[#Análise] Dissecando Noite de Trevas – Metal, da Panini: Edição 3

Se as edições anteriores de Noite de Trevas – Metal tinham mostrado muito do Batman e do que causou esses eventos, agora temos uma noção melhor do que acontece à sua volta. O Homem-Morcego em si mal aparece na HQ. Ela é rodeada de membros da Liga da Justiça, que, por sua vez, estão acompanhados de outros queridos personagens. Graças à paixão do autor Scott Snyder pelo Universo DC, podemos curtir uma galera que vai de Sr. Destino ao antigo Pacto das Sombras.

Além da história principal, a Panini manteve a tradição dos encadernados anteriores. Ou seja, aproveitou o espaço do formato para apresentar mais Cavaleiros das Trevas. Desta vez conhecemos os Morcegos que foram baseados em Mulher-Maravilha, Mera e Apocalypse.

Portanto, como fizemos das últimas vezes, vamos separar a análise por edição americana e paginação brasileira. No terceiro encadernado estão: Dark Nights: Metal #3, Batman: The Drowned, Batman: The Merciless e Batman: The Devastator. Vamos lá?

Capa de Noite de Trevas - Metal nº 3 por Greg Capullo.
Capa de Noite de Trevas – Metal nº 3 por Greg Capullo.

Dark Nights: Metal #3

Inicialmente temos o vislumbre de uma vida perfeita para a Trindade. Seus discípulos estão tocando uma música que nós, fãs do Batman, conhecemos muito bem: o tema da série dos anos 1960. Essas notas musicais serão úteis mais adiante na história. Em seguida, notamos que tudo não passava de um pesadelo proporcionado por Barbatos. Batman, Superman e Mulher-Maravilha passaram, segundo a história, vidas inteiras enfrentando o monstruