[HQview] Ponto de Ignição nº 2 da Panini Comics


Postado em 08/03/2012, por Vlad 'Focus'
Em: Destaque , Matérias , Review


Bem-vindos ao mundo de Ponto de Ignição! Nesta segunda edição, o prólogo termina e tem início a saga que vai encerrar o Universo DC como nós o conhecemos.

Enquanto o Barry Allen da outra Terra tenta retirar os poderes do Kid Flash, Patty Spivot se encontra à mercê do Flash Reverso. No entanto, a jovem é salva pelo Flash no último instante.
Longe de ser derrotado, o Professor Zoom faz mais uma vítima fatal e, com todo o poder que agora detém, transforma radicalmente toda a realidade.
Um novo mundo se descortina à frente do outrora Homem Mais Rápido do Mundo… e não parece um lugar que ele gostaria de viver.
Ponto de Ignição começa pra valer!
Panini Comics
68 páginas
Papel LWC
R$ 5,90

Flash – Rumo ao Ponto de Ignição

Roteiro: Geoff Johns
Desenhos: Scott Kolins e Francis Manapul
Cores: Michael Atiyeh e Brian Buccellato
(The Flash 12 – Julho/2011)

Capa original de The Flash #12

Enquanto Barry Allen tenta impedir que o Barry alternativo mate o Kid Flash, o Flash Reverso ataca Patty Spivot. Mas, com a aparição de Zoom, o Barry alternativo percebe que a anomalia não é Bart, e sim Thawne. Flash, Kid Flash e o Barry alternativo se unem então para derrotar o Flash Reverso, mas este acaba matando o Barry alternativo e fugindo. Antes disso, porém, Zoom revela que foi ele quem matou a mãe de Barry Allen, um caso que ele nunca tinha conseguido solucionar.

Um conceito interessante apresentado nesta edição é o de que o Flash Reverso pode alterar a sua idade, envelhecendo ou rejuvenescendo conforme a sua vontade. Este na verdade não é um conceito criado pelo Geoff Johns, mas aproveitado e alterado da origem do Impulso, de Mark Waid e Mike Wieringo. Lá, é explicado que o metabolismo de Bart Allen foi afetado pela Força de Aceleração quando ele nasceu, fazendo com que ele envelhecesse onze anos em apenas dois. Aqui, Johns toma emprestado este mesmo conceito e explica que Bart fez isso inconscientemente, mas que Zoom aprendeu a fazer conscientemente, acelerando ou retrocedendo seu metabolismo para envelhecer ou rejuvenescer.

E o fato mais importante da edição é a revelação de que o Flash Reverso matou a mãe de Barry Allen, o que causará todo o problema que será abordado na mini-série principal. Zoom explica que seu desejo sempre foi matar Barry, mas ele não podia fazer isso, pois alteraria a história e acabaria apagando a sua própria existência. Por isso ele se dedicava tanto a infernizar a vida dos familiares e amigos do Barry, pois só assim ele poderia atingi-lo sem causar danos ao fluxo cronológico. Foi por isso que ele matou Íris Allen, Fiona Webb (segunda esposa de Barry) e atacou tantos outros familiares. Por isso também ele ficou tão feliz ao encontrar um Barry Allen alternativo, pois assim ele finalmente poderia realizar seu sonho de matar seu arqui-inimigo sem consequências cronológicas.

A questão da morte da mãe do Barry já é mais complicada, pois isso foi um retcon feito pelo Geoff Johns. Antes de “Flash Renascimento”, Nora e Henry Allen (os pais do Barry) estavam vivos durante toda a carreira dele como Flash, ficaram em choque com a sua morte durante a Crise e vieram a morrer pouco tempo depois disso. Porém, quando Johns reassumiu a franquia e trouxe Barry Allen de volta, ele alterou esses fatos para poder casar com a história que estava querendo contar. Portanto, após “Flash Renascimento”, a mãe de Barry foi morta quando ele ainda era criança, e seu pai foi indevidamente culpado. Ele foi preso e morreu na prisão alguns anos depois. Barry dedicou-se a provar a inocência do pai descobrindo o verdadeiro assassino, mas nunca conseguiu. Aqui em Ponto de Ignição ele descobre que o assassino foi o próprio Flash Reverso.

Antigamente Geoff Johns tentava arrumar a cronologia pra dar um sentido a todas as histórias que foram escritas para um personagem, como no caso do Gavião Negro. Ultimamente, porém, ele tem torcido a cronologia apenas a seu favor, ignorando muito do que foi feito antes. Isso vale um ponto negativo para ele e pra essa história.

Capa alternativa de Flashpoint #1

Ponto de Ignição – Capítulo 1 de 5

Roteiro: Geoff Johns
Desenhos: Adam Kubert
Arte-final:n Sandra Hope
Cores: Alex Sinclair
(Flashpoint 1 – Julho/2011)

Capa original de Flashpoint #1

Barry Allen se vê, de repente, em um mundo bastante diferente do que ele estava acostumado. Aqui, ele não tem superpoderes, não conhece Íris West e sua mãe ainda está viva. E não é só a sua vida pessoal que está mudada, pois ele rapidamente descobre que não existe Superman e que o Batman não é Bruce Wayne, mas sim seu pai, Thomas Wayne. Além disso que Barry descobre sozinho, o restante do mundo também está completamente alterado: Aquaman afundou a Europa ocidental, deixando mais de cem milhões de mortos, a Mulher Maravilha conquistou a Grã-Bretanha, transformando-a na Nova Themyscira, Cidadão Frio (outrora o Capitão Frio) é o herói de Central City, Cyborg é o maior herói dos EUA, e ele está tentando reunir outros heróis para lutar contra Aquaman e a Mulher-Maravilha na Europa. Entre esses heróis estão o grupo místico Septeto Secreto, o Lanterna Verde Abin Sur, o Renegado, Sandman, Blecaute e as seis crianças que convocam o Capitão Trovão ao pronunciarem a palavra mágica Shazam!

A primeira coisa que um leitor mais experiente nota ao ler a primeira história de Flashpoint é a incrível semelhança com a saga A Era do Apocalipse, da Marvel. Enquanto lá tínhamos Apocalipse e seus asseclas dominando e destruindo o mundo, aqui temos Aquaman e a Mulher Maravilha dominando e destruindo a Europa. Enquanto lá tínhamos um vilão (Magneto) liderando os X-Men, aqui temos um herói de segunda (Cyborg) reunindo os outros heróis. Enquanto lá os maiores heróis não existiam ou haviam se tornado vilões, aqui não existe Superman, além de Batman e Lanterna Verde possuirem outras identidades e Mulher Maravilha e Aquaman serem vilões. Enquanto lá apenas o Bishop se lembrava da realidade original, aqui quem se lembra é o Barry Allen. Faltou um pouco de criatividade na construção do roteiro.

Capa alternativa de Flashpoint #1

A descoberta de Barry Allen de que estava em outro mundo foi bem trabalhada, a forma como ele descobre, as pessoas que ele vai procurar, essa parte é bem feita. O maior problema foi a maneira como os personagens foram apresentados. Havia muitos personagens novos e era preciso apresentá-los, mas a forma como essa apresentação se deu foi muito galhofa. Uma conferência de hologramas nos telhados de Gotham City, com hologramas apontando armas uns pros outros é pedir demais da boa vontade do leitor. Reunir todos esses diferentes heróis ao mesmo tempo e deixá-los falar a vontade pra depois mostrar que o Batman não aceita a proposta e fazer todos desistirem é ser simplista demais, além de impossível logística e tecnologicamente. Parece que Johns estava com preguiça de pensar em uma apresentação decente e escolheu a mais fácil possível.

Nota: (6,0 + 4,0)/2 = 5,0

Ponto de Ignição #2, a edição que começa de verdade a história, é fraca, mas ainda é cedo pra julgar toda a saga. Apesar de ser uma cópia da Era do Apocalipse, o universo criado é interessante, e podem sair boas histórias dele. É aguardar pra ver.

Links recomendados:

Flash é o homem mais rápido do mundo e o primeiro velocista dos quadrinhos. Assim como outros heróis da DC Comics ele tem um grande legado e teve várias identidades através dos anos, sendo que o primeiro deles foi Jay Garrick, batizado de Joel Ciclone no Brasil. Na Era de Prata veio Barry Allen, com o uniforme todo vermelho que passamos a conhecer, tendo sacrificado-se na Crise nas Infinitas Terras e passando sua identidade ao sobrinho Wally West, que ganhou sua própria revista tendo durado por cerca de 20 anos. Bart Allen, ex-Impulso, chegou a ser o Flash por pouco tempo, mas morreu e voltou como Kid Flash. Barry também está de volta e é Flash novamente, dividindo a identidade com Wally.


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Comentários

  1. Paula Tejando diz:

    “ele alterou esses fatos para poder casar com a história que estava querendo contar”

    Ou isso pode ser efeito da mudança temporal provocada pelo Zoom. Talvez não seja o caso do Geoff Johns ter “ignorado esse detalhe” e seja o Zoom alterando o Fluxo Cronológico.

    Bem , não tenho propriedade para dizer pois a Panini ainda não entregou nas bancas sequer a edição 1!!!

