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Resenha: Mogo não comparece mais às reuniões


Postado em 02/03/2011, por Morcelli // em: Destaque, Matérias, Review // 11 comentário(s)




Por Sérgio Francisco Vieira

Pleonasmo: Segundo a gramática, pleonasmo é uma figura de linguagem caracterizada pela repetição da mesma idéia através de palavras diferentes. Exemplos: Subir pra cima, Alan Moore gênio, entrar para dentro e tantos outros exemplos, assim por diante.

Tenho, em minha coleção de gibis, um encadernado especial somente com história de Moore. E realmente foi uma de minhas melhores aquisições. Todos deveriam ter, afinal, só de possuir “A Piada Mortal” nessa coletânea, já valeria o preço pago. Esse encadernado recebe o nome de “Grande Clássicos DC Alan Moore” e foi lançado pela Panini em Outubro de 2006, pela bagatela de R$36,00. Sinceramente? Vale cada centavo gasto. E vale mesmo!

Com muitas coisas legais, escolhi dentre as histórias selecionadas para a tal coletânea, uma da Tropa Dos Lanternas Verdes, que se chama “Mogo Não Comparece Às Reuniões”, com arte de Dave Gibbons, cores de Anthony Tollin e edição de Len Wein. Essa história foi publicada originalmente em Maio de 1985, e tratou-se de algo surpreendente pra mim quando li. O roteiro muito bem elaborado, usando personagens não muito comuns, fugindo dos principais lanternas com Hal Jordan, Sinestro ou Kilowog e o final impressionantemente simples. Trata-se de Mogo, um Lanterna Verde diferente, assim como Leezle Pon que é um vírus extremamente inteligente e Dkrtzy Rrr que é uma progressão matemática que somente os Guardiões conseguem sentir sua presença.

Dentro do planeta Oa existe um lugar onde é guardado um livro com os nomes dos principais Lanternas da tropa. Arísia, uma jovem lanterna, fica um tanto quanto curiosa em saber sobre os nomes citados acima, uma vez que nunca os viu em nenhuma reunião da tropa. Tomar-Re, tentando esclarecer as coisas, resolve contar a história de Mogo para Arísia.

Bolphunga, um tirano extremamente forte e cruel, depois de matar e destroçar diversos oponentes, resolve ir atrás do misterioso Lanterna Verde conhecido como Mogo. Ao chegar no planeta de Mogo, Bolphunga grita aos quatro ventos quais as suas intenções quando encontrar o tal Lanterna. Muito impaciente, ele sai procurando por todo o planeta, explorando e adentrando na mata, buscando-o desesperadamente. Depois de muito vasculhar, Bolphunga começa a perceber que não há nenhuma forma de vida inteligente ali, mas se atenta para o fato de todas as árvores estarem muito bem cortadas e também de existirem grandes clareiras. Depois de anos no planeta, vasculhando, fazendo anotações e traçando mapas precisos a cerca dos formatos das clareiras e a forma como elas estão desenhadas, Bolphunga começa a ter muitas dúvidas sobre a existência Mogo.

Certa noite, olhando sistematicamente os mapas desenhados, Bolphunga se desespera e amedrontadamente pega seu foguete e abandona o planeta olhando-o de cima, e a verdade vem à tona: Mogo é o próprio planeta! E toda sua mata bem aparada junto com o espaço feito pelas clareiras formam o grande símbolo dos Lanternas Verdes. E o motivo pelo qual Mogo não comparece às reuniões da tropa é simples: seu campo gravitacional destruiria Oa. E dessa forma Tomar-Re termina a história contada para a atônita e surpresa Arísia, deixando-a na dúvida da história ser verídica ou não.

Uma história casual, simples, curta, mas confesso ter me surpreendido. Eu realmente não imaginava que Mogo fosse o planeta quando li pela primeira vez. É por essa e tantas outras razões que considero Moore um gênio. A capacidade de pegar uma coisa simples e fazê-la parecer mágica. Um roteiro básico, mas que com muito bom gosto, bom senso e a dose certa de mistério faz tudo parecer gigante e extremamente interessante. E mais, e isso sim pra mim é coisa de gênio: As histórias não precisam ser sempre complexas tais quais “A Piada Mortal” ou “Watchmen”. Uma história simples mas bem escrita como essa foi, de uma forma interessante, inteligente e direta causa um impacto interessantíssimo no leitor.

