Um dos paineis da San Diego Comic-Con 2011 menos comentados nos sites de notícias foi o dos autores e artistas britânicos, no qual Grant Morrison, Garth Ennis, Dave Gibbons, David Lloyd, John Higgins e Alan Davis uniram-se para conversar com os fãs sobre a chegada dos europeus ao mercado de quadrinhos americano. A conhecida “Invasão Britânica dos Quadrinhos” foi o primeiro tópico da apresentação.
David Lloyd, conhecido principalmente por ser co-criador e artista da obra V de Vingança, contou que foi contatado por Dick Giordano e Joe Orlando, dois grandes nomes da história da DC Comics que queriam procurar novos talentos entre os europeus. Ennis (conhecido especialmente por Preacher e The Boys) comentou que sua situação foi algo semelhante, mas afirmou que não apreciava quadrinhos americanos até fazer parte da indústria. “A distribuição deste material na Irlanda era terrível, e eu acabava lendo e gostando do material que estes caras que estão aqui do meu lado faziam para as revistas britânicas” contou Ennis. “No entanto o mercado americano parecia ser um lugar melhor para se trabalhar. Tínhamos um tratamento melhor, melhores condições etc. As pessoas pareciam genuinamente comprometidas a lançarem um material bom, diferente do Reino Unido” complementou.
Higgins, colorista de vários grandes trabalhos nos quadrinhos (incluindo aí Watchmen) afirmou que aquelas páginas coloridas e a força das ilustrações das revistas americanas dos anos 1960 e 1970 foram o que realmente lhe chamaram atenção. Já Lloyd contou que entrar no mundo das HQs americanas foi um exemplo de como havia gente fazendo um trabalho mediano em alguns títulos – “eu posso fazer melhor do que isso“, pensou.
Alan Davis trabalhava em tempo integral para a 2000 A.D. e então foi convidado pela DC Comics para trabalhar em Batman e Os Renegados, o que abriu todas as portas do mercado americano para ele. Em seguida o assunto foi o clássico Marvel vs. DC – em qual delas é melhor trabalhar? Morrison aproveitou a deixa e comentou que a Marvel tornou-se muito corporativa e restrita em suas revistas nos anos 1980, enquanto a DC foi pelo caminho contrário fazendo coisas mais progressistas como Watchmen e Cavaleiro das Trevas. “Foi um timing perfeito” afirmou.
Ennis aproveitou o que Morrison disse e emendou um fator bastante curioso sobre a Marvel: “Até que Joe Quesada assumisse as coisas por lá a Marvel não tinha o menor interesse em fazer quadrinhos progressistas assim. A Marvel, no fim das contas, nunca deu o braço a torcer que eles querem fazer a mesma coisa pra sempre“.
Gibbons relembrou como houve interesse da DC Comcis de fazer uma história baseada no Atari quando este video game explodiu – e como o tiro saiu pela culatra com o desinteresse instantâneo que que foi gerado poucos meses depois. Lloyd foi para outro lado afirmando que o problema dos quadrinhos é serem uma mídia juvenil e não adulta. “Eu gosto de trabalhar em coisas que fizem algo sobre a estrutura social” contou.
“Nós (criadores do Reino Unido) levamos este aspecto social para o mainstream” disse Ennis. “Todo o material americano que tocava neste tipo de assunto era underground. Preacher teve muita coisa questionável sobre sentido de Jesus Cristo e Deus, mas com The Boys os vilões da coisa são os próprios super heróis. Eu os vejo como uma mistura de estrelas pop com políticos. The Boys acabou morto na DC porque mexia com o produto deles” completou o escritor irlandês.
“Acabou funcionando” emendou Morrison. “Antes de tudo o Superman lutava pelo homem comum, portanto era muito mais realista“. Com pouco tempo de sobra no painel os fãs tiveram a chance de perguntar algumas coisinhas para os criadores presentes. A pergunta final foi a mais relevante: “A indústria britânica tem salvação?“. Lloyd respondeu “não. As editoras britânicas não se importam com isso“. Todos os presentes concordaram.
Ennis aproveitou o que Lloyd disse para falar de coisas bem sérias sobre criadores britânicos nos Estados Unidos. “Acho que 2000 A.D. ainda vai resistir por um tempo. As reimpressões do material antigo estão bem, assim como filmes. Como se expande isso? Não sei. Sou o mais novo aqui e já teho 41 anos. A Invasão Britânica, como é chamada, foi coisa do passado. Acho que os novos talentos de lá que vêm para a indústria americana estão presos aos quadrinhos de super heróis. A Marvel quer fazer a mesma coisa pra sempre. A Vertigo está morrendo sem direito a ressurreição. A DC está se tornando numa máquina de marketing“. Neste momento em que todos concordaram, Morrison ficou rápido e recusou-se a falar sobre o assunto.
Ennis então concluiu o painel de uma forma profética, negativista e controversa ao dizer: “Na DC Comics os contratos da Vertigo estão sendo jogados pelo ralo, de uma forma que quase mais nada tem algum atrativo. A Vertigo foi boa enquanto durou. Mas, felizmente, ela abriu as portas para os independentes, o que não existia antes. Para os britânicos não se tem mais muito o que fazer. Tivemos nossa época também“.
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Affe, como é terrível concordar com essa “profecia” do Garth Ennis. A Vertigo realmente está morrendo no sentido criativo e muito dessa “morte” se deve a associação direta que ocorre agora com a DC. Embora um selo da DC Comics, a Vertigo era respeitada e, como leitor, via uma liberdade criativa essencial no selo. Mas Ennis está certo. Em parte.
Acredito que a Vertigo possa sobreviver como selo da DC, desde que seja reestruturada para um campo apenas, ressalto, apenas das Graphic Novel’s, encerrando a era das revistas mensais, até mesmo porque o apelo das mensais está definhando de forma geral. Encadernados são a solução editorial mais realista e mais promissora também.
Ben Hazrael
“Affe, como é terrível concordar com essa “profecia” do Garth Ennis. A Vertigo realmente está morrendo no sentido criativo e muito dessa “morte” se deve a associação direta que ocorre agora com a DC.”
Ta,e uma penca de comentarios de pessoas que diziam isso ai que Ennis disse.Mas como sempre,sempre tinha um pra falar que os caras sao chatos,sao reclamoes,so sabem falar mal da DC,que sao marvetinhos.
E a vida continua
Eu sempre defendi o fim do formato revista mensal. Hellboy é uma evidência do sucesso da mini-série e edições one-shot em detrimento da série mensal.
” ..a Marvel não tinha o menor interesse em fazer quadrinhos progressistas assim.”
Tinha sim, Epic Marvel, Epic Illustrated e Savage Sword of Conan eram progressistas. Faltaram britanicos para embalar a Epic Marvel e Illustrated.
klayton doido varrido
É, tem de tudo, quem fala bem, quem fala mal, quem não diz nada, quem quer dizer e não consegue e por ai vai.
A única coisa boa de tudo isso é que encaro minhas HQ da Vertigo como livros. Fechados em si mesmos. Dai não tenho mais o desespero pra ficar sempre lendo e lendo mais e mais histórias de personagens que poderiam ter suas histórias findadas. Por isso a Vertigo é boa, permite isso. Veja os casos de Sandman, Preacher, Y – The Last Man, Escalpo, etc. Existe um início, um meio e um fim. Agora transformar a Vertigo num modelo de produção de HQ segundo o gênero superheróis é retrocesso.
E sim, sou muito desconfiado que existam Marvetes nos altos cargos da DC.
” ..a Marvel não tinha o menor interesse em fazer quadrinhos progressistas assim.”
Infelizmente concordo. Veja o que foi o selo Max, o potencial e a qualidade que teve e o final foi? A Marvel é a casa dos super-heróis, podemos esperar épicas aventuras de heróis carismáticos, mas só isso, nada além disso. Ela não produz arte, não é a sua meta, a Marvel quer e sempre quis super-heróis bem populares e acessíveis pra todo mundo. Mesmo quando Mark Millar fez Os Supremos ou Neil Gaiman fez 1602 ou ainda Paul Jenkins fez Origem eles tiveram que embrulhar sua idéia artística no envólucro mais comercial possível. Alias de Brian Michael Bendis foi forçada a ser encerrada antes do tempo. Nem pra Bendis a Marvel não banca um titulo mais artístico e menos comercial, antes ele teve que adaptar Jéssica Jones num titulo censura livre e acessível pra todo mundo assim como com o Poder Supremo de Straczynski também foi igual.
A DC produz arte. Ela bancou Ronin. V de Vingança. O Cavaleiro das Trevas. Colocou o Monstro do Pântano nas prateleiras sem o selo de aprovação do Comis Code Authority pra não baixar o tom que Alan Moore vinha mantendo. A DC empreende, experimenta, banca projetos, ganha prêmios. Pelo menos costumava ser assim…
“A Marvel quer fazer a mesma coisa pra sempre. A Vertigo está morrendo sem direito a ressurreição. A DC está se tornando numa máquina de marketing“.
Terrível afirmar, mas está correto. A DC vem assumindo uma preocupante postura demasiadamente mercenária. Não acho que seja o funeral da DC ainda, coisas boas virão da linhas Dark e Edge, mas é fato que um pouco do que a Vertigo era se perdeu bem como dificilmente os roteiristas voltarão a ter a mesma liberdade.
E aparentemente, a DC resolveu seguir pelo mesmo caminho. É basicamente o que Allan moore está dizendo há uns bons anos, o quadrinho estagnou. A ponta de inovação que vimos uns 5 anos atrás já era também. À partir de agora só teremos mega-sagas, histórias repetitivas e personagens que farão a mesma coisa pra sempre.
Quando ele fala o povo escuta, né? Eu nunca gostei do estilo do Garth Ennis, admito, acho que ele abusa dos excessos, da gratuidade… mas concordo com ele. E já cantamos essa pedra aqui antes. Mas éramos chatos vivendo no reclamoverso DC…
Eu não acho isso necessariamente ruim. Um marketing bem feito poderia dar sobrevida aos quadrinhos, seja o modelo mensal de super-herói ou o viés mais adulto da Vertigo. O problema aqui é que a DC está fazendo errado, e não é de hoje.
