[Emulador de Críticas] Vamos nos tornar Invisíveis?!

Passou algumas semanas! Baixou a poeira e parece que podemos voltar à vida normal, após as eleições. Porém isso é o contrário que boa parte da população brasileira parece que vai fazer. A maioria venceu e, desta vez, 1/3 (os outros 2/3 são de votos válidos e os que abdicaram do processo eleitoral) da população brasileira escolheu um plano de governo contrário ao que uma boa parte da juventude da segunda parte do século 20 tinha maior asco. Exatamente aquele governante que tem tudo que muitos vilões de quadrinhos e filmes também possuem. O povo queria fazer um voto de protesto contra o sistema e isso se voltou contra ele, pois, na verdade, elegeram um parasita. Um tipo de demônio da quinta dimensão. Enquanto tudo isso acontece, só consigo lembrar de como Invisíveis se tornou um quadrinho ainda mais atual e merecedor da série televisiva que irá estrear em algum momento de 2020 pela Universal.

Os Invisíveis é um dos maiores trabalhos em quadrinhos de Grant Morrison. Ele criou uma equipe com tudo que a sociedade dita conservadora odeia. Um grupo revolucionário que luta contra o status quo e o sistema que está na base da sociedade, criticando políticos, religiosos, conservadores e seres desprezíveis que existem no mundo. É um quadrinho que mistura anarquia e magia do caos, algo que ainda não tinha sido feito nas HQs dos Estados Unidos. Esse título fala sobre resistência, sobre sobrevivência, sobre preconceito e principalmente sobre lutar contra a hipocrisia do mundo.

Quando se passou uma semana da eleição, pensava que deveria tomar um papel nessa resistência, dar a cara a tapa e não deixar de criticar um governos que está BEM longe dos ideais que vivo e escrevo aqui, nesta coluna. Não sou um tipo de grande jornalista, não tenho a qualidade de um Gay Telese, um Tom Wolfe, José Hamilton Ribeiro, Hunter Thompson, Vladimir Herzog, Gleen Greenwald, Patricia Campos Mello, um Leandro Demori ou outros tantos que poderia ficar citando dias e dias … Não tenho a qualidade de texto de pessoas como essas. Sou alguém que gosta de quadrinhos e usa esse pequeno espaço para conversar sobre assuntos diversos.

Vladimir Herzog, jornalista da TV Cultura morto durante a Ditadura Militar

Enquanto escrevo o texto, pensando em jornalismo e sobre as analogias com Invisíveis, vou procurando mais motivos para sair da inviabilidade. Como vamos criar uma guerra secreta contra o status quo, quando, na verdade, agora é o momento que mais precisamos estar no front, falando incessantemente sobre todos os abusos que estamos sofrendo?

Mas se pararmos para analisar, essas pessoas que estavam à margem da sociedade, lutavam de forma imperceptível. Basta lembrarmos do golpe de 1964, a guerra ideológica, a censura e todos os outros casos, onde havia mensagens ditas “subversivas” por meio da cultura, da música, da literatura, do jornalismo. Aprendemos a burlar um sistema com frases de duplo sentido, trocando capas de livros, correndo ao encontro de novidades e mensagens de apoio no lado de fora de uma dura ditadura. O medo era a moeda de um governo autoritário e é também a forma que esse atual vai usar contra os mais pobres e a população que precisa de assistência.

A grande moeda do nosso século é a informação. Estamos vivendo a guerra do fake news vs true news, uma onda de desinformação, resistência contra a checagem de fatos e frases sussurradas ao vento. É uma batalha que acontece com pessoas atrás de seus teclados, pessoas que gastam a sola de sapato buscando mostrar mais pontos de vista em um espectro social/cultural enquanto uma parcela dele usa a tática de dividir e conquistar, com frases de efeito, a refutação de fatos historicamente comprovados. Vivemos em tempos sombrios.

O grande trunfo dos nossos “Invisíveis” de hoje é busca a informação correta. É ter empatia e coragem de lutar contra o efeito manada. Enfrentar bestas, que usam os meios mais escusos de vencer, com o discurso quebrado e demagogo de “moral” e “bons costumes”. Se autodenominam “cidadãos de bem” e vivem se escondendo dentro de quartos, acovardados e medrosos, rodeados de ratos que repetem o que eles querem ouvir. Por outro lado, existe muita gente preparando-se para um período negro, de muita dificuldade, e dispostas a lutar pela liberdade.

Você pode terminar de ler esse texto e não entender qual é a mensagem. Vou dizer que nos quadrinhos, o herói resiste. Luta. Não esquece que muita gente se sacrifica por eles e sempre acaba vencendo o grande mal no final. Talvez devemos voltar, reler todas as grandes histórias que falam sobre isso e não esmorecer. Vamos resistir!

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