[#CCXP2018] Aquaman: Épico, colorido e renovador

Antecipado por muitos e desacreditado por outros, Aquaman estreia nessa semana em todo o território nacional. Do outro lado do globo, o filme já arrecadou 94 milhões na estreia, contra cerca de 240 milhões gastos com a produção e com marketing [Nota do editor: estamos partindo do princípio básico de budget – 160 milhões – somado à metade desse valor, o que é comumente gastos em filmes desse porte em Hollywood]. Ou seja, muito em breve ele estará pago.

Na história do novo longa de James Wan estrelado por Jason Momoa (Arthur Curry/Aquaman), Amber Heard (Mera), Willem Dafoe (Vulko), Nicole Kidman (Atlanna), Patrick Wilson (Orm / Mestre dos Oceanos), Dolph Lundgren (Nereus) e Yahya Abdul-Mateen II (David Kane / Arraia Negra), o protagonista já é conhecido por uma parcela do mundo da superfície, graças às suas ações pelo mundo, que não passam despercebidas de locais e das redes sociais. Nelas, ele já é chamado de “Aquaman”. Contudo, isso é apenas uma pequena parte do todo. Aquaman oferece uma jornada completa, que sabe apresentar a vida do herói, iniciada com um amor inusitado que uniu dois mundos, e na determinação deste herói relutante que quer impedir de se matarem os dois mundos dos quais faz parte.

Mera (Amber Heard) e Aquaman (Jason Momoa).
Mera (Amber Heard) e Aquaman (Jason Momoa).

Tudo isso ajuda bastante na hora de reapresentar o Aquaman. Afinal, o vimos brevemente em Batman vs Superman (2016) e um pouco mais em Liga da Justiça (2017), mas nada chegou perto do que chegará aos cinemas amanha. De seu nascimento até seu crescimento difícil, rodeado de verdades e mentiras sobre sua verdadeira herança e um treinamento importantíssimo de Vulko, Arthur aprende com seu pai os verdadeiros valores de um herói. Isso o impediu de reclamar seu trono por muitos anos. Mas quando a superfície começa a ser atacada por um plano de Orm – auxiliado pelo Arraia Negra, que tem uma pinimba pessoal com Arthur desenvolvida logo no início do filme – ele entende que sua presença no fundo dos oceanos é obrigatória. É então que tanto o herói como o público são apresentados ao esplendor da Atlântida e à psicodelia que Wan construiu.

Aquaman tem de tudo um pouco. Há drama, ação, romance, aventura e até terror. O filme tem um que de Indiana Jones e de vários outros clássicos de aventura dos anos 1970/80, que variam dos filmes de Sinbad produzidos nessa época a Fúria de Titãs (o clássico). Já a parte de terror, que é breve, tem a assinatura de Wan e vai deixar felizes os fãs de sua filmografia como diretor.

Sua Atlântida é diferente de tudo que já se viu em filmes de super-heróis. As diferentes paletas de cor para cada reino dos mares enriquece uma experiência que já impressiona pelo esmero aplicado na criação das cidades submersas. Em 2h20min de filme o espectador consegue entender tudo que precisa sobre o que a Atlântida foi, o que ela se tornou e por que seus líderes querem atacar a superfície. Tudo isso envolvido em uma experiência audiovisual única e sem precedentes nesse meio, principalmente quando falamos de Universo DC.

Jason Momoa é Aquaman.
Jason Momoa é Aquaman.

Apesar de a maior parte do filme se passar no presente, conhecemos o suficiente do passado de Arthur a ponto de crescermos com ele. Entendemos suas motivações, bem como a de seus inimigos e passamos a torcer para ele. Os vilões são falhos e fazem o que fazem por uma razão, mas nem por isso são passíveis de empatia. Não são vilões “cool”, como está se tornando praxe na cultura pop há alguns anos; são maus e precisam ser impedidos.

As cenas subaquáticas são de encher os olhos. Wan e a Warner devem ter gastado uma parcela muito grande do orçamento para criar tamanha experiência audiovisual. Nunca é demais reiterar que nada no mundo dos super-heróis no cinema chega perto de Aquaman em termos de colorização e fotografia. Eventualmente isso será superado, mas, por enquanto, é o que se tem de melhor. As cenas de ação também são ótimas, principalmente as debaixo d’água – o terceiro ato é arrasador e o melhor da nova safra de filmes da DC até agora.

Porém, nem tudo são flores. Algumas coisas falham, como o romance entre Arthur e Mera, por exemplo. Além de ter sido desenvolvido com um pouco de pressa na trama, os atores tinham sérias dificuldades em criar uma química honesta. Uma pena que logo o casal principal tenha falhado. Importante ressaltar também que às vezes alguns personagens principais, como Vulko, pareçam bonecos falantes quando estão sob as águas. Em alguns momentos os efeitos especiais falharam.

O amor de Atlanna (Nicole Kidman) pelo filho é fundamental para o filme.
O amor de Atlanna (Nicole Kidman) pelo filho é fundamental para o filme.

Recheado de mensagens sobre o momento sociopolítico do Ocidente, Aquaman referencia os que buscam pureza da raça – bem como as consequências de tamanha ignorância e crueldade – e honra a diversidade. Sob muitos aspectos. Mas falar mais que isso estraga a experiência de ver o filme.

Aquaman é mais um acerto da Warner/DC. Apesar de Liga da Justiça ter deixado muito a desejar, o estúdio reencontrou a forma de fazer filmes solo de super-herói. Ano passado tivemos um excelente Mulher-Maravilha, e agora temos um excelente Aquaman.

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