Há 25 anos surgia Kyle Rayner, primeiro Lanterna Verde moderno

Por que Kyle Rayner foi criado?

Há 25 anos, Ron Marz e Darryl Banks deram vida a um novo Lanterna Verde da Terra, Kyle Rayner, que seria o único representante da Tropa de outrora, morta por um enlouquecido Hal Jordan, que assumira uma faceta vilanesca e o nome de Parallax. Se pensarmos bem, esta foi uma mudança ainda maior que as sofridas por Superman, Batman, Arqueiro Verde e Mulher-Maravilha naquela época (início para meados dos anos 1990). Se por um lado tivemos heróis morrendo e ressuscitando ou passando seu manto adiante temporariamente, Kyle tomou o posto de centenas de soldados esmeralda que pereceram pelas mãos insanas do maior soldado que os Lanternas tiveram. Mas vamos entender isso melhor.

Em 1994 as coisas estavam degringolando. Se no Brasil estávamos tristes por perder Ayrton Senna e Mussum, a nerdalhada norte-americana via, pela primeira vez, uma fortalecida e estável indústria de quadrinhos desmoronar rapidamente. A gente conhece a história. Houve um boom de quadrinhos de qualidade duvidosa na virada dos anos 1980 para os 1990, feitos por gente muito popular, como os fundadores da Image (Todd McFarlane, Jim Lee, Marc Silvestri, Michael Turner etc) e nossos brasileiros, como Mike Deodato, Roger Cruz e tantos outros pelo mundo que entraram no mercado imitando justamente a galera da tal nova editora para conseguir um lugar ao sol.

Hal Jordan e Kyle Rayner por Darryl Banks.
Hal Jordan e Kyle Rayner por Darryl Banks.

Enquanto isso, Marvel e DC tentavam bater de frente com a nova gigante fazendo eventos de toda sorte, um atrás do outro. Superman morto. Batman quebrado. Homem-Aranha era um clone. E assim por diante. Somando isso ao fato de que havia muita especulação em torno do que podemos chamar de “revistas evento” (a edição em que o Superman morre, a estreia do Spawn etc), com gente comprando dezenas de HQs repetidas na esperança de que elas valessem algo no futuro – e não valem –, além da estafa criativa resultada da incrível bolha de ótimos lançamentos dos anos anteriores, a indústria começou a quebrar.

Algumas editoras conseguiam se sustentar, mas Marvel sofreu muito na época, chegando a abrir falência no Congresso, o que a colocou sob um guarda-chuva de leis que tentam ajudar grandes empresas a saírem do buraco. Já a DC conseguiu sobreviver um pouco melhor, pois tinha algumas HQs mais bacanas saindo, além de estar protegida pela Warner. Isto a possibilitou de tomar algumas atitudes mais drásticas com seus medalhões, sendo a maior delas uma mudança completa em Hal Jordan.

[Aproveitem nossos descontos na Amazon para comprar gibizinhos dos Lanternas Verdes!]

Na história Lanterna Verde – Crepúsculo Esmeralda, relançada há alguns meses por aqui pela Eaglemoss, podemos observar como estava o cenário da época. Guy Gardner e John Stewart já estavam foram do jogo. Tirar Hal Jordan de forma permanente do manto e substituí-lo por uma personagem novo seria uma mudança quase sem precedentes no mercado editorial. Ron Marz havia trabalhado na Marvel com Thor e o Surfista Prateado, mas, desta vez, teria que lidar com alguém criado por ele mesmo. E mais: teria que convencer todos os fãs de que este novo personagem tomaria o lugar permanente de Hal sem deixar a desejar a seus antecessores.

Tudo começa com os três capítulos iniciais de Crepúsculo Esmeralda, que mostra a queda absoluta de Hal Jordan, já pirado após os eventos da saga Zero Hora e com toda Coast City, sua cidade natal, destruída. Com seus poderes, ele recria a cidade ao seu bel prazer, num momento muito metafísico de Marz, em que o protagonista conversa com as pessoas mais importantes da sua vida que já se foram, mas todos são construtos de seu anel de poder.

Hal Jordan se torna o Parallax. Arte de Darryl Banks.
Hal Jordan se torna o Parallax. Arte de Darryl Banks.

Entretanto, a carga de seu anel acaba e um Guardião do Universo o alerta de que não é permitido usar seus poderes para fins pessoais, acarretando sua morte e total fúria do Lanterna. A partir daí, Hal entra em uma espiral de decadência enfrentando e matando membros amigos da Tropa dos Lanternas Verdes e toma seus anéis, até fazer com que os Guardiões, desesperados, liberem Sinestro, que estava preso na bateria central, para lutar contra Hal, mas ele acaba sendo morto também.

Chega Kyle Rayner

Hal destrói todo o planeta de Oa, deixando vivo apenas Ganthet, que já havia se preparado para escapar da dizimação do, agora, ex-herói. Hal se torna um novo personagem fantasiado e parte para os confins do universo por não ter mais o que o prende na Terra. Com isso, Ganthet parte para lá e escolhe Kyle Rayner, um artista de quadrinhos frustrado, para se tornar o novo – e único – Lanterna Verde.

No quesito Kyle Rayner, o personagem é introduzido de uma forma muito bacana e diferenciada do restante dos personagens do Universo DC, com um aspecto muito mais humano, composto pelo azar, o jeitão de ferrado com a vida, mas cheio de esperança e vontade que um jovem tem, tornando-o muito particular logo no começo das histórias. Tendo em mãos todo o potencial de um novo herói e também passando por sua própria prova de fogo pessoal, Marz criou um ambiente novo para um mitologia velha, com novos coadjuvantes e uma nova visão, coisa que pouquíssimos escritores foram capazes de fazer com personagens de quadrinhos.

Página de Lanterna Verde com Kyle Rayner. Arte de Darryl Banks.
Página de Lanterna Verde com Kyle Rayner. Arte de Darryl Banks.

Nas edições #51 a #55 da revista mensal, que são a segunda parte da história, vemos Kyle se tornar um Lanterna, assumir sua identidade como herói, tomar um novo rumo para sua vida e criar responsabilidades de verdade, de uma forma até um pouco autoral.

Como se isso não bastasse, as aventuras são bem contadas e a prova de fogo é passada pelo herói com muito louvor, enfrentando grandes vilões do calibre de Mongul e Major Força. Ele demonstra força no coração mesmo quando encontra sua namorada morta em pedaços dentro da geladeira e supera isso, enfrentando o Major com muita fúria. Importante destacar que esta típica violencia contra a mulher tornou-se a razão para a autora Gail Simone criar o blog Women in Refrigerators (“Mulheres nas Geladeiras”) em 1999, que, aos poucos, ajudou a mudar a forma de a indústria de quadrinhos de super-heróis caracterizar mulheres e suas histórias.

Apesar de muitos fãs não gostarem de Kyle até hoje, é indiscutível que ele trouxe um gás novo para os Lanternas Verdes e é, até hoje, um dos membros da Tropa vindos da Terra que mais sofreu e superou momentos ruins da vida. Ele fez parte da aclamada Liga da Justiça de Grant Morrison, Mark Waid e Joe Kelly, protagonizou diversos dos grandes momentos dos Lanternas e do Univero DC das últimas duas décadas. Vida longa a Kyle Rayner!

[Aproveitem nossos descontos na Amazon para comprar gibizinhos dos Lanternas Verdes!]

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com