Doomsday Clock e Watchmen (HBO) acabaram! E agora?

[Atenção: este texto sobre Doomsday Clock e Watchmen contém SPOILERS da série e das HQs!]

Doomsday Clock (Relógio do Fim do Mundo) acabou há poucos dias nos Estados Unidos. Dias antes, no início da mesma semana, Watchmen, a minissérie da HBO, também marcava seu encerramento. Doomsday Clock misturou Watchmen (a HQ original) ao Universo DC, utilizando o Dr. Manhattan para explicar diversas mudanças cronológicas recentes na editora. A série da HBO foi uma sequência da HQ original, que ignorou os fatos de Doomsday Clock e foi direto ao ponto, com novos personagens em situações que remeteram ao teor da obra original.

Foi uma coincidência as duas histórias encerrarem tão proximamente uma da outra? Watchmen nos ensinou, entre outras coisas, que as coincidências nunca são bem assim, a começar pelo fato de ambas as obras serem sequências oficiais da obra de Alan Moore e Dave Gibbons, colocando uma pá de cal definitiva na redoma de proteção que envolveu a HQ por tantas décadas. Se a adaptação cinematográfica dirigida por Zack Snyder foi um marco por “mexer” na graphic novel, criar histórias que misturam o elenco principal e novos personagens no futuro era algo inimaginável até pouco tempo atrás.

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Na TV, Watchmen foi arrebatadora e politicamente desafiadora. Não foi unânime, é claro, mas nem o quadrinho o é. A minissérie veio a toda velocidade e fechou todas as pontas que abriu no primeiro episódio, ampliando o escopo da HQ original – como revelar a identidade verdadeira do Justiça Encapuzada, ter a audácia de mostrar o monstro interdimensional destruindo Nova York e trabalhar nas consequências do final da HQ – e tudo que foi criado no piloto.

Imagem da série Watchmen, da HBO.
Imagem da série Watchmen, da HBO.

A série ainda aproveitou para cutucar o filme de Snyder e questionar os papéis de diversos personagens, em especial o do Dr. Manhattan, que, sendo o mais poderoso de todos – o único, na verdade – nunca foi tão pró-ativo quanto deveria em sua relação com a vida no planeta.

Enquanto Regina King carregou toda a série nas costas e fez de sua personagem a mais importante figura deste novo Watchmen, ainda tivemos interpretações singulares de Jean Smart (Laurie Juspeczyk / Blake), Don Johnson (Chefe Judd Crawford), Jeremy Irons (que fez um Adrian Veidt velho, amargurado com a utopia em que vivia e cheio de maneirismos originais e divertidos), Louis Gossett Jr. (dando vida a um incrível Justiça Encapuzada) e Yahya Abdul-Mateen II (que interpretou um Dr. Manhattan moderno e mais complexo que o original).

Watchmen focou em questões modernas e atemporais, como luta racial ou como a ascensão de governos totalitários pelo mundo provocam pequenas ou grandes distopias – e como a gente, o povo, demora para perceber. A história passada dos Estados Unidos, a atemporalidade dos temas principais e a própria forma de cada personagem enxergar o tempo, com destaque para o Dr. Manhattan, trabalham a série muito bem, tal qual os temas que Moore usou nos anos 1980 estofaram a HQ original.

Regina King como Sister Night em Watchmen, da HBO.
Regina King como Sister Night em Watchmen, da HBO.

Doomsday Clock não teve o mesmo valor artístico, tampouco um conteúdo socialmente relevante. Geoff Johns e Gary Frank a utilizaram para resolver problemas da DC, falando de forma clara e honesta. Enquanto a série da HBO prestou uma homenagem sem precedentes a um quadrinho que pode – e deve – ser considerado uma obra literária, Doomsday Clock foi só mais um evento. Que atrasou muito para acabar, diga-se de passagem. Foram pouco mais de dois anos para 12 edições.

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Seja como for, o que mudou na DC com Doomsday Clock?

A SJA começando a dar sua cara em Doomsday Clock. Arte de Gary Frank.
A SJA começando a dar sua cara em Doomsday Clock. Arte de Gary Frank.
  • O Dr. Manhattan desfez algumas mudanças que havia feito no Universo DC com seus poderes. Em termos de Superman, o super-homem que lhe mostrou a esperança, retornaram à mitologia Superboy e os pais Kent;

  • A Sociedade da Justiça da América está de volta pra valer, assim como a Legião dos Super-Heróis. Mas já sabíamos disso, não é verdade? Graças ao atraso de Doomsday Clock, Brian Bendis e Scott Snyder tiveram tempo de mostrar os respectivos retornos da Legião e da SJA;

  • As mudanças cronológicas executadas pelo Dr. Manhattan não eliminam os “hard reboots” que tivemos anteriormente, com a confirmação de que existem as Terras 1985, da época da Crise, e a 52, com a cronologia instituída em 2011. E mais: o todo-poderoso de pele azul garante que a cada mudança no Metaverso, possa existir um Superman em cada novo mundo;

A SJA e a Terra 2 original na arte de Gary Frank.
A SJA e a Terra 2 original na arte de Gary Frank.
As Terras da Crise e dos Novos 52 em arte de Gary Frank.
As Terras da Crise e dos Novos 52 em arte de Gary Frank.
  • Em 2020, o Superman enfrentará “Os Velhos Deuses”. Para 2025 está prevista uma nova Crise, causada pelos Mestres do Tempo;

  • Mudanças ainda maiores virão, graças ao tal 5G, que já comentamos por aqui. Teremos uma “Crise Secreta”, em que Thor e Hulk se sacrificam para salvar o Superman (!) e uma filha para Bruce Wayne;

A citação a Thor e Hulk.
A citação a Thor e Hulk.
  • Ozymandias finalmente vai preso (curiosamente isso também acontece na série de TV) e seus aliados de início de história, Mímico e Marionete, ficam no Universo DC. Aliás, eles não eram os pais do Coringa. É revelado que o Dr. Manhattan pegou o filho deles e o criou como alguém que poderia substituí-lo. Parece que este “filho” do Dr. Manhattan um dia encontrará seu caminho para esse mundo, pois eles estão lá para servir como “âncora” para ele quando o dia chegar;

  • Um novo Superman: Ao usar seus últimos poderes para restaurar seu mundo, o Dr. Manhattan transfere o restante para o seu “filho” e desaparece. Parece que ele está morto, e envia a criança para a casa do casal de ex-heróis Coruja e Espectral! Eles estão vivendo uma vida feliz com sua filha Sally, e Jon claramente confiava neles para criar o menino e garantir que ele fosse amado e soubesse amar. O garoto se chama Clark e claramente serve como Superman do mundo. Uma reviravolta… curiosa.

Jon/Clark, o novo Superman.
Jon/Clark, o novo Superman de Doomsday Clock.

Por fim, a página com o que vai acontecer na DC a partir do ano que vem, com observações do nosso querido Brunão!

O futuro próximo da DC em arte de Gary Frank e observações do Brunão.
O futuro próximo da DC em arte de Gary Frank e observações do Brunão.

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