O Batman é tóxico? Para Tony Isabella, sim

Tony Isabella abriu o coração sobre o que pensa do Batman nos dias de hoje. Falamos bastante deste grande autor aqui no Terra Zero nos últimos, já que sua maior criação, o Raio Negro, ganhou sua própria série de TV. Além disso, Isabella, profissional franco que é, tem falado bastante de sua relação com indústria nos últimos anos, e sua mais recente declaração sobre o Homem-Morcego só comprova isso.

Isabella afirmou:

Aqui vai uma dica. Não me peça para participar de grupos ou visitar páginas [de Facebook] com “Batman” em seus títulos. Ele já foi meu herói de quadrinhos favorito. Agora, considero-o um dos mais tóxicos e a ruína da DC Comics. A DC machuca seus outros personagens, fazendo de Batman o centro de seu universo.

A preocupação de Tony Isabella é apenas um reflexo do que muitos fãs alegam há anos: o Batman é superexposto, sendo, inclusive, personagem principal de sagas que envolvem todo o universo ficcional da editora.

O Batman de J.G. Jones usado na Crise Final.
O Batman de J.G. Jones usado na Crise Final.

Nos últimos anos podemos apontar Scott Snyder como um dos maiores responsáveis por isso, criando a saga Metal, que resultou em uma série de Batmen do Multiverso das Trevas, hoje foco de algumas histórias da DC. A real é que, de uma forma ou de outra, desde o fim dos anos 1980 a influência do Batman dentro do Universo DC cresceu exponencialmente. Algumas coisas parecem depender dele para acontecer, o que acaba até enfraquecendo o personagem nestas ocasiões, já que suas características e simbologia se diluem em meio a outros contextos.

Desde os anos 1990 o Homem-Morcego possui uma série de publicações mensais. O que começou lá atrás com apenas Detective Comics e Batman, tornou-se uma enxurrada de revistas regulares, minisséries e especiais.

Hoje o Batman e seu universo sustentam as revistas Detective Comics, Batman, The Batman’s Grave (minisséries de 12 edições), Birds of Prey, Joker/Harley: Criminal Sanity #1 (minissérie de nove edições), The Joker: Killer Smile (minissérie de três edições), diversos especiais do Multiverso das Trevas, Batman Giant (inclui novas histórias e reimpressões), Batgirl, Batman: Curse of the White Knight (minissérie de oito edições), Batman: Creature of the Night (minissérie de quatro edições), Batman/Superman, Batman/TMNT (minissérie de seis edições), Batman vs. Ra’s al Ghul (minissérie de seis edições), Catwoman, Gotham City Monsters (minissérie de seis edições), Harleen (minissérie de três edições), Harley Quinn, Harley Quinn and Poison Ivy (minissérie de seis edições), Nightwing, Red Hood: Outlaw, Batman Universe (minissérie de seis edições), alguns anuais e reimpressões de HQs clássicas. É muita coisa. Isso aliena o leitor e impede que a editora invista em outros títulos, já que ela tem um certo número de HQs sendo publicadas que não será aumentado para trocar o arriscado pelo garantido. Em um mercado que sofre cada vez mais, o medo de tentar algo novo só aumenta. Não deveria ser assim, mas é como a DC se vê.

Batman e Mulher-Maravilha. Tony Isabella está alertando para a superexposiçao do personagem nas HQs.
Batman e Mulher-Maravilha. Tony Isabella está alertando para a superexposiçao do personagem nas HQs. Arte de Liam Sharp.

Será que esta tendência mudará? Levando-se em conta o alto número de vendas de diversos destes títulos e o sucesso de filmes como o do Coringa, além de toda a curiosidade em torno das Aves de Rapina e do novo Batman nos cinemas, provavelmente não.

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