Conan invade as bancas brasileiras, mas isto não é tao bom assim

Tá, vou explicar o título logo de cara: é ótimo ter quadrinhos do Conan saindo regularmente depois de tantos anos de lançamentos esporádicos (mas muito bons) da Editora Mythos. Da mesma forma que a Marvel recuperou os direitos do cimério sobre a Dark Horse, a editora Panini, que tem uma parceria de anos com a Mythos para tradução, edição e design de suas principais publicações, assumiu de vez o lançamento das novas histórias por aqui. E não é só isso.

A coleção capa dura que a Salvat estava planejando lançar por aqui, sob o título de A Espada Selvagem de Conan, ganhou distribuição da gigante italiana, e agora está saindo em mais territórios brasileiros e, se não houver problemas, na sequência e sem atrasos. É uma situação muito semelhante à do início de 2015, com Star Wars. Lembram-se da quantidade de quadrinhos e livros que começaram a sair a torto e a direito, deixando os fãs completamente falidos em pouco tempo?

Hoje as publicações de Star Wars estão estabilizadas, com os gibis da Marvel saindo pela Panini e alguns livros chegando às prateleiras esporadicamente, tanto para os públicos infantojuvenil e adulto. Neste ponto os fãs de Conan estão a salvo.

A coleção brasileira de A Espada Selvagem de Conan.
A coleção brasileira de A Espada Selvagem de Conan.

Há vários livros do cimério em inglês, produzidos desde os anos 1950, por diversas editoras diferentes, mas muitos deles apenas adaptam contos originais do criador Robert E. Howard, publicados aqui anteriormente pela Conrad e, mais recentemente, pela Pipoca & Nanquim em um luxuoso volume. E tem mais: normalmente o apego do fã do brasileiro vem muito mais dos quadrinhos que Roy Thomas e cia. fizeram para a Marvel que pela parte literária do personagem.

Em um painel com Ivan Reis e Mark Waid na CCXP 2015, o brasileiro afirmou que o personagem em que mais queria trabalhar era o Conan. Um surpreso Waid lhe fez alguns questionamentos, sem imaginar quanto o cimério e a arte de Buscema influenciaram mais de uma geraçao de desenhistas brasileiros.

O grande problema que o fã de Conan terá de enfrentar daqui em diante, se optar por colecionar as HQs de seu amado personagem, é pegar as revistas da Panini e a caríssima coleção da Salvat, cujos volumes mais caros, de R$ 44,90, estão começando a sair conforme este texto está sendo publicado. Eles serão quinzenais. Some-se os R$ 89,80 aos R$ 9,90 da mensal da Panini e temos um gasto de quase R$ 100,00 mensais para o leitor ter uma coleção completa de seu personagem favorito.

A Espada Selvagem de Conan em arte de Alex Ross.
A Espada Selvagem de Conan em arte de Alex Ross.

De fato, Conan merece um certo luxo. Seu público hoje é formato por adultos, muitos deles nostálgicos e, de modo geral, com um certo poder aquisitivo. O problema nem é tanto o formato escolhido para as coleções, mas sim dela em um momento de crise financeira nacional. Uma coisa é os leitores terem poder aquisitivo; a outra é eles terem condições de investir de cara na quantidade de gibis que começarão a sair a partir de agora. Se a Panini começar a publicar especiais e encadernados de clássicos junto com as histórias regulares do cimério, vai ficar difícil ter tudo fechadinho.

Este, na verdade, é um texto de alerta. Conan é um personagem muito amado, ainda mais no Brasil. Todos nós queremos muito ver tudo que já foi publicado sobre ele saindo por aqui. Mas é importante que as editoras – e os fãs – tenham cautela, para que nosso o amado cimério não se torne um encalhe ambulante, diminuindo o investimento nele e acabando com os sonhos de muita gente.

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