[#CCXP2018] Homem de Ferro: Nosso painel Michelinie, Romita Jr., Lobdell e Rubinstein

Parecia uma tarde de domingo qualquer no Auditório Ultra da CCXP 2018, mas não era: ele estava lotado, aguardando ansiosamente pela chegada dos lendários John Romita Jr., Joe Rubinstein, Scott Lobdell e David Michelinie. Mediados por este redator, os quatro estavam lá para falar do Vingador Dourado no painel Homem de Ferro: Invencível, um dos últimos do evento.

Com a pauta e uma apresentação PowerPoint montadas, convidei os quatro a se unirem a mim no palco para falarmos de Tony Stark, sua vida nos quadrinhos e fora deles.

Foto do painel Homem de Ferro Invencível instagramada pelo Delfin.
Foto do painel Homem de Ferro Invencível instagramada pelo Delfin.

Começamos diretamente com uma pergunta a todos os presentes: como eles viam o Homem de Ferro quando começaram a trabalhar com ele e como passaram a vê-lo com o passar do tempo. A pergunta mostrou-se um termômetro interessante, pois cada um tem uma visão muito particular. Michelinie tem muito apreço pelo herói e guarda boas lembranças do seu trabalho nele, em especial com Romita Jr. e Bob Layton, que não estava no evento mas foi fundamental para o herói em vários períodos. O mesmo sentimento foi compartilhado por Romita Jr.

Rubinstein e Lobdell tiveram menos experiências com o Latinha, mas aproveitaram para comentar sua trajetória aos cinemas. Para eles, o acerto da Marvel em colocar o Homem de Ferro como núcleo em volta do qual todo o MCU foi construído foi tão grande quanto o risco de fazê-lo – e é verdade. Não tendo à disposição personagens como X-Men e Homem-Aranha, a Marvel se viu diante do uso de personagens menores. Como o Homem de Ferro. Todos concordaram que se não fosse os bons trabalhos de Jon Favreau (diretor) e Robert Downey Jr. (astro), a coisa teria ido por água abaixo.

Aproveitando o gancho, Michelinie falou rapidamente sobre as versões cinematográficas de Jim Rhodes/Máquina de Combate e Justin Hammer. Enquanto o primeiro foi satisfatório para ele, principalmente depois de Homem de Ferro 2 (que ele não considera um filme tão bacana), o segundo o deixou profundamente decepcionado. “Não tenho nada contra Sam Rockwell – ele é um ator muito bom, aliás – mas o personagem está equivocado”, afirmou.

Em seguida, quadrinhos. A fase Michelinie-Romita, querida por uma massiva quantidade de fãs e recheada de histórias para contar, foi bastante comentada. Os dois conversaram sobre suas experiências desenvolvendo o personagem e como as vendas dele na Marvel começaram a crescer exponencialmente com o trabalho e dedicação da dupla. De repente, o Homem de Ferro era um sucesso de vendas.

Vale lembrar que eles foram apoiados por Layton em diversos momentos, seja no roteiro ou na arte. Lobdell até lembrou que Layton era um sacana, sempre “se colocando” em algumas histórias como transeunte, repórter e figuras do tipo. Isso geraria um momento incrível no final do painel.

Michelinie relembrou conosco alguns dos principais momentos de sua carreira no Homem de Ferro, como as histórias Demônio na Garrafa e Guerra das Armaduras. Ele vê Tony Stark como um homem relatável, pois apesar de sua fortuna e do estilo de vida, por dentro ele é alguém que deseja o bem de todos e que faz de tudo – inclusive arriscar a própria vida – para isso. Sua espiral de decadência e autodestruição em Demônio na Garrafa foi uma forma de examinar os efeitos do álcool em um homem sob situação de estresse extremo. Romita até comentou que quadrinhos de super-heróis são fundamentais para levantar temas sérios e do mundo real. Já no caso da Guerra das Armaduras, Michelinie, com auxílio do editor Jim Shooter, decidiu mostrar as consequências da tecnologia desenvolvida por Stark cair nas mãos erradas: as de seus maiores vilões.

Romita Jr. falou brevemente sobre Guerra das Armaduras II, sequência da obra original (que não teve desenhos dele), feita por ele e John Byrne. A história teve tons mais épicos, envolvendo Mandarim e Fin Fang Foom. Nessa época, o desenho de Romita começou a ficar mais estilizado e isso ficou muito evidente na saga.

Homem de Ferro e a segunda Guerra das Armaduras. Arte de John Romita Jr.
Homem de Ferro e a segunda Guerra das Armaduras. Arte de John Romita Jr.

Falar das duas versões da saga nos levou a falar de armaduras de modo geral. Alguns gostam mais da primeira versão vermelha e dourada, outros das versões modernas, mas todos concordaram que uma cueca-armadura facilitaria muito a vida de Tony! Divertido o tempo todo, o painel caiu para o humor escrachado em diversos momentos. Afinal, logo depois das piadas com uma cueca-armadura vieram as piadas com cuecas de couro e roupas “confortáveis” para “certas atividades”.

Joe Rubinstein relembrou as várias vezes em que trabalhou arte-finalizando o Homem de Ferro para grandes artistas. Ele afirmou ter tido muita sorte de trabalhar com alguns dos maiores desenhistas do mercado norte-americano, que lhe ensinaram muita coisa. Estão aí nomes como Curt Swan e Gene Colan, por exemplo. Aliás, Rubinstein às vezes homenageia Colan em suas artes comissionadas – exibimos um Homem de Ferro dele no painel.

Scott Lobdell relembrou os tempos de Heróis Renascem, a crise mercadológica dos anos 1990 e sua versão do Homem de Ferro. Honesto, mas sem economizar bom-humor na conversa, ele revelou o que tentou fazer com o personagem na época e como os fãs receberam a novidade. “Minha ideia era mostrar Tony Stark como um babaca que acabava fazendo o bem e se redimindo de alguma forma, graças à tecnologia que desenvolveu e sua própria consciência. É assim que o vejo, é assim que ele é pra mim”. Essa fala foi curiosa, pois gerou uma reação peculiar em Michelinie, que esboçou uma expressão de surpresa e um pouco de reprovação. “As pessoas odiaram na época, mas quando os filmes vieram aconteceu algo parecido – e todo mundo gostou”, afirmou, rindo um pouco da ironia.

Romita Jr. lembrou-se de algo curioso sobre o Homem de Ferro de Heróis Renascem. Amigo de Whilce Portacio, artista que desenhou a série, ele contou que o desenhista fez algo tão complexo para a capa da edição de estreia da minissérie que era impossível replicar aquilo em uma revista mensal. Whilce se arrependeu amargamente de ter criado aquele visual.

Homem de Ferro por Whilce Portacio.
Homem de Ferro por Whilce Portacio.

Como não podia deixar de ser, o melhor ficou para o final. Após falarmos tanto de Bob Layton, Lobdell ligou para ele do Facebook e virou o celular para o público interagir com ele ao vivo! O tempo do painel já tinha acabado, mas quem ia deixar passar um encerramento desses?

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