[Review] Flash Forward #1

Há quatro personagens que, mais do que quaisquer outros, são emblemáticos da gestão de Dan Didio à frente da DC: Cassandra Cain, Stephanie Brown, Dick Grayson e, principalmente, Wally West. Em comum, todos os quatro têm o fato de, em algum ponto, terem estado a frente de uma franquia bem sucedida, serem o que é comumente chamado de “herói de legado” e, principalmente, serem vistos como ameaças às versões favoritas de Didio. West é de longe o mais bem-sucedido de todos e, por isso, também é tratado pela DC como a maior ameaça. Flash: Forward #1 é uma HQ que deixa claro esse posicionamento.

Capa de Flash Forward #1 por Doc Shaner.
Capa de Flash Forward #1 por Doc Shaner.

Seguindo os eventos de Heroes in Crisis, história cuja função original seria transformar Wally em algo entre um anti-herói e um vilão – antes do vazamento dessa informação e posterior reação negativa dos leitores levar a uma correção de curso – o objetivo dessa primeira edição é claro: isolar Wally do universo regular da editora.

A história começa com West preso em Blackgate, sem poderes devido a um colar inibidor, rejeitando visitas de seus amigos, família ou colegas da Liga da Justiça ou Titãs, e mergulhado em pensamentos suicidas. Enquanto isso, Tempus Fuginaut, entidade cósmica criada por Dan Didio e Justin Jordan para a cancelada revista Sideways, faz longos e tediosos monólogos sobre a invasão do Mutliverso Sombrio. Acontece a tradicional “briga na prisão”, Wally recupera os poderes, é surpreendido pela aparição de Fuginaut em sua cela, escolhido como seu campeão pra salvar o Cosmos e mandado numa viagem pelo Multiverso.

 

"Blah Blah Blah, Multiverso Sombrio, Blah Blah campeão, Blah Blah"
“Blah Blah Blah, Multiverso Sombrio, Blah Blah campeão, Blah Blah”

O plot da primeira edição é este, simples, direto e deixa claro onde está indo. Há pontos positivos, todavia. O roteirista Scott Lobdell, notório tapa-buraco da DC em tempos de desespero, fez sua pesquisa e tomou o cuidado de usar vilões específicos do período de Wally como Flash principal, introduziu algumas participações especiais relevantes e intercalou o tempo presente com flashbacks do protagonista à época de Heroes em Crisis, que apontam e criticam os absurdos daquela história. Há inclusive um cuidado visível em caracterizar o velocista de forma consistente com sua história apesar da situação improvável. A arte de Booth é exatamente o que se espera, hiper estilizada e enérgica mas de gosto duvidoso, com pesada influência do começo dos anos 90, mas mesmo que não seja um chamariz, também não prejudica.

No geral, este começo de Flash Forward não é ruim, exatamente. É um gibi medíocre de super-heróis como tantos outros nas bancas. O que é ruim é a necessidade de que exista, visto que é pouco mais do que um amontoado de direcionamentos editoriais, e que foi concebido às pressas apenas para apaziguar os ânimos exaltados pela história que teve a reação mais negativa desde Crepúsculo Esmeralda, 25 anos atrás.

Dan Didio declarou recentemente que Flash Forward levaria a um “grande evento”, e há até uma ou outra semente indicando que isto seja verdade em outros títulos da DC sendo publicados atualmente. Também é uma declaração que Didio fez numerosas vezes, em relação a cada um dos personagens citados no começo deste review, e que nunca se concretizaram.

 

“Como é que eu me meti nessa, bixo?”

Flash Forward é, a rigor, um filler. Vale a pena para quem quer ler uma história não (tão) ofensiva do Melhor Flash™, mas na melhor das hipóteses estabelecerá Wally como um herói exclusivamente cósmico, coisa que destoa completamente do que fez o personagem funcionar por mais de duas décadas, e na pior – e mais provável – matará o tempo caso o boato da 5ª geração se concretize e passemos algum tempo sem sequer sinal de qualquer versão tradicional dos personagens da editora. O que, dado o tratamento que muitos deles, como West, vêm recebendo, pode ser uma boa coisa.


Sinopse/Ficha Técnica:
Título: Flash Forward #1
Roteiro: Scott Lobdell
Arte: Brett Booth
Arte-Final: Norm Rapmund
Cores: Luis Guerrero
Páginas: 32
Publicação: DC (Setembro de 2019)
Idioma: Inglês
Preço de Capa: US$ 3,99

O nome dele é Wally West – e ele era o homem mais rápido do mundo. Isto é, até que o Multiverso fosse reescrito sem ele ou sua família. Wally voltou e tentou fazê-lo funcionar, mas o estrago estava feito. Partindo dos eventos de HEROES IN CRISIS, siga o homem que se intitulou Flash em uma aventura para encontrar a redenção em um cosmos que lutou tanto para destruí-lo.

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