  2. Bem, em se tratando do Flash, a ocorrência de um retcon é perfeitamente aceitável e até previsível, afinal os velocistas sempre saracoteiam por realidades ou momentos temporais.

    herói de segunda (Cyborg)

    Pô, olha a ofensa contra o cara! Tá certo que ele não é lá muito popular mas custava usar um eufemismo? lol

  3. Grão-Mestre diz:

    Bom, eu acho que Flashpoint tem alguns aspectos parecidos com ‘A Era do Apocalipse’, (afinal são duas distopias) mas daí a dizer que é uma cópia, já acho um pouco de exagero. Para começar, ‘A Era’ tinha um clima bastante angustiante, pesado. Já Flashpoint apresentou um tom indefinido. E, neste ponto, concordo com o Vlad Focus quando ele menciona que o maior pecado da edição é justamente a caracterização. A Europa Ocidental inteira foi exterminada e a vida nos EUA continua tranquila??? Como isto? Era de se esperar, no mínimo, um clima de tensão. De fato, a apresentação dos novos personagens e da realidade da série deixou muito a desejar.

  4. Vinicius Arcanjo diz:

    ““ele alterou esses fatos para poder casar com a história que estava querendo contar”
    Ou isso pode ser efeito da mudança temporal provocada pelo Zoom. Talvez não seja o caso do Geoff Johns ter “ignorado esse detalhe” e seja o Zoom alterando o Fluxo Cronológico.”

    Levando-se em consideração que o Flash é um personagem fictício e quem escreveu TODA a história foi o GEOFF E NÂO O FLASH, quem diabos alterou o raio da cronologia a seu favor para contar uma história???????

    O Zoom alterar a história neste caso não tem nada a ver com o Geoff ignorar vários pontos da cronologia a seu favor!

    Embora tenha entendido o seu pensamento, continuo sem entender como disto pode sair um questionamento!?!

    É cada uma que vou te contar…

  5. Vlad 'Focus' diz:

    Ainda que tenha sido o Zoom que alterou a história (o que NÃO é dito em momento nenhum), isso não muda o fato de que o Johns fez um retcon que ignorou anos de cronologia que até então eram válidas. Afinal, o roteirista é o Johns e não o Eobard, como disse nosso amigo aí em cima.
    O que eu quis ressaltar é a decadência do Johns. Antes ele procurava amarrar a cronologia passada, mas agora ele prefere ignorar e inserir elementos no passado que contradizem muito do que foi feito antes.

  6. @Vlad – Será que esse enfraquecimento reflete alguma decepção que ele tenha sofrido dentro da editora? Ou pode ser excesso de trabalho já que ele também é chefe criativo e tem outras responsabilidades?

  7. Grão-Mestre diz:

    Bom, se o problema é cronologia, vem aí o DCnU, hehehe

  8. Vlad 'Focus' diz:

    Spider-Phoenix, eu acho que é uma combinação de excesso de trabalho com esgotamento criativo. Acho que acabaram as ideias e ele não está tendo tempo de bolar coisas novas, aí fica só reciclando o que ele já fez em outros personagens.

  9. Paula Tejando diz:

    @Vinicius Arcanjo

    O que eu quis dizer que o ZOOM alterou o fluxo temporal. Apenas isso. Sim, os pais do Barry Allen estavam vivos. Daí o ZOOM voltou no tempo e matou a mãe do Barry. Pronto! O que tem de difícil em entender isso?

  10. Sandro diz:

    Zoom explica que seu desejo sempre foi matar Barry, mas ele não podia fazer isso, pois alteraria a história e acabaria apagando a sua própria existência. Por isso ele se dedicava tanto a infernizar a vida dos familiares e amigos do Barry, pois só assim ele poderia atingi-lo sem causar danos ao fluxo cronológico

    Ah, tá, que explicação ótEma! Efeito borboleta mandou lembranças, Geoffinho… Uma pessoa é fruto de seu ambiente, do seu dia-a-dia. Até o mais insignificante fato pode nos marcar pro resto da vida, mesmo que não nos lembremos dele. Não tem como o mesmíssimo Barry Allen ter surgido de uma tragédia familiar dessa. Não faz sentido.

  11. Monitor diz:

    @Vlad
    Barry descobre que Zoom matou sua mãe ainda em Flash Renascimento, além disso na mesma mini é explicado sim que o vilão voltou no tempo e alterou a realidade (matando a respectiva Sra. rs), além de derrubar Barry quando criança machucando-o e outros flashbacks (desculpem o trocadilho! XD). Coisa parecida está acontecendo com a Mulher-Maravilha que teve seu passado distorcido (acompanhem Universo DC).

  12. Vlad 'Focus' diz:

    Você deve ter razão, Monitor. Acho que meu cérebro deu descarga nessa bosta de Flash Renascimento. De qualquer forma, isso não invalida o meu pensamento de que o Johns já foi melhor em termos de cronologia.

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