O que Aconteceu ao Cavaleiro das Trevas – Final (Com Promoção!)


Postado em 07/05/2010, por Morcelli
Em: Análise , Destaque , Editorial


Grant Morrison é o melhor escritor de quadrinhos da atualidade” – Neil Gaiman, 2008 – FLIP, Parati-Brasil

O que Neil Gaiman, um homem sempre simpático, humilde e bem humorado, esqueceu-se é que ele ostenta este título na cabeça de muitos fãs, mesmo daqueles que acham que seus últimos trabalhos nesta mídia não sejam tão bons quanto Sandman. E eu digo: esqueçam Sandman. Hoje o assunto é o Homem-Morcego, o personagem favorito não apenas da grande maioria dos fãs de quadrinhos como também deste próprio escritor inglês. No segundo capítulo desta narrativa, que nada mais é que uma grande homenagem à toda história do Batman, temos o encerramento do funeral e, o principal assunto dela, a prova de quer Bruce Wayne já está vivendo os efeitos colaterais da Sanção Ômega de Darkseid, sofrida por ele na Crise Final.

Portanto neste artigo não resumirei a história para vocês, mas sim oferecerei pontos importantes e fatos narrados que servem para embasar algumas teorias e filosofias passadas através dos diálogos e imagens de Gaiman e Andy Kubert. Vamos lá?

Aspecto Cíclico e Renascimento

Ele morre. Outra pessoa toma a frente do funeral, conta seu momento com ele, e ele morre. De novo. De outra forma. A história é uma alegoria de si mesma, o que me faz lembrar de outro momento clássico da carreira de Grant Morrison: A Patrulha do Destino. Quem leu a fase do escocês no título destes heróis bizarros lembra-se de quando eles enfrentaram The Brotherhood of Dada (A Irmandade de Dada), homenagem clara ao dadaísmo, em que estes esquisitos vilões arrumaram um quadro que comia Paris, e ao entrarem lá, haviam um quadro dentro de outro com Paris dentro de cada um também. Assustador, não?

Pois bem, a história de Gaiman funciona desta forma também, mas um pouco mais simplificada. Basicamente vemos as mortes dele constantemente, mas todas elas estão dentro de um quadro maior, que é a morte absoluta do cruzado embuçado, a que é observada por seu espírito e o espírito de sua mãe (ele tinha que entrá-la no último momento de sua vida) e que então fecha o ciclo de toda a narrativa ao renascer no final nos braços de Martha na maternidade de um hospital.

O destino final do Batman é simplesmente ser o Batman!

Sanção Ômega – A Morte que é Vida

Quem se lembra do que Darkseid fez com Sonny Sumô ainda na época de Jack Kirby à frente dos Novos Deuses sabe que a ideia deste poder dele é fazer com que a pessoa sofra eternamente sem poder ter uma vida, mas também sem ter uma morte. O conceito foi extrapolado por Grant Morrison décadas depois em sua minissérie Os Sete Soldados da Vitória, mais especificamente com o Sr. Milagre, que passou por várias dimensões ao sofrer a Sanção e sofreu, mas como mestre escapista conseguiu escapar da armadilha.

O Batman caiu nesta armadilha na sexta edição de Crise Final mas, bem, ele é o Batman, não é mesmo? Com um belo “gotcha!” ele se deixou ser pego e podemos compreender a minissérie de duas edições de Neil Gaiman como os primeiros casos relatados e colaterais deste efeito. Por quê? Basicamente o personagem morre aqui, diversas vezes e em cada uma das narrativas de uma forma completamente diferente. Há vilões que o mataram, há tragédias nas quais ele estava envolvido, há sacrifícios, mas como ele mesmo diz: “Nunca me entrego”.

Não há nenhuma prova real por parte dos artistas envolvidos que isto aconteceu de verdade, ou que tal coisa tenha sido combinada ente Gaiman e Morrison, mas o sentido é perfeito. E o mais interessante é que o Batman “espírito” observe tudo à distância, encontra-se com sua mãe, apenas para nascer de novo, recomeçando o ciclo. É possível que esta história nem mesmo se encaixe nos planos de Morrison para o personagem (se você pensar em Descanse em Paz, Crise Final, Batman and Robin e O Retorno de Bruce Wayne, “O Que Aconteceu ao Cruzado de capa?” não se encaixa em lugar nenhum), mas não importa, ela é ótima justamente por funcionar por si só e tocar neste ponto da “Morte que é Vida” apenas como um pano de fundo, ou uma alegoria.

Anotações e Referências

1-Azrael, mesmo morto, também aparece na história, que como já dissemos no primeiro capítulo, mistura cronologia atual e antiga apenas com o objetivo de contar uma história, independente da situação de seus peões. Quer prova maior que uma página que tem Jean-Paul Valley, a Batgirl da Era de Prata e Barbara Gordon numa cadeira de rodas na mesma cena?

4-”Santo…“, o início clássico das frases do Robin no desenho animado nas revistas antigas também. Neste caso poderia ter sido um “Santo dinossauro, Batman!“, mas ele corrigiu para endeusar as qualidades do homem comum e sem poderes porém muito determinado que é Bruce Wayne.

10-Interessante notar que Martha Wayne aparece com as mesmas roupas que usava quando morreu. Provavelmente Gaiman quis esta imagem da mãe de Bruce para referenciar a última imagem que ele guardou dela ainda criança, apenas com uma coloração diferente, até porque muitas de nossas memórias perdem as cores com o passar da vida. Ponto filosófico muito interessante escolhido pelo escritor.

