[#DiaDoQuadrinhoNacional] O Dia do Quadrinho Nacional no Terra Zero!

Hoje é Dia do Quadrinho Nacional! A data foi instituída em 1984, mas seu surgimento é explicado por outro motivo: em 30 de janeiro de 1869 foi publicada a primeira HQ brasileira. As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte, de Ângelo Agostini, abriu as portas para uma infinidades de publicações e personagens que permeiam o fantástico mundo dos quadrinhos no Brasil.

Para celebrar esta data, o Terra Zero reuniu diversos membros de seu elenco de redatores e podcasters para indicar quadrinhos nacionais. Confiram as dicas de cada um logo abaixo:

Morcelli:

A princípio, O Outro Lado da Bola é um quadrinho que lança um cenário imaginário (mas não tão distante assim da realidade) em que o camisa 10 de um time amado pela população admite ser homossexual. Mas essa HQ de Alê Braga, Alvaro Campos e Jean Diaz vai muito além disso. Cris, o grande atacante do clube E. C. Alvinegro (referência clara ao Corinthians) tem um ex-namorado morto em um crime homofóbico logo no começo da história. Tudo muda quando, na TV, ele revela ser gay em uma entrevista e comenta o caso. A partir daí a HQ mostra as entranhas dos preconceitos enraizados na cultura brasileira, bem como a influência de instituições políticas e religiosas no futebol.

O quadrinho é um drama de primeira qualidade. Põe em xeque tudo que pensávamos saber sobre futebol no Brasil e nos faz pensar em como muita coisa deve ser reprimida entre esportistas pelo mantimento das imagens publicitárias de si mesmos e de seus times e patrocinadores.

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Delfin:

Dos muitos quadrinhos nacionais que eu poderia indicar, resolvi apontar para o trabalho de um artista premiado e de um roteirista iniciante que, juntos, contam uma história poderosa sobre a amizade e a herança de uma juventude perdida em um grande centro urbano.

Com um traço que abusa de ângulos e geometria, fora de sua zona de conforto, e tonalização com bendays ao melhor estilo dos anos 1970 e 1980, a arte reforça o roteiro bem construído e envolvente, que envolve um submundo quase romântico, com abordagens narrativas que permitem empatia com tipos urbanos diversos entre si. Falo aqui de Garotos do Reservatório, do roteirista Celio Cecare e do artista premiado Fabio Cobiaco, publicado pela Mino. Pra mim, uma das boas narrativas de 2018.

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Igor Tavares:

O Ceará futurista vive uma seca de mais de 10 anos, que coloca um grupo de rebeldes contra um governo impiedoso controlado por corporações privadas municiado por um departamento de polícia extremamente violento. Em meio a esta guerra urbana pela liberdade no futuro do nordeste brasileiro, duas figuras históricas do longínquo imaginário popular ressurgem: Cotiara, o cangaceiro fora da lei ex-aliado de Lampião e Maria Bonita e o Coronel Avelino, seu arqui-inimigo. Ambos ressurgem em meio a este caos cyberpunk devidamente equipados com implantes físicos e mentais que os tornam supersoldados.

Este é o contexto de Cangaço Overdrive, criação do cearense Zé Wellington, Walter Geovani, Luiz Carlos B. Freitas e Rob Lean publicada pela editora Draco em 2018 e um dos melhores lançamentos nacionais do ano passado.

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Erika:

Contos dos Orixás é uma linda história de vida e morte, poder e guerra e de uma mitologia tão brasileira.

Diferente de repetir o estilo de histórias estado-unidenses com viés mitológico mas em nosso mundo, Contos dos Orixás revela o mundo desses seres ancestrais primordiais até nós pela narrativa Hugo Canuto, que dá gosto aos olhos tanto pelos traços e cores fortes como também pela narrativa que cruza o melhor de dois mundos: rápida em todos os instantes nos acompanhando segurando pela mão no frenesi da guerra e de cercos impossíveis, e parando para conversar conosco sobre o mundo, a vida e honra.

Capa de página de Contos dos Orixás em arte de Hugo Canuto.

Contos dos Orixás tem sua história de 90 páginas de pura poesia que prende o coração e da vontade de ler mais ao final.

Marcelo Grisa:

Blue – Esmagatinho é um quadrinho autoral e baseado na vida familiar de Paulo Kielwagen. O novo volume, entregue no final de 2018, foca nas relações do gato Blue, um dos tantos filhos felinos de Paulo e sua esposa, com sua filha humana.

