O anúncio do crossover de doze edições entre o Batman e o Homem-Aranha pode ter sido falso, mas deve-se lembrar que estes dois icônicos super-heróis já se encontraram em duas ocasiões bastante especiais nos anos 1990 – e, nas duas situações, o escritor J.M. DeMatteis deu cabo da narrativa. Nada mais natural que ler estas duas histórias mais uma vez para relembrar estes dois importantes encontros. Como foi a experiência de reler, hoje, estas duas histórias tão centradas em suas épocas?
A verdade é que há regras para se ler as duas histórias. Por serem frutos muito enraizados de uma época já passada dos quadrinhos, há coisas que soam datadas, ou mesmo ruins, hoje em dia. No entanto, ainda são boas histórias, mas elas jamais devem ser lidas após leitor ter acabado de chegar ao fim de um LJA/Vingadores, por exemplo, considerado o crossover definitivo entre a Marvel a e DC.
De qualquer forma, sem delongas, é hora de relembrar o primeiro destes dois clássicos encontros entre Batman e Homem-Aranha. (O segundo será comentado na próxima segunda-feira aqui no site).
Título: Homem-Aranha e Batman: Mentes Desequilibradas (ou também Mentes Insanas)
Título Original: Spider-Man and Batman: Disordered Minds
Ano de Lançamento (Brasil): 1997
Ano de Lançamento (EUA): 1996
Escritor: J.M. DeMatteis
Artista: Mark Bagley
Para o primeiro encontro, DeMatteis e os editores das duas empresas (Eric Fein e Danny Fingeroth) apostaram em saídas mais práticas, escolhendo um vilão clássico (o Coringa) e um vilão ícone daquela época (o Carnificina) pra se unirem. O plot desenvolve-se da forma mais tradicional possível, seguindo bem à risca a cartilha de crossovers – os vilões se unem, obrigando os heróis a se unirem; a princípio não há qualquer empatia entre eles, mas logo eles percebem que o bem maior precisa ser alcançado, portanto se unem contra seus inimigos.
Há duas coisas muito interessantes neste crossover que tornam a execução da história muito divertida. A primeira delas é a união dos universos – não há terras paralelas, ou coisas do tipo. Gotham City existe na mesma Terra que a Nova York da Marvel existe. A diferenciação gira em torno da simbologia que estes personagens carregam, ou seja, os heróis DC são grandes lendas. O Homem-Aranha fica estupefato ao dar de cara com o Batman em pessoa – “ele é uma lenda”, diz o herói aracnídeo. Portanto, apesar da concorrência agressiva, havia o respeito pelo legado de cada editora.
O segundo ponto positivo é a forma única que DeMatteis dá à história, mesmo tendo que seguir a “cartilha básica dos crossovers”. Unificando os traumas de infância de cada um (a morte dos pais de Bruce Wayne de um lado, e a do Tio Ben do outro), o autor constrói um conto com raízes psicológicas mais fortes que outros encontros deste tipo, dando motivações mais palpáveis aos personagens. Os flashbacks que fazem parte da introdução da história não apenas ambientam o leitor de forma muito eficaz, como também dão o básico para novos leitores entenderem quem são estes dois heróis e seus vilões.
Basicamente, uma psiquiatra, apoiada pelo governo federal americano, consegue desenvolver um chip de controle mental que adormecerá os monstros existentes nas psiquês de Kletus Casady, o Carnificina, e do Coringa. A primeiro instante, o experimento com Kletus é um sucesso, portanto a médica logo parte para Gotham (levando Kletus como exemplo) a fim de repetir o feito. Obviamente a experiência só dá certo de verdade com o Coringa, já que o simbionte de Kletus dá curto no chip logo no começo da coisa – felizmente, o Batman estava preparado, mas seu vigor psicológico acaba afetado pelo sorriso mortal do vilão da Marvel, afinal, este o fez lembrar do terror das noites mal dormidas após o assassinato de seus pais. É somente com a ajuda do Homem-Aranha, bem mais tarde (e algumas discussões metódicas depois) que o Cavaleiro das Trevas entende a necessidade do auxílio aracnídeo.
Os vilões têm um papel muito bom no desenrolar da trama, não apenas por serem os óbvios antagonistas do conto, mas também por serem bem caracterizados. Os métodos de cada um são questionados o tempo todo pelo outro com diálogos bastante convincentes, fazendo o leitor acreditar na psicopatia de cada um.
O final do conto tem uma resolução um pouco rápida, perdendo consideravelmente o aspecto filosófico apresentado no início. Obviamente isso se deve mais ao formato no qual DeMatteris teve que escrever, não possibilitando que ele esticasse o conto um pouquinho mais para criar uma conclusão mais convincente.
De qualquer forma, dentre os vários crossovers da Marvel e da DC feitos nos anos 1990, este é um dos mais sinceros e interessantes, marcando uma era ao colocar dois dos mais icônicos heróis das duas editoras numa única história.
Tags: Batman, homem-aranha, JM deMatteis, Mark Bagley, Marvel, Resenhas, Scott Hanna



Eu sei que não tem muita coisa haver com o post, mas vocês sabem se a fase e Paul Cornell no Batman & Robin que ta saindo agora pela Panini vale a pena ser comprada?
Gostei muito dessa história na época, mais até do que da 2ª história, que tem Rei do Crime e Ras Al Ghul como vilões. Vale um garimpo nos sebos.