E sempre foi a editora “conservadora”. Marvel é engana trouxa, a maior piada de mau gosto do mundo. O que fazia sentido e era atraente nos anos 60 deixou de ser hoje em dia. X-Men não faz mais sentido, Homem-Aranha idem… e mesmo assim a editora teima em continuar com a mesma linha de desenvolvimento de seus personagens.
Sobre a Marvel prefiro não comentar, pois praticamente abandonei a editora. X-men, que foi minha entrada para o gênero, passou a ser enfadonho e larguei. Sem dizer que peguei repúdio pelo aranha desde OMD (e não quero saber se as coisas melhoraram mas o que aconteceu em OMD é algo que não vou aceitar jamais).
No caso da DC, concordo com o Sandro: o problema não é a editora virar uma máquina de marketing porque é isso que o mercado EXIGE para as empresas de hoje em dia. O problema é a execução que está chinfrim e muito aquém do que poderia ser.
Em relação a Vertigo, acho que não acaba com a integração, mas seria interessante a sugestão de trabalhos one-shot, graphic novel e encadernados para quem quiser ler material alternativo.
Bem, vamos torcer pelo melhor.
rapaz o garth ennis esta coberto de razão,o pessoal vive querendo minha cabeça por que venho dizendo isso ha muito tempo,falei gente este negocio de dc enterteinment é furada ,enfim sem mais delongas ,só tenho a dizer o seguinte. multiverso dc este é o caminho ,belo artigo
Ben Hazrael
Verdade,cara,é por ai mesmo
Sobre a parada dos chatos e marvetinhos era como Sandro e outros aqui[como eu tambem] eram chamados no site Multiverso DC mesmo.Mas ai quando um cara que escreve para a DC diz isso na frente de outros escritores[que nao falam nada ],nao aparece essses caras[que comentam aqui] pra dizer que ele ta errado ne?
@klayton
(sarcasmo on) “Marvetinhos” ou não vamos todos parar com essa merda e ler Dynamite que é mais legal. Huehueheuheu (sarcasmo off)
Morcelli, Dynamite, Boom, Darkhorse, IDW, DDP e até Image estão valendo mais a pena ultimamente do que Marvel e DC. Triste mas verdade.
2Sandro: leio poucas coisas das outras citadas, mas por incrível que pareça, se for pra comparar Marvel, DC e Image hoje, a Image é a que tem mais conteúdo. De longe.
PS: Leiam CHEW, que é do caralho.
Morcelli,boa,hahahahah
Vou passar a ler isso ai deve ser maneiro
Brunao
CHEW?Vou ver essa parada ai
Sandro
Crossed acho maneira,The Walking Dead tenho encadernado e leio scan tambem[ah galera o numero 5 ja saiu em,com certeza vou comprar]
Em questão criativa com certeza a Vertigo está em sobrevida. Escalpo e DMZ vão pro saco, Northlanders tbm. Sendo assim vc fica com American Vampire, já que Hellblazer está decadente e Fables está legalzinho mas não está tão high-lvl.
Enfim, o Ennis tem toda a razão, ler a Marvel é horrível por causa da porrada de mega-eventos e mortes por ano(isso sem contar as ressurreições). A DC está bem mais marqueteira por tendencia do mercado, eles precisam disso pra não perderem mercado(é uma pena que o pessoal pise feio na bola uma horas).
Image owna com The Walking Dead e a Dark Horse com Hellboy xD
super heroi ja esgotou seu apelo e por tabela os selos agregados a essas corporações de midia , o conceito em si ainda rende muito caldo o problema é que as editoras americanas não tratam mais seus personagens e series como um produto editorial ,e sim como um conceito que pode ser amplamente esplorado comercialmente para todos os tipos de publico e isso gera restrições severas para os criadores ,the boys é um exemplo claro ,garth ennis chutou muito mais bolas com preacher que é 100 vezes mais corrosiva,agressiva e desrepeitosa com as certezas alheias que the boys,mesmo assim quase não sofreu censura
por que era outros tempos ,as editoras investiam em boas ideias na esperança de formar catalogo permanente de graphic novels e chamar a atenção de outras midias como cinema ,tv e videogames ,hoje é ao contrario ,gibi é um produto que tem obrigação logo em seu nascimento de ser cool em tv ,cinema,videogame e tudo quanto é tipo de traquitanas colecionaveis ,neste processo os escritores e artistas são o que menos importa ,eles são descartaveis afinal de contas o bambam é o executivo que enxergou o potencial corporativo da ideia
por essas e outras o mercado de quadrinhos americano esta pagando um preço muito alto ,vendas ridiculas ,escasses de bons escritores e esgotamento de personagens altamente rentaveis se trabalhado da forma correta ,infelizmente a Dc resolveu seguir a risca a formula da marvel que é a criadora e gestora de todos estes vicios que esta corroendo a industria de quadrinhos americana