O fato de se saber trabalhar com simplicidade, sem parecer idiota (como muitos roteiristas já escorregaram feio anteriormente) é um dos requisitos que diferencia os ótimos roteiristas dos gênios. Simplesmente genial… Leitura recomendadíssima!



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  1. Postado em 02/03/2011 às 15:35 | Permalink

    Essa história é genial, só não é melhor que outra escrita pelo Moore que eu não lembro o nome, (mas acho que saiu na mesma coletânea) que a Katma tem que recrutar um Lanterna que não conhece o conceito de luz. Geniais.

  2. advisjet
    Postado em 02/03/2011 às 18:53 | Permalink

    Alan Moore torna simples as mais extraordinarias ideias e nos apresenta de uma forma peculiar. Pode se dizer que qualquer assunto, seja cientifico ou esoterico, sempre ren de boas historias e sem pelasaquices. A concepção de Mogo se deve a uma extrapolação da Hipotese Gaia, onde o cientista James Lovelock postula a possibilidade de o planeta Terra ser considerado um ser vivo e de seus ecossistemas serem similares aos sistemasorganicos de um ser vivo, tal como o circulatorio, respiratorio ou digestivo. So que no caso de Mogo ele desenvolveu algo similar ao sistema nervoso! Uma ideia levada ao extremo pela imaginação do Barbudo Esquisitão!

  3. Jeferson
    Postado em 02/03/2011 às 22:11 | Permalink

    Outros exemplos de pleonasmo são : Grant Morrison é DEUS !

    E Jack Kirby também…. :)

  4. Sandro
    Postado em 02/03/2011 às 22:59 | Permalink

    Pleonasmo? Sueca peituda.

  5. Cassiano C. Alves
    Postado em 02/03/2011 às 23:17 | Permalink

    Eu também tenho este encadernado, e de fato valeu cada centavo! Aproveito para destacar a história “Olimpíadas Noturnas” (acho que é esse o nome), estrelada pelo Arqueiro Verde, bem como a história do Vigilante.

  6. Postado em 03/03/2011 às 14:15 | Permalink

    Alan Moore fez os melhores contos lanternas de todos os tempos. É sério.

    Profecia da Noite mais Densa, Mogo ser Planeta e o “Sino alguma-coisa” em vezde “lanterna verde” é muito, muito foda.
    Tenho um misto de pena/alegria de saber que ninguém usou esse personagem.

  7. Postado em 03/03/2011 às 14:25 | Permalink

    Rot Lop Fan, o cara se chamava Rot Lop Fan, e era o Sino Agudo, ou algo assim

  8. Pinguim
    Postado em 04/03/2011 às 2:20 | Permalink

    Será que o barbudo se inspirou no Ego?

  9. Postado em 04/03/2011 às 15:15 | Permalink

    Rot Lop Fan, um anuro (rã, sapo, etc) que é cego de nascença, pois vive num planeta onde não há luz alguma, as Profundezas Obsidianas. Por isso, não enxergar, ele não entende o conceito básico de luz e cores.

    Ao ser recrutado pro Katma Tui, ela o convoca para a Tropa, mas adaptando o símbolo em seu traje e os poderes de seu anel energético a algo que Rot Lop Fan possa compreender muitíssimo bem: SONS, a vibração mecânica equivalente ao espectro eletromagnético da luz verde, a nota do “Fá Menor”.

    Então Rot Lop Fan (que está no filme, e o Mogo também) se torna o único membro da Tropa do Sino do Fá Menor (ou seja, dos Lanternas Verde).

  10. Ítalo Azul
    Postado em 04/03/2011 às 21:36 | Permalink

    Alan Moore é o melhor de todos, parafraseando Frank MIller podemos dizer que Grant Morrison é bom, mas Alan Moore é mágico. Essa história do Sino Fá Menor foi uma das que mais me chamou atenção, também a do Vingador Fantasma “Quem sou eu? Apenas um fantasma na vida… Como todos nós.” Esse encadernado da DC bem como Tom Strong ou Tomorrow Stories só podem ser descritos como verdadeiras arcas do tesouro de histórias.

  11. Postado em 08/03/2011 às 11:07 | Permalink

    Abaixo-assinado:

    Queremos o filme LANTERNA VERDE no Brasil em 17 de Junho!

    http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N7536

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