[#Joker] A ótima “Vingança Quíntupla do Coringa”

“Dennis O’Neil e Neal Adams fizeram o Coringa retomar o trono de maior vilao do Batman” parece uma afirmação presunçosa, mas não é. Entre fins dos anos 1960 e início dos 1970, a dupla, que também viria a ser conhecida por revolucionar as histórias da dupla Arqueiro Verde e Lanterna Verde, estava, aos poucos, quebrando paradigmas da mídia.

Em meados dos anos 1960, o Coringa já tinha sido colocado de lado nos quadrinhos do Batman. Na década anterior, Bill Finger escreveu uma história de origem para ele, muito parecida com a que vimos depois na graphic novel A Piada Mortal (1988, Alan Moore e Brian Bolland) e em Batman – O Filme (Warner Bros., 1989, Tim Burton), mas, de modo geral, o vilao estava desaparecido há algum tempo depois desta história. Havia uma explicação para isso: Julius Schwartz.

Apesar de ser conhecido como um dos melhores editores da história da DC, podemos concordar que ele errou nessa. Schwartz não gostava do Coringa. Achava bobo. Mas a interpretação celebrada na série do Batman de 1966, executada por Cesar Romero, ajudou o personagem em sua mídia original. Schwartz cedeu. Deixou o vilao voltar a aparecer, mas sempre caracterizado como na série. Bobo, simples, divertido, quase inocente. Então acabou. 1968 marcou o fim da série de TV e um novo desaparecimento do Coringa.

O retorno do Coringa em A Vingança Quíntupla do Coringa! Por Neal Adams e Dick Giordano.
O retorno do Coringa em A Vingança Quíntupla do Coringa! Por Neal Adams e Dick Giordano.

Mas O’Neil e Adams, nomes proeminentes da época, foram escolhidos pela DC – mais exatamente por Carmine Infantino, diretor editorial – para acabar com aquela roupagem do Batman e trazê-lo de volta às suas origens sombrias. Foi questão de tempo até o Príncipe Palhaço do Crime passar pelo mesmo tratamento.

A Vingança Quíntupla do Coringa (Batman #251, 1969, Dennis O’Neil e Neal Adams) foi responsável por revitalizar o Coringa como um psicopata violento, mas sem que ele perdesse suas qualidades de palhaço bufão. Foi nesta história, também, que uma das artes mais famosas de Neal Adams feitas para o personagem foi publicada. Ela ilustra a capa da edição.

Página de A Vingança Quíntupla do Coringa, por Neal Adams.
Página de A Vingança Quíntupla do Coringa, por Neal Adams.

Liberto da prisão, o Coringa resolve se vingar de cinco ex-capangas que não lhe ajudaram quando necessário, especialmente um deles, que poderia ter prevenido uma prisão. Notando o modus operandi de seu arqui-inimigo nos ataques e nas primeiras mortes, o Batman decide trabalhar por conta, sem envolvimento da polícia, para impedir que os outros ex-membros da gangue sejam mortos. Enquanto isso, o vilao utiliza-se de vários elementos mortais que se tornaram marcas registradas dele na segunda metade do século passado, como charutos explosivos e copos com líquidos envenenados.

A história é creditada por ser a volta do Coringa às suas raízes violentas. Na Era de Ouro dos Quadrinhos ele (1938-1956) era conhecida por ser um assassino frio e psicopata. Um gangster com um que de palhaço. Durante os anos seguintes, devido ao Código de Ética de Quadrinhos e a série de TV estrelada por Adam West e Burt Ward, o vilão acabou virando um palhaço bobo e bufão, o que foi quase inteiramente esquecido quando O’Neil passou a escrevê-lo.

Página de abertura de A Vingança Quíntupla do Coringa. Por Neal Adams.
Página de abertura de A Vingança Quíntupla do Coringa. Por Neal Adams.

O episódio Vendetta, da série animada do Batman de produzida por Bruce Timm e Paul Dini nos anos 1990, homenageia esta história, que tem o Crocodilo no lugar no Coringa. Ela também foi relançada nesta semana pela DC em uma edição fac-símile da Batman #251, ao preço de US$ 2,99. O momento não poderia ser mais propício, com o filme Coringa, de Todd Phillips, chegando, a partir de hoje aos cinemas, do mundo todo.

Esta história – e muitos outros embates clássicos dos dois – podem ser encontradas na Amazon clicando aqui!

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