Jonny Quest: Estaria a Warner pensando em Future Quest e universo compartilhado?

Muitos de nós já sabiam que a Warner Bros. estava planejando um filme de Jonny Quest. Sucesso dos grandes nos anos 1960, em animação clássica produzida pelos estúdios Hanna-Barbera, ela ganhou outra roupagem na década retrasada. Na época, houve até conversas para o grande cineasta Richard Donner dirigir uma adaptação live action do desenho. Obviamente, não rolou.

Mais recentemente descobrimos que Robert Rodriguez estava ligado ao projeto. Também não vingou. Mas na sexta-feira soubemos, através do Wrap, que Chris McKay foi selecionado pelo estúdio para fazer o filme. Leitores mais atentos certamente se lembram que ele fez Lego Batman e, pelo menos por enquanto, está relacionado a uma adaptação cinematográfica do Asa Noturna. Não está claro se Jonny Quest terá uma prioridade maior nessa lista – é possível que sim.

Por enquanto, só isso foi anunciado. Mas e se houver algo mais aí?

Jonny Quest e toda a trupe da Future Quest em arte de Darwyn Cooke.
Jonny Quest e toda a trupe da Future Quest em arte de Darwyn Cooke.

A Chegada da Hanna-Barbera na DC

Os fãs comemoraram quando a DC anunciou, em 2016, que estava criando uma espécie de Universo Hanna-Barbera. Quadrinhos de Flintstones, Corrida Maluca e Scooby-Doo (em um mundo pós-apocalíptico) foram lançados. Mais importantes que esses, saiu Future Quest, o carro-chefe do selo. Trata-se de uma reunião sem precedentes dos maiores heróis das animações do estúdio. Nele estão juntos Jonny Quest, Space Ghost, Homem-Pássaro e muitos outros.

Deu certo. Apesar de esse título ter encerrado suas atividades – muito porque a história chegou ao fim –, o selo está ativo. Scooby Apocalypse continua saindo, assim como projetos limitados e crossovers com o Universo DC. No Brasil, boa parte disso já foi publicado pela Panini Comics neste ano (aproveitem as promoções no fim do post!).

Essas revistas todas não possuem conexões diretas entre si, e isso é uma vantagem. Por quê? Porque assim a continuidade fica elástica e permite que esses personagens coexistam, mas nao dependam tanto de si mesmos como acontece no mundo dos super-heróis. Foi um dos triunfos do selo – isso e o fato de as histórias serem realmente boas.

O que Chris McKay pode fazer

Dissemos acima que McKay está comprometido com Asa Noturna, mas antes disso ele deve focar em Dungeons & Dragons. Afinal, dos três projetos do diretor citados aqui este é o único que tem data de lançamento: 2021. Com 2018 quase acabando, nao veremos nada do que será dito a partir daqui tao cedo. Isso dito, e se o diretor – e o estúdio – explorar o Universo Hanna-Barbera como um todo, assim como esses quadrinhos fizeram?

Scooby Apocalypse por Jim Lee.
Scooby Apocalypse por Jim Lee.

Se ele vai começar com Jonny Quest, poderia fazer uma grande aventura que citasse outros elementos do universo. Algo como Homem de Aço fez, em 2013, dando pequenas pinceladas no que mais existe naquele mundo. Poderia haver descobertas de coisas que os Flintstones deixaram para ser descobertas; poderiam saber dos nanorrobôs que Velma liberou pelo mundo e começou a causar um apocalipse, bem como dos smartdogs; e assim por diante. A partir daí, cada parte desse universo poderia ser explorada em seu próprio filme, culminando em um encontro estrondoso.

Claro, estamos exemplificando isso com os quadrinhos nas mãos. Nao precisa ser assim. Pode haver outra roupagem para o Scooby-Doo e sua gangue, assim como uma forma diferente de montar a Future Quest – contando até com a turma do nosso cachorro tao querido. E muito mais:

  • Um filme no passado, dos Flintstones, que realmente adapte as críticas que o desenho e o quadrinho fazem sobre o mundo moderno (deixemos os filmes dos anos 1990 para lá);
  • Um filme do Scooby-Doo que não seja uma comédia tosca e boba, com atores duvidosos. Aliás, a versão apocalítica da HQ é uma ótima ideia;
  • Super-heróis como Falcão Azul, Homem-Pássaro, Space Ghost e muitos outros ganhando seus próprios filmes;
  • Uma Corrida Maluca que de fato possa homenagear Mad Max, como aconteceu nas HQs.

Em termos de DC, a Warner está cautelosa. Após tudo que aconteceu nos últimos 5 anos, tudo será feito desta forma. As recepções de Aquaman, Shazam e Coringa, nos próximos doze meses, dirão o que acontecerá de verdade a seguir. Com a franquia Harry Potter sendo a única realmente grande no estúdio (que até a virada desta década tinha ela, o Batman de Christopher Nolan e os filmes baseados na obra de J.R.R. Tolkien como principais fontes de renda), já que todos os planos do chamado DCEU foram colocados on hold, essa pode ser uma nova porta para a Warner abrir.

Outro detalhe que pode favorecer um investimento nisso é o fandom. Diferentemente dos fãs de quadrinhos de super-heróis, boa parte do público daqueles desenhos, infelizmente, já faleceu. É verdade que alguns deles continuam em exibição até hoje, mas não se enganem: determinadas mudanças em alguns desses personagens para favorecerem roteiros e worldbuilding provavelmente não causarão transtorno para o público.

Pois bem, leitores: as possibilidades são diversas. Respondendo a pergunta do título, a Warner já deve estar pensando em tudo isso. Que desta vez ela saiba aproveitar as oportunidades que tem.

Nota do editor: este é um texto opinativo e especulativo, que pensa em possibilidades futuras para a Warner Bros. Representa as ideias e opiniões do autor, baseadas no que existe como fato até o momento.

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