[#CCXP2018] Tom Grummett e nosso papo exclusivo na CCXP 2018

Tom Grummett nasceu em 1959 em Saskatoon, no Canadá, e já está no mercado norte-americano de quadrinhos há décadas. Inevitavelmente seu trabalho é associado a super-heróis jovens, pois a maior parte de sua carreira foi dedicada a títulos como Superboy, Robin, Novos Titãs, Thunderbolts e Heroes (histórias da série de TV homônima).

Apesar da vasta carreira que tem, principalmente na DC, um dos principais motivos para sua vinda ao Brasil na CCXP 2018 foi a comemoração de 80 anos do Superman. Como cocriador do Superboy dos anos 1990, o artista tem muito a contar da época que o Homem de Aço mantinha quatro títulos mensais nas lojas, bem como os anos de sua morte e o surgimento do novo Garoto de Aço.

O Terra Zero teve o prazer de ter uma breve conversa com ele durante o evento, que pode ser lida logo abaixo.

Tom Grummett e seu Robin em arte promocional da CCXP 2018.
Tom Grummett e seu Robin em arte promocional da CCXP 2018.

Terra Zero: Gostaria de começar perguntando sobre os 80 anos do Superman. Você estava lá sob a editoria de Mike Carlin nos anos 1980 e 1990, quando o personagem tinha diversos títulos e um planejamento muito coeso. Como você se envolveu especialmente na morte e retorno dele?

Tom Grummett: Cada título tinha sua própria equipe criativa. Ou seja, seu próprio escritor, desenhista etc. Eu estava desenhando Adventures of Superman, em que Jerry Ordway era o autor. Em seguida, na edição #501 ele foi substituído por Karl Kesel. Funcionávamos como um time de beisebol, com todo mundo contribuindo um pouco.

Como o Superboy surgiu?

Ele surgiu das reuniões que fizemos para definir como traríamos o Superman de volta. Sabíamos que após sua morte, teríamos que criar uma grande história para o retorno. Nossa ideia partiu do princípio de que tínhamos quatro títulos mensais à disposição. Então criamos quatro caras diferentes que diziam ser o verdadeiro Superman, que clamavam por seu título.

Esse Superboy tem um visual singular, com a jaqueta – que parece uma conexão direta com o movimento punk…

…Isso. Estávamos tentando fazer um personagem que remetesse ao Superman original [Nota: ele quis dizer da Era de Ouro dos quadrinhos], mas que ainda estava descobrindo seus poderes. Fizemos isso com esse “jeitão” de anos 1990, para que ele parecesse mesmo um jovem Superman.

O Superboy de Tom Grummett.
O Superboy de Tom Grummett.

Você e Karl criaram a personalidade dele? Como vocês o conceberam?

Ele surgiu daquelas reuniões, de querermos criar um personagem com atitude. Tanto que parte daquele arco de histórias é fazê-lo entender o que é ser um super-herói sendo como ele é.

Você estava lá no começo quando Tim Drake surgiu e foi um dos responsáveis pelo lançamento de sua primeira revista mensal. O que você se lembra dessa época?

Trabalhar com o Robin foi muito diferente da minha experiência nas revistas do Superman, em que todas as equipes se reuniam para discutir ideias. No caso das revistas do Batman, tudo passava pelas mãos de Dennis O’Neil [Nota: editor dos Bat-títulos na época] e ele também era escritor. E ele gostava que as ideias viessem dos escritores.

Quando trabalhava nas revistas do Superman, havia situações em que eu recebia apenas o plot e poderia desenvolver ideias. Já no caso do Batman, eu sempre recebia o roteiro completo. Às vezes eu nem tinha contato com o escritor (risos).

E qual é seu Robin favorito?

Olha, sinceramente é a Stephanie.

Stephanie Brown como Robin em arte de Tom Grummett.
Stephanie Brown como Robin em arte de Tom Grummett.

Sério?!

Eu a desenhei em Novos Titãs e adorei ficar fazendo ela pulando de lá pra cá. Quer saber? Acho que Robin deveria ser uma garota (risos)!

Já que falamos que Novos Titãs, você trabalhou no título um pouco depois de George Pérez, talvez alguns meses…

…Na verdade foi logo depois dele!

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E como você se sentiu?

Com medo (risos)! Marv [Wolfman] e George foram muito generosos comigo, pois este foi meu primeiro trabalho regular na DC [Nota: entre 1989 e 1990]. Cada vez que um deles ou um editor dizia algo, eu dava ouvidos. Para aprender. E o que aprendi com eles foi a sentar na prancheta e fazer o seu melhor. Todos os dias. Aliás, esse conselho vale para qualquer coisa. Faça seu melhor.

Os Titãs de Tom Grummett logo após a saída de George Pérez.
Os Titãs de Tom Grummett logo após a saída de George Pérez.

Você tem uma conexão muito forte com personagens jovens. Por quê?

Eu realmente não sei (risos). Acredito que seja pela forma como eu desenho personagens jovens, ou seja, eu nunca os fiz como mini-adultos musculosos. Esforço-me o máximo que posso para que eles se pareçam com… jovens. Lembro-me de como é ser assim e tenho filhos.

Então você coloca algumas de suas próprias experiências nos personagens?

Provavelmente sim. Nada específico. Não me lembro de sentar em frente à prancheta e pensar na época em que eu estava na escola e tal. Acredito que, como artistas, todos trazemos um pouco de nossa experiência ao trabalho.

No começo da carreira de Grant Morrison, você chegou a desenhar duas edições de Homem-Animal. Do que você se lembra dessa época?

Ele estava começando. Eu nem tinha ouvido falar dele antes. Afinal, eu vivia na América do Norte, enquanto ele morava na Escócia e estava bem estabelecido nos quadrinhos de lá. Acredito que nós dois estávamos começando, pra falar a verdade. Lembro-me vagamente de receber roteiros muito detalhados.

Ia mesmo te perguntar sobre isso. Os roteiros dele eram mais detalhados que os dos roteiristas americanos?

Talvez um pouco mais detalhados, sim. Certamente, ele me deu tudo que eu precisava [para desenhar as páginas].

Ediçao de luxo de Section Zero financiada recentemente.
Ediçao de luxo de Section Zero financiada recentemente.

Aqui no Brasil nunca tivemos contato com sua obra autoral Section Zero. O que você pode nos falar sobre ela?

Bom, ela acabou recentemente. Ano passado, eu e Karl lançamos uma campanha no Kickstarter para terminar a história que começamos em 2000. Lançamos apenas três edições na época e tivemos que parar, por razões pessoais. Com a campanha pudemos finalizar a história em seis edições, que depois foram encadernadas. Ela pode ser comprada no site Panic Button Press.

E sobre o que é a história?

Nossa (risos)! Imaginem um encontro entre Quarteto Fantástico e Arquivo X. Aliás, a Image relançará um encadernado com toda a obra. Portanto, se os brasileiros tiverem acesso ao material da Image, estará à venda!

Uma última pergunta: se o Superboy fosse brasileiro, que visual ele teria?

Oras, esse aqui [Nota: mostra um print de seu Superboy clássico]. É perfeito (risos)!

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