Kurt Busiek na obra mostrando tudo sob a ótica do mundo real com as mudanças sociais proporcionadas por seres fantasiados.

O reconstrucionismo proposto pelo mesmo Moore no selo America’s Best Comics, sob o guarda-chuva da Wildstorm, foi um evento – além de retrabalhar uma série de idéias super-heroicas, o autor levou a literatura pesada para a mídia, fazendo milhares de fãs buscarem algumas das mais imortais obras da cultura mundial para entenderem melhor a experiência que ele estava oferecendo.

Ao seu lado, no mesmo selo, estavam Warren Ellis, remoldando a cultura super-heróica com base na contracultura e no absurdismo, tal qual seu colega (e amigo pessoal) Grant Morrison fizera anos antes com a Liga da Justiça ao lado de Mark Waid. Não são grandes exemplos literários, mas são histórias espertas, com base em coisas que vão além do universo dos fantasiados.

Crise de Identidade é outro exemplo de eventos contemporâneos. Não pela forma, que é batida, mas por mostrar, pela primeira vez, heróis da DC Comics como seres tridimensionais enfrentando conflitos que a sociedade moderna enfrenta todos os dias. Não importa se houve erros de continuidade ou uma caracterização ou outra que não coube – isso só importa aos comic book guys. Ela virou, notícia, é claro. Foi premiada. Aclamada. Reimpressa. Como obras de outrora ainda são.

O DC Relaunch também foi um grande evento. Além de, mais uma vez, mudar a cultura editorial, pela primeira na história uma editora zerou absolutamente todas as suas revistas a fim de torná-las acessíveis a um mercado novo, reiniciando as contagens de clássicos como Action Comics e Detective Comics; além disso, abriu de vez as portas do desconhecido ao assumir o risco de se colocar disponível no formato digital com a mesma velocidade que no papel, fazendo com que uma série de concorrentes seguissem o mesmo caminho.

Obviamente os “eventos” acontecerão neste novo universo DC (Trinity War), mas eles só podem ser chamados assim na terra da hipérbole. A cultura é essa e qualquer pessoa sabe como é difícil se livrar de maus hábitos. Os editores preferem incentivar este tipo de explosão comercial temporária; os artistas, ao invés de ousarem de suas qualidades e levantarem a bandeira da liberdade criativa preferem acatar tais decisões – afinal, eles também são fãs. E que alegria melhor que brincar com seus personagens em histórias esquecíveis para virarem filme depois? O trabalho de um artista não é prestar um serviço ao fã, mas a si mesmo e suas capacidades.

Enquanto não houver obras vitais para revitalizar a forma, as fórmulas fáceis perdurarão. Há uma grande barreira a ser vencida, e ela não parece estar enfraquecendo. Foi disso que Alan Moore falou ano passado, gerando, como sempre, muita controvérsia. Ele estava certo. Ninguém tenta nada novo – e quando tenta, passa despercebido. É natural que Jason Aaron tenha se sentido ofendido, afinal, ele foi um dos poucos que tentou algo diferente ao mostrar a realidade dos descendentes indígenas na América atual – e Moore falou de uma forma muito generalizada e ácida, condenando todos como paus mandados sem criatividade. Mas, olhando por outro lado, fora Escalpo, o que Aaron fez mesmo? Wolverine? Sério?

O que falta é comprometimento. Não em cumprir prazos, mas em empurrar a mídia pra frente. Torná-la relevante. Colocá-la em círculos literários, como aconteceu há 30 anos atrás. Virar base para filmes artísticos, não para “o novo blockbuster que amanhã todo mundo já esqueceu”.

Por fim, parece existir pouca luz no fim do túnel para a indústria. As revistas continuarão superficiais e sendo reiniciadas de tempos em tempos. Mundos vão morrer. Mas vão renascer amanhã, você sabe. Do jeitinho que você se lembrava. Os comic book guys gritarão em alegria quando isto acontecer. Hollywood fará mais alguns milhões. E você, que quer um quadrinho literário, vai pagar caro por um material underground, pois é a única forma de um artista que sabe de suas capacidades criativas conseguir viver hoje em meio ao produto de massa.

Ou divirta-se com Hollywood. O que poderia ser mais cool?