A arte cartunesca é divertida – especialmente os beiços de gato, parecendo números três, como em emoticons. A história, com o gato Blue tentando ensinar o caminho felino à “irmã” traz momentos hilários.

Ótima pedida para todo e qualquer amante de gatos e histórias familiares diferentes.

Gui Athaide:

Ler Castanha do Pará é revisitar Belém de um jeito mais real, cru e – talvez – cruel. Ao retratar crianças marginalizadas, Gidalti Jr. faz uma fábula tão real que é quase uma antítese a Turma da Mônica. A narração fiel ao jeito de falar das pessoas deixa tudo fluido e casa perfeitamente com a arte caprichosa. Aliás, os desenhos foram alvo de censura em exposição ocorrida em 2018 em Belém, demonstrando que a obra toca em feridas sociais.

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Lib:

Poucas coisas são mais fascinantes e mais cativantes do que as histórias de horror, especialmente aquelas em que enfrentamos a própria noção do desconhecido. E é esse desconhecido que circunda Clara, protagonista de Clara Carcosa, de Juliana Fiorese. Clara Carcosa parece algo que saiu dos mesmos recantos obscuros da 1ª temporada de True Detective (a.k.a., a única temporada que vale até aqui). A narrativa é rápida, focada na jornada da protagonista, com poucos diálogos, o que faz com que a história escorra pelos seus dedos embaladas por uma arte de cair o queixo, com um clímax inervante. Clara Carcosa foi, sem dúvida, uma das mais agradáveis surpresas que tive em 2018.

Matheus ‘Kajima’:

Eles Estão Por Aí de Bianca Pinheiro (que participou do nosso podcast sobre WebComics) e Greg Stella foi das maiores surpresas que tive em relação a quadrinhos nacionais em 2018. O quadrinho brinca com o formato e quebra toda e qualquer expectativa de uma narrativa linear que você poderia ter. Em vez disso, apresenta um mundo enorme e complexo, com uma história completamente aberta as mais diversas interpretações e reflexões. Chamou-me muita atenção nesse trabalho sua originalidade, fazendo você querer voltar e revisitar essa história várias vezes, e cada vez que você volta, é praticamente garantido vai sair com uma interpretação nova.

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Rodrigo Ramos:

Uma das minhas séries nacionais preferidas, Necromorfus, com roteiros sagazes do Gabriel Arrais e arte estonteante do Abel, tem tudo pra agradar até aqueles que dizem que “não gosta de quadrinho nacional”. Douglas, o personagem principal, é um garoto de 16 anos imortal que descobriu que pode assumir a forma, habilidades e memórias, de qualquer pessoa ou animal morto, desde que toque seus restos mortais. Preso pra sempre em seu corpo adolescente, Douglas tem que descobrir de onde vem seus poderes, enquanto uma misteriosa organização que o persegue parece ter as respostas que ele procura.

A HQ, que poderia ser facilmente transformada em uma série da Netflix e publicada pela Image atual, é cheia de referências à cultura pop como Michael Jackson jogando poker com o diabo enquanto este acende um charuto com o nulificador total. A série se encontra em sua quarta edição e só melhora.

Disponível em http://rqtcomics.com/.

Vlad:

Anésia é o livro que reúne as tiras da personagem mais rabugenta e popular publicadas no site willtirando.com.br. A primeira parte do livro é formada pelas tiras já publicadas no site, mas sempre com uma ilustração inédita no canto da página fazendo comentários sobre a tira. Essa é a melhor parte do livro, pois as tiras são muito engraçadas, e fazem rir mesmo quem já leu no site.

Anésia possui um humor ácido, sarcástico e debochado, respondendo perguntas óbvias de maneiras que todos nós gostaríamos de fazer, se fosse socialmente aceitável. Já a segunda parte do livro conta com uma história longa e feita especialmente para ele, onde Anésia vive uma aventura inspirada em O Mágico de Oz, mas que não funciona tão bem quanto o esperado.

A história é boa, mas a personalidade da Anésia das tiras se perdeu um pouco com a lição de moral que o autor quis passar. Apesar disso, o livro é bom, possui uma leitura bastante fluida e prazerosa.

Anésia foi financiada pelo Catarse, publicada em 2017 e pode ser comprada no site do autor: loja.willtirando.com.br.

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