12-Uma panorama clássico, especialmente utilizado nos anos 1970, quando o Homem-Morcego voltou a ser sinistro nos gibis, fruto das mentes de Denny O’Neil e Neal Adams.

13-“As muitas Mortes do Batman” na visão de Neil Gaiman e Andy Kubert

14-Homenagem a momentos clássicos do personagem: Batman beijando Thalia em história de Mike Barr; Bane quebrando Batman na Queda do Morcego; Batman em frente ao Asilo Arkham na graphic novel de, mais uma vez, Grant Morrison, e outro grande parceiro de Gaiman, Dave McKean.

17-A morte dos pais como retratada nos anos 1980 na minissérie Ano Um de Frank Miller e David Mazuchelli.

20-21-A cronologia atual e antiga. O velho se encontra com o novo. [1 – elementos da Batcaverna]

22-23-A cronologia atual e antiga. O velho se encontra com o novo. [2 – personagens]

A Promoção do Batman!

Vamos lá pessoal! Depois de concluirmos este especial do Batman com Neil Gaiman é hora da promoção! Vamos sortear uma edição #1 de Batman and Robin em inglês novinha e lacrada, escrita por Grant Morrison e desenhada por Frank Quitely, com capa variante de J.G. Jones. Para ganhar esta revista, vocês têm que responder as seguintes perguntas:

  1. A origem de que vilã do Batman Neil Gaiman escreveu há mais de 20 anos atrás?
  2. Em que revista e edição esta história saiu?
  3. Em que data correta (mês e ano) saiu esta revista?
  4. Onde esta história saiu no Brasil?

O primeiro que responder todas elas nos comentários corretamente, leva a revista. Vamos lá galera, hora de usar o Google! :D


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Comentários

  1. Pinguim diz:

    1- Hera Venenosa
    2- Secret Origins #36
    3- Janeiro de 1989
    4- Novos Tiutãs #62 da Editora Abril

  2. Pinguim diz:

    *Titãs

  3. Daniel diz:

    1. Poison Ivy
    2.Secret origins 36
    3.Janeiro/1989
    4.Novos Titãs 62/editora Abril

  4. stephany diz:

    eu acho que o pinguim que acertou

  5. Ortega diz:

    Pues….
    Solo perdi porque yo soy peruano e a mi me necessito mucho tiempo para leer en portugues…
    Brasileños malditos…
    Voy a llamar la mafia de cha de coca del gran Perú para hablar muy francamente con ustedes…
    Me gustaria mucho el gibi.

  6. DDA diz:

    Ah, que saco, já acertaram.

    ALSO: GALERINHA DO F5 RSRSRS

  7. Morcelli diz:

    Caraca, a negada tá ágil aqui. O Pinguim ganhou :D
    Manda email pra mim em felipemorcelli@multiversodc.com que a gente se conversa lá :D

  8. Álisson de Oliveira diz:

    1- Hera Venenosa
    2- Secret Origins #36
    3- Janeiro de 1989
    4- Novos Tiutãs #62 da Editora Abril

  9. Luís Alberto diz:

    Pô Felipe, eu lembro até hj daquela conversa q a gente teve sobre esse lance do Batéma do Gaiman ser uma puta homenagem ao personagem e um gancho com o que o Morrison escreveu durante tanto tempo! Parece até que os dois combinaram cara! Eu me lembro que essa história do Gaiman faz referências mto bacanas a 7 Soldaos: Sr. Milagre. Nas duas histórias, sempre existe alguém que tenta convencer que aquilo que ele está vivendo não é apenas uma ilusão, mesmo que eles tenham a estranha sensação de que aquilo não é real. No caso de Shilo Norman, era sua família, e no de Bruce, a própria mãe. O objetivo da Sanção Omega (segundo a concepção do careca) é a desistência total da vida, se deixar levar pelo “Lado Negro”, um passo para a anti-vida, ou seja, se entregar. Nas duas histórias isso ocorre. Leia, está lá, a mãe dele dizendo: “Você terminou, agora, Bruce, de verdade. Pode parar de lutar… por mais alguns anos… Acabou. Desista”.
    É interessante notar tmbm que isso pode ser uma brincadeira sobre Dick assumir o manto por um tempo e devolvê-lo depois a Bruce, após esses “anos de descanso”. E vc pode ler tmbm na história o próprio Dick dizendo: “E no fim ele morreu por nós. Então, eu aprendi a fazer o impossível também. Eu continuei”
    Outro gancho para as histórias vindouras do Morrison é a frase: “Eu sei que sou o Batman. Mas eu não lembro exatamente qual Batman eu sou mais”. Alusão ao retorno de Bruce Wayne? Quem sabe? Mas a cena final, onde Bruce nasce (ou renasce, dependendo do seu ponto de vista), é claramente uma referência a essa história…
    Será que estou ficando louco? o.O

  10. Maquiavel diz:

    [I]“17-A morte dos pais como retratada nos anos 1980 na minissérie Ano Um de Frank Miller e David Mazuchelli.”[/I]

    Na verdade, nem tanto. Em Ano Um o assassinato dos Wayne parece ter ocorrido em algum lugar lá pro finalzinho dos anos 60. Isso situaria toda a história nos anos 80.

    Na história do Gaiman achei que o assassinato dos Wayne fosse mais alusório ao período inicial do Batman, bem de acordo com os anos 40.

    Sem falar que na história do Miller, o pai de Bruce Wayne usava bigode.

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