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Comentários

  1. Uma curiosidade que está no livro “Supergods” do Morrison (que eu acho sai em português esse ano). Quando ele estava de cama com uma infecção bacteriana barra pesadíssima e às portas da morte, ele conta como resolveu o problema: Ele fez um pequeno ritual e entrou em contato com as bactérias que o estavam matando e lhes fez uma proposta: Elas o deixavam em paz e, em troca, ele as poria como personagens importantes nos “Invisíveis”, dando-lhes assim imortalidade… No dia seguinte a infecção começou a retroceder…
    Com uma história dessas não tem como não gostar do cara.
    Quanto ao texto do Morcelli, eu só queria citar uma frase do “dinossauro” Harlan Ellison, que é um cara que, escrevendo um continho de demonstração em um evento numa livraria, ganhou um prêmio com ele. Um entrevistador, certa vez perguntou qual era o maior mito sobre escritores e o ato de escrever, na opinião dele. Ele respondeu: “Que Arte paga as contas”.

  2. Emerson vasconcelos diz:

    Oi felipe. Excelente reflexão, mas discordo em alguns pontos. Me parece que no título você aponta que as HQs, como mídia, não são respeitadas, mas no texto fica claro que a falta de respeito acontece em relação aos fãs. E isso é fato, fã de Hq é visto de forma pejorativa pela sociedade. Mas tenho que admitir que o estereótipo do cara da loja de HQs dos simpsons não deixa de refletir um grande parcela desse público. Também não acredito que seja correto pensarmos nos caras que se preocupam mais com o conteúdo do que com a forma como sendo apenas adoradores de gente fantasiada. Alias, ser fã tem muito mais a ver com emoção inexplicável do que com racionalizada e reflexões sobre linguagem. E será que os quadrinhos são mesmo desrespeitados? Como o Sidney Gusman pontuou certa vez, o maior comprador de HQs do Brasil é o governo federal. E compra por que? Para servir como ferramenta de aprendizado na base escolar, um momento fundamental para a formação do caráter da criança. Me parece que além de respeito, o Brasil tem depositado também um boa dose de confiança no potencial dessa mídia.

  3. Morcelli diz:

    @Emerson
    Admito ter sido bairrista no texto, falando mais dos quadrinhos americanos do que dos nossos. Felizmente a nossa realidade está mudando, mas isso não muda o fato de que os gibis americanos estão ao redor do mundo todo. Estando nos holofotes, claro que eles serão os alvos das maiores críticas :-)

  4. Não sei se a industria (das comics) esta piorando pq realmente esta ruim, ou pq estamos virando velhos rancorozos (como diz o Mdm). Vc apontou muito bem, “gostar de super-heróis não é gostar de quadrinhos”, é gostar da mídia, da linguagem e das possibilidades a serem exploradas. Infelizmente não é isso que vemos em 90% da produção de língua inglesa. Estamos a 30 anos ou mais lendo a mesma histórias regurgitada sem parar. É por isso que mercados como o japonês e europeu começam a abocanhar parte da fatia dos comics. Parabéns, excelente texto.

  5. Também achei interessante o assunto. Tô meio com pressa aqui, por isso vou tentar ser breve e claro.
    O quadrinho não pode ser levado a sério pela sociedade, mas qual quadrinho? O mainstream? Ou autoral (undergrund)?
    Se for o caso, seria decretada a extinção do quadrinho como movimento cultural. Existirá fãs fantasiados como existem em demais seguimentos literarios (Vide Harry Potter) e cinematográfico (Star Wars).
    Eu acredito como a literatura possa viver junto com Harry Potter e o cinema com Star Wars, por que não os quadrinhos?
    É uma questão de convivência.
    Queria falar mais, mas deixo para depois.

  6. Paula Tejando - que disse NÃO pro 'Kajima' diz:

    Concordo com o texto, mas Julian Darius perde pontos ao tratar de forma arrogante o roteirista Jason Aaron . A vontade é de dizer:- Faz melhor então!

    Alias, faltou mais informações a respeito desse Julian Darius. O que ele é e o que faz.

  7. Vlad 'Focus' diz:

    Concordo com o Rogério de Souza. O artigo fala quase que exclusivamente de super-heróis, e não da indústria de quadrinhos em geral. Olhando pela ótica dos heróis você está coberto de razão, mas quadrinhos (mesmo os americanos) não são feitos só disso. O artigo deveria se chamar “Porque quadrinhos de heróis jamais serão respeitados pela sociedade”.

