HBO Max e Ava DuVernay podem mudar escopo da DC/Warner

Era sabido que a Warner estava preparando um serviço de streaming, HBO Max, para bater de frente com o poderio da vindoura Disney+ e de outros serviços bem estabelecidos, como Prime e Netflix. O que ninguém esperava é que as primeiras séries exclusivas do HBO Max fossem tão poderosas.

Soubemos ontem que a nova divisão de TV pela internet da Warner já está trabalhando em duas séries exclusivas: Strange Adventures (uma antologia de 50 minutos por episódio, com diversos personagens da DC) e, enfim, Tropa dos Lanternas Verdes, que, desde o malfadado filme de 2011, não conseguia emplacar outro projeto audiovisual. Greg Berlanti, o mastermind das séries da DC/CW e da iminente adaptação televisiva da seminal HQ Crise nas Infinitas Terras, um evento sem igual que reunirá todos estes programas em uma história de alto calibre narrativo, também cuidará deste novo material da HBO Max. E, enquanto os fãs ainda estavam “catando cavaco”, veio outro anúncio ainda mais poderoso: a diretora Ava DuVernay, que está cuidando do filme dos Novos Deuses com Tom King, dirigirá o piloto de uma adaptação televisiva da premiada HQ ZDM – Terra de Ninguém, da Vertigo, também para a HBO Max. A produção desta nova série começa no início de 2020.

A Tropa dos Lanternas Verdes em arte de Darwyn Cooke. Ela será fundamental na HBO Max.
A Tropa dos Lanternas Verdes em arte de Darwyn Cooke. Ela será fundamental na HBO Max.

Com tanto material exclusivo e a adição de produções da HBO, do CW e de diversas outras empresas e estúdios que estão sob o guarda-chuva da Warner, a HBO Max está prestes a se tornar um dos serviços de streaming mais competitivos do mundo, disponibilizando um conteúdo sem precedentes para o público. Como se isso não bastasse, o envolvimento de um nome como o de DuVernay coloca diversos holofotes no projeto, gerando expectativa e confiança por parte da crítica e do público.

E no Brasil?

Aqui as coisas são um pouco mais complicadas. Como o site Olhar Digital levantou em matéria de agosto deste ano, a Warner não pretende fazer grandes investimentos em streaming por aqui. Isto porque a legislação brasileira impõe alguns entraves para que o serviço funcione aqui como funcionará nos EUA:

Depois de ser comprada pela AT&T, operadora de telefonia e TV paga que está por trás da Sky, por exemplo, a Time Warner passou a ser chamada de WarnerMedia. A companhia detém marcas como a HBO.

No Brasil, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou a junção das duas empresas. No entanto, a Lei 12.485, de 2011, chamada também de Lei do SeAC ou da TV paga, não permite que uma empresa de telecomunicações produza conteúdo e uma empresa de conteúdo opere telecomunicações.

Durante o Pay-TV Fórum, em São Paulo, Jim Meza declarou esse dilema de propriedade cruzada é do interesse da WarnerMedia. Atualmente, a principal aposta do grupo, a nível mundial, é o serviço de streaming HBO Max. Ele chegará ao público norte-americano no início de 2020 e terá que enfrentar concorrentes de peso, como Netflix, Amazon Prime Video e Disney+.

Sobre uma possível chegada do HBO Max no Brasil, Meza respondeu que, “por causa da incerteza regulatória existente no país, o investimento direto não é atraente no momento”.

A lei brasileira não está errada. Ela impede que empresas de telecomunicações e/ou de conteúdo se tornem monopólios massivos, como acontece lá fora. Mas como nós, brasileiros, poderemos, então, consumir tanta coisa bacana?

O Paulo Coelho tem um recado pra você…

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