  8. Marcel diz:

    Eu acho que a industria de quadrinhos e a de cinema são muito parecidas, você tem um filme como Drive mas o que vende é um Crepusculo, você tem uma hq como Shade ou Demolidor mas o que vende é liga da Justiça e AvsX com algumas exceções, obras de arte são dificeis de conseguir, uma equipe boa, uma idéia ou um escritor genial em boa fase não aparecem todo dia, o jeito é garimpar aquilo que gosta.

  9. Pablo Sarmento diz:

    Bom, acho que a analise é bem feita, mas não sei até onde podemos pensar a direção dos quadrinho, ando lendo bastante coisa antiga e não vejo o carinho que tinham nos anos 80, não encontro em editoras mainstream atualmente. como o texto fala temos muitos dinossauros na industria e isso pode estar atrasando a evolução dessa mídia. acho que renovação está sendo implorada pelos quadrinhos, as diretrizes estão mais ou menos criadas. mas não lembro onde eu ouvi que os quadrinhos podem não existir em alguns anos. o que sobrará para as viúvas de boas histórias? filmes que nunca chegaram aos pés de uma boa narrativa? o apocalipse se aproxima…

  10. Daniel de Assis diz:

    Morcelli, eu vejo alguma luz no fim do túnel… Ao menos tenho trabalhado neste sentido.
    Tudo vai mudar, você terá que rever seus conceitos, criar novos padrões e o que hoje é considerado aceitável para alguns, deprimente para outros, vai se tornar um constrangimento difícil de esquecer ou ocultar.
    Espero que grandes e tradicionais empresas não afundem por causa disso… Elas tem o seu lugar, só não é de tanta honra com alguns ainda julgam…

  11. Há uma citação de Harold Bloom que pode explicar essa questão do respeito: “Curtius tem um excurso sobre ‘Poesia como Perpetuação’ em que cita o devaneio de Buckhardt sobre ‘Fama na Literatura’, equacionando fama e imortalidade. Mas Buckhardt e Curtius viveram e morreram antes da era de Warhol, quando tantos são famosos por quinze minutos cada. A imortalidade por um quarto de hora é hoje livremente concedida e pode ser encarada como uma das consequências mais hilariantes da ‘abertura do Cânone’”.

    Acredito que o texto em si não precise de mais explicações além desta – Bloom falava de literatura, mas façam o exercício mental de troca para a situação dos quadrinhos que teremos o mesmo problema.

  12. James diz:

    Jason Aaron também escreveu o excelente título do Justiceiro do selo Max, logo após a saída do Garth Ennis. Mas acho que fui o único no mundo que leu e que lembra da existência daquela fase. No momento ele também escreve Wolverine and the X-Men na Marvel, que pode não ser o trabalho da vida dele, mas é uma série muito divertida, bem escrita e ótima em sua proposta. Ah, e que lava o chão, a pia e o banheiro com a LJA do Johns!

  13. Hugo diz:

    Concordo em grande parte. Mas quadrinhos arroz com feijão, com status quo, são a porta de entrada para a nova geração entrar em contato coma mídia. Eu mesmo comecei a ler quadrinhos no início da famigerada década de 90, influenciado pelos desenhos animados (X-men e Batman Animated Series) e me “viciando”, primeiramente pelo lado “massa véio”, depois pesquisando sobre o passado daqueles personagens e conhecendo obras mais “adultas” (Cavaleiro das Trevas, Queda de Murdock) para dái começar a ter maturidade de separar o joio do trigo. Chegou uma hora que eu não tinha mais saco pra nada daquilo, época das revistas premium da Abril.

    Infelizmente não dá pra se manter uma indústria de o que quer que seja apenas com obras de arte, vide o próprio cinema. Retomei a leitura de quadrinhos recentemente, e acho que com a internet e a maior divulgação de trabalhos independentes, ficou mais fácil achar mterial mais “artistíco”, inclusive em webcomics.

    O problema é que como um nerd verme que sou, sempre surge a curiosidade mórbida de saber como anda a reformulação do Super-Homem nos Novos 52, mesmo sabendo que será uma merda.

  14. Arnim Zagarian diz:

    Foi uma análise precisa e ponderada sobre o estado das coisas, e muitos de nós sabem disso tudo faz tempo, assim como muitos de nós jamais teriam dito isso tudo de forma tão precisa e realista, sem estereotipizações do tipo “a culpa é das editoras” ou “a culpa é dos leitores”, quando há uma conjunção de fatores de culpa, acumulando-se desde os tempos áureos desta mídia. Tempos áureos que, precisamos assumir honestamente, foram muito bem aproveitados pela indústria que tanto criticamos, e por nós. Essa subcultura que ao mesmo tempo se orgulha de suas raízes humildes e despretensiosas (primeiro em tiras de jornais, depois em revistas mensais) hoje em dia adora posar de sofisticada em tapetes vermelhos de Hollywood, a mesma Hollywood que frequentemente nos decepciona. E a mesma Hollywood na qual frequentemente depositamos nossos desejos secretos de satisfação pessoal em ver heróis favoritos sendo assistidos por milhões que nunca leram um gibi na vida, uma oportunidade de nos sentirmos PhD’s em Homem de Ferro, Batman ou Superman em mesas de bar ou salas de aula, quando os “não-iniciados” nos perguntam algo sobre esse universo secreto do qual fazemos parte. Pois bem, já não é mais tão secreto, agora qualquer um pode ser um nerd-cosplayer-comic-book-guy. Se há uma Crise ameaçando a tudo isso, ela começa nas nossas expectativas de ver sempre a mesma coisa, mais do mesmo perpetuamente, como num remix mal feito e irritante que é o sucesso da semana. Vivam com isso, pois só vai fazer sentido se nós decidirmos. Até isso acontecer, vamos viver como moscas na merda, felizes e de barriga cheia. Se alguma outra mosca peidar do nosso lado, ainda vamos reclamar “Ei, cara, eu tô jantando!”

  15. ComicBookGuy diz:

    Cara c esquece de uma coisa que a maioria esquece: QUADRINHOS foram feitos para diversão! Dane-se o conteúdo literário dane-se o impacto na sociedade e a repercussão que isso vai ter, se quer analisar isso vai ler Julio verne, Alexandre dumas, h.g. Wells! Quadrinhos foi feito pra vc chegar depois do trabalho dar aquela cagada e ler pra relaxar a mente, Vcs parecem aqueles caras que transformam jogo de carta em campeonato mundial! A história diverte? Se sim aproveita! Não fica choramingando ai o cara não buscou os aspectos obscuros na origem do batman! Puts vcs levam isso muito a serio…
    Isso êh geral, cai de boca nas criticas pra mim galera……

  16. @ComicBookGuy

    Cara,

    Todos os autores citados por vc tb escreveram literatura para divertir os outros. O legal é que se pode se divertir e tb considerar alguns temas. O que há de errado nisso? Até mesmo Shakespeare escrevia tendo em vista a “diversão” das pessoas… Obviamente que não era a diversão para entreter uma cagada, mas era diversão do mesmo jeito. Acho que a sua concepção de literatura está meio capenga…

  17. Ediney Aprigio diz:

    O rapaz aí tem razão, o pessoal leva isso muito a sério. Eu prefiro uma boa hq recheada de deliciosos clichês do que certas bobagens “inteligentes”. O negócio é relaxar e curtir sem se preocupar se alguém considera o que vc gosta com arte ou não!!!

  18. James diz:

    Pra mim, as únicas coisas que realmente me incomodam nas HQs são os mega-crossovers anuais, os reinícios cronológicos e as mortes e ressurreições mal planejadas. Gostaria muito que tanto a DC quanto a Marvel parassem com os crossovers anuais e voltassem com as mini-séries especiais como Marvels, Reino do Amanhã, Terra X, Grandes Astros Superman, O Longo Dia das Bruxas, etc.

  19. Nicollas diz:

    Voces esquecem que os caras das editores tem que comer?

    Claro que há muita superficialidade hoje em dia nos quadrinhos, mas não da pra encher o rabo de debate politico ou assassinos realistas em quadrinhos que falam sobre uma tropa intergalatica, um ser de outra dimensão, um alienígena ou um mago.
    SIM, tem muita merda por ai. Esse morre e renasce me da asco. Mas é ótimo ver os “efeitos visuais” do Hal Jordan arrebentando o peito do Krona. Dane-se, as pessoas tem que se divertir.

    Quer ver realidade, vai assistir o Datena.

    Essa fascinação pelo underground me irrita mais que fãs modinhas dos Avengers.

  20. Leonardo ALves Martins diz:

    NUnca pensei que fosse encontrar um texto queconceituasse tão bem essa situação! Sinceramente e por isso que considero amaior parte dos quadrinhos americanos uma porcaria e estou gostando de tantas coisas DC e nunca vi conceituação melhor sobre fã de quadrinhos e fão de super heroi pois faz muita logica o que o texto fala sobre os block busters caça niqueis e as formulas de alto conceito.

  21. Nano Falcão diz:

    Esse texto foi de lavar a lama. Há anos tenho essa mesma convicção, e enfrento as hordas de “comic books guys” em fóruns da Internet e blogs. Uma frase que cunhei há tempos foi “O Problema não é a Marvel, o problema são os marvetes”. Eu não vejo problema da Marvel só fazer HQs de super-heróis para pessoas de 12 anos. Afinal o mercado precisa formar leitores. O problema é que a maioria dos fãs é um bando de gente que passou dos 30, dos 40, e parece ter a idade mental de 12 anos! A DC poderia ser acusada da mesma coisa, não fosse o saudável hábito da diversidade, de ter um selo Vertigo, e de lançar revistas como Homem-Animal de vez em quando. O pior é amigos meus assim que me encontram falam de filmes de super-heróis porque eu sou fã de quadrinhos, e não sabem como odeio a maioria desses filmes e muitas vezes sequer os assisto. Não se trata de apreço pelo “original” do tipo daqueles comic books guys hostentam em nome da sua sagrada cronologia. Mas sim a constatação que Hollywood – que em todos os seus filmes, originais ou não, tem amor pelo clichê, pelo óbvio e pelo previsível – ao fazer a mesma coisa com as adaptações de quadrinhos faz com que as pessoas tenham essa mesma noção dos quadrinhos – que eles são rasos, óbvios e medíocres produtos de subliteratura. E qual a resposta que as editoras de quadrinhos dão a isso? Elas adotam a mesma linguagem de Hollywood! É só ver os patéticos esforços de transmidialização que a Marvel vem adotando, para padronizar seus personagens em todas as mídias! É por isso que os quadrinhos não podem ser levados a sério, porque nem a última palavra sobre os personagens eles tem! É uma mídia de apoio, uma “sub-mídia”, por assim dizer, já que o que vale são os filmes!

    E o que é pior, nós fãs de quadrinhos ficamos estigmatizados como fãs daquele tipo de coisa que mostram nos blockbusters de Hollywood! As pessoas não sabem que existe Sandman, Cerberus, Os Invisiveis, Transmetropolitan, Planetary, Do Inferno, Maus, Sweet Tooth, Y O Ultimo Homem, ou quem são Robert Crumb, Chris Ware, Daniel Clowes, ou os Irmãos Hernadez. Pro resto da humanidade quadrinhos são o Batman e os Vingadores.

    Nada contra o gênero dos super-heróis. Mais é só mais um gênero. Histórias em quadrinhos não são Histórias de Super-Heróis. Ser fã de uma dessas duas coisas, não quer dizer que se é fã de ambas.

  22. Ah! Não podemos nos esquecer que algumas HQs de não herois já foram adaptadas para o cinema e TV com resultados adversos.

    Como V de Vingança, Red, Walking Dead, Do Inferno, American Splendor, Sin City…
    O que talvez falte mostrar ao público em geral é mostrar em outras mídias a diversidade dos quadrinhos através de documentários ou filmes falando até de bastidores ou da vida de artistas do meio.
    Também isso deve se embasar no meio jornalístico e informativo (é a mesma coisa, não?) a uma camada maior da população em geral.

  23. aloisio costa de jesus diz:

    essas reflexões são muito validas nos dias de hoje ,tem muita gente me infernizando com pragas mil em razão de não ter visto o filme dos vingadores só por que leio e trabalho com quadrinhos ,ja sou conhecido aqui no terra e por algumas colunas no ambrosia sempre mirando meu fuzil nesta idiotice que virou fã de super heroi ,confesso que faz um bom tempo que perdi o interesse neste tipo de genero ,em razão de nosso mercado estar bem mais diversificado hoje em dia ,tenho bastante opção de leitura e diga-se ótimas leituras ,super heroi infelizmente se encontra em um abismo criativo medonho ,muito por conta desta eficiente manobra de midia que exalta o atual e comum comportamente infantil de uma nova leva de gente que surgiu com a internet ,que na maioria das vezes nem são leitores no sentido classico,pois vivem de scans , outro ponto complicado para os super herois são as expansões para outras midias como cinema ,games e desenho animado ,a parte editorial deste bolo corresponde a menos de 10% dos bilhões arrecadados por ano por conta disto o controle é mais apertado ,afinal de contas um filme sempre custa muito e precisa atingir varios publicos ,se gibi da pouco dinheiro e cinema e game da muito dinheiro obviamente vou olhar mais para o que da mais ,hoje o gibi só serve de plataforma para outras midias neste quadro a parte criativa perde seu lugar ,ficando só a manutenção das marcas ,por conta disto gente criativa perde espaço e liberdade para trabalhar migrando assim para pequenos selos e outros nichos ,dai a razão de tantos eventos bombasticos e super megassagas que nada mais é que criação e desenvolvimento de editores ,nos anos 80 os quadrinhos de super heroi tinha a obrigação de sustentar-se por si mesmo ,para chamar a atenção e manter-se relevante tinha que ter ótimos roteiros e bons desenhos ,hoje não precisa disto basta manter os personagens reconheciveis e pronto o dinheiro vira e muito dos filmes videogames e licenciamentos mil com total aprovação dos ( nerds) idiotas mais dai voce se pergunta e os leitores que gosta de boas historias ? voce se importa com eles ? eu não

  24. Bob Nerd diz:

    Que texto incrível! Concordo com o autor, realmente o mercado funciona dessa maneira por mais que não queiramos aceitar.
    Eu acho que falta justamente isso, renovação, o mercado tem estado preso a velhas fórmulas para vender revistas. Pouca coisa pode ser considerada realmente nova. Excelente texto.

  25. Andhora diz:

    Gostaria de parabenizar a Morcelli pelo texto. Há muito tempo não leio algo tão bem fundamentado e com argumentos tão fortes como esse. Eu concordo com o que foi dito, embora tenho percebido que de uns tempos pra cá, os quadrinhos vem tomando espaço, que é tão merecido, no Brasil e no mundo.

    No cenário brasileiro, temos visto mais pessoas lendo quadrinhos, mais encontros especializados sobre o assunto, brasileiros se destacando internacionalmente por suas produções e isso me deixa muito feliz.

    Quanto aos reboots, creio que sejam necessários em alguns momentos. Algumas histórias devem se adaptar ao contexto histórico no qual estão inseridas, já alguns reboots acontecem porque as coisas andam mal mesmo, como foi o caso mais recente da DC.

    A mídia sempre exerceu grande influência na sociedade. Sabemos que durante certo tempo a indústria de Quadrinhos foi severamente censurada, as histórias eram muitas vezes “bobinhas” e pouco atrativas, porque a censura controlava todo o conteúdo que circulava na época, como vocês todos devem saber. Ou seja, a capacidade criativa era barrada.

    Acredito que a indústria cinematográfica serviu como um instrumento de popularização de grandes personagens e histórias. Acho esses filmes muito válidos, pois muitas vezes as pessoas tem a curiosidade de conhecer de onde se originou aquilo tudo. Mas sempre sabemos que nunca será fiel à história original que nós conhecemos, e temos raiva quando constatamos isso…

    Inovações acontecem, mas são tímidas, são poucas, isso quando não são polêmicas, gerando muito discussão… Isso tudo tá muito ligado ao triste fato de se aquilo irá gerar grande lucro ou não à indústria. E é essa subordinação e a imagem que a mídia constrói que gere talvez essa “falta de respeito”. Mas isso está longe de mudar a minha opinião sobre os quadrinhos, é minha paixão, e é a paixão de muitas pessoas no mundo todo, e dificilmente eles irão se extinguir.

  26. Renato M diz:

    Quanto pedantismo. Perdi meu tempo lendo isso.

  27. @Renato M

    Cuidado com as acusações que vc não pode provar. O ponto é que o Morcelli faz uma diferença entre apreciador e fã. Apreciador é aquele que conhece, gosta e tenta refletir sobre o assunto (por exemplo, os fãs de Chico Buarque de Holanda que tentam infinitamente – tal qual qualquer fã de quadrinhos – achar algo escondido em suas músicas – normalmente, uma metafísica das mulheres). O fã é aquele que embarca na parte mais sombria do fenômeno cultural – continuando com Chico: são aquelas pessoas que, quando ouvem o nome do compositor e péssimo cantor, dizem de imediato “Ah, eu daria para ele, com certeza”, ou mais ainda – quando vão ao show do digníssimo, ficam do início ao fim chorando de maneira histérica como se tivesse visto Jesus Cristo voltando dos mortos.

    O ponto que Morcelli, acredito, destaca é que, no caso dos quadrinhos, há uma desproporção entre os fãs que está ao lado do recente sucesso da mídia como fonte de “inspiração” para as demais mídias narrativas nos últimos 10/15 anos. Não se trata de pedantismo. Na realidade, pedantismo é dizer uma frase feita e não explicar o por quê dessa reação. Como se sua opinião bastasse numa discussão de ideias. Entendeu?

  28. Cassiano Cordeiro Alves diz:

    Muito bom o texto, parabéns. Todavia, não concordo com grande parte. Muito do que penso já foi dito por outros camaradas acima. Vou resumir o que penso: creio que no texto há uma certa confusão entre histórias em quadrinhos de qualidade (referidas como sendo “verdadeira arte”) e a maioria das hqs de super-heróis (tratadas como não sendo arte).
    - Do dicionário Siveira Bueno: ARTE, s.f. Conjunto de preceitos para a perfeita execução de qualquer coisa; atividade criativa; artifício; ofício; profissão; astúcia; habilidade; travessura.
    - De Scott Mc Cloud, em Desvendando Os Quadrinhos, pág. 164: “Eu vejo arte como qualquer atividade humana que não se desenvolve a partir dos dois instintos básicos da nossa espécie: sobrevivência e reprodução”.

    Fiz as duas citações acima para fundamentar minha opinão que as histórias em quadrinhos, por sua definição e essência, SÃO TODAS obras de arte.
    O que está em debate são a qualidade da maioria das histórias produzidas nas hqs de super-heróis e o gosto e comportamento dos fãs das mesmas. Ao meu ver, é errado dizer que “apenas” as histórias boas (e aí está o subjetivismo de qualquer obra de arte: o que é bom para mim pode ser péssimo para outro) são arte e as demais são lixo. Por que o leitor comum que gostou de Watchmen, por exemplo, merece mais respeito do que aquele que gosta dos desenhos de Jim Lee (ou mesmo de Rob Liefeld)?
    Quer dizer que o fã de hq, para ser respeitado, deve obrigatoriamente ler Sandman, tudo do Grant Morrison e do Alan Moore, porque são obras diferenciadas e profundas? O leitor de hq não pode ser respeitado simplesmente por ler a hq que gosta? Alguém aqui respeita mais uma pessoa porque leu Freud ou Shaekespeare em detrimento de quem só leu Machado de Assis ou Jorge Amado? Me desculpem, mas para mim isso é nada mais nada menos do que elitismo.
    Tudo bem, as hqs de super-heróis, de fato, tem sido MUITO niveladas por baixo nos últimos anos. Mas o mesmo ocorre nas demais artes. E vejam, não é por isso que vc deve “se entregar” e comprar um cd da trilha sonora da novela, mas também não quer dizer que vc seja melhor ou deva ser mais respeitado do que quem faz isso.
    Como disse alguém acima, quando abro uma revista não estou buscando revelações espirituais… só busco diversão, entretenimento puro… simples assim!
    E mais, pode ser impressão minha, mas essa matéria me pareceu com uma pontinha de “dor de cotovelo” com o sucesso de um certo filme baseado em um grupo de super-heróis das hqs (que na opinião do autor do texto, nem a hq nem o filme seriam arte)…

  29. Cassiano Cordeiro Alves diz:

    Ah, outra coisa: foi colocado que falta comprometimento em “empurrar a mídia para frente” e torná-la relevante. Relevante para o restante da sociedade que não gosta de hqs? Penso que assim como alguém que não gosta de música nunca vai dar bola para a relevância de um Mozart, dos Beatles e de um Cazuza, os demais setores da sociedade não vão passar a acompanhar hqs apenas porque elas se tornaram “mais inteligentes”.
    Por mais que essas hqs rasas e os blockbusters atuais possam ser modismos, eles já tem o mérito de lembrar “aos outros” (não-leitores de hq) da existência e potencial das hqs.
    Quanto a empurrar a mídia para frente, faço a analogia com o futebol: não depende da vontade ou paixão dos torcedores (no caso, leitores), mas sim do talento dos jogadores (no caso, roteiristas e desenhistas). Para o bem ou para o mal, só existe um Alan Moore, um Neil Gaiman, um Frank Miller (esse deveria ter encerrado a carreira no auge…), assim como temos muitos jogadores de futebol, mas apenas um Pelé, um Maradona…
    Quanto aos fãs: cada vez que um dcnauta vem aqui e posta “Marvel é lixo, marvetes são idiotas”, e um marvete escreve um “Chupa DC” ou “DC já era” lá no Universo 616, e percebo que não se trata de uma brincadeira, mas uma “opinião séria” de quem postou, entendo porque os quadrinhos jamais serão respeitados pela sociedade. Se vc quer ser respeitado, deve respeitar também.

  30. Natasha diz:

    Texto interessante. Tocou nos principais pontos que, a meu ver, dificultam a adoção dos quadrinhos como arte. Porém, quero chamar a atenção para um assunto: o relaunch, o qual você disse ter sido um evento, não pode ser considerado como tal. Em primeiro lugar, quando se observa a faixa a quem é destinada esse relaunch pode ter certeza que isso não vai atrair aqueles que gostam de arte e sim um punhado de novos caras dos quadrinhos; em segundo lugar, qual era o problema com o universo anterior? É balela afirmar que tudo o que se queria atrair eram novos fãs; vi várias iniciativas bem sucedidas por parte da própria DC que atraíram uma gama significativa de público. A falta de respeito é fonte direta de certos profissionais que acham que devem se comportar como se fossem adolescentes alienados e tomam iniciativas equivocadas para agradar outros adultos que se comportam como adolescentes alienados. O que prejudica não é a imensa quantidade de personagens e universos e sim o que se faz com eles – Cansei de ver roteiristas e desenhistas pegando uma história, um personagem do qual ninguém gosta e ao invés de melhorar eles estragam mais ainda. Estou de saco cheio de reinícios cronológicos, crossovers e histórias mal-escritas e mal-desenhadas. Quanto à questão comercial, não vejo problema algum desde que os caras saibam fazer isso direito.

  31. André Cappela diz:

    Gostei do texto, de certa maneira incentiva uma mudança na produção massiva de HQs para algo mais trabalhado – ou em outras palavras, menos quantidade e mais qualidade.

    Só discordo da maneira pejorativa de que se fala das “pessoas fantasiadas”. Sou cosplayer há 2 anos, tenho 23 anos e leio HQs DC /Marvel / Vertigo / Image / Independentes desde q tinha 14 anos…

    Ou seja, eu sou a prova viva que contraria o texto, de que uma “pessoa fantasiada” também pode ser um fã de quadrinhos e não só “de super-heróis”. Eu li Enki Bilal, Planetary, Watchmen, Grendel (o Anti-herói, não o da lenda! rs!)… todos dão mais valor ao roteiro mais sério e psicológico do que simplesmente porrada e poderes.

    Sou artista plástico e encontrei no cosplay uma maneira de infundir arte da manufatura dos acessórios com a paixão de fã por HQs de todos os gêneros.

    Mas fora isso, gostei muito do texto. Por mim, invés de “novos 52″ seriam apenas 5 revistas mensais da DC, mas que seriam mais trabalhadas e bem escritas.

    Parabéns pela reflexão que trouxe a todos nós.

  32. “O trabalho de um artista não é prestar um serviço ao fã, mas a si mesmo e suas capacidades.”, isso resume muuuito do que eu penso de DC e Marvel hoje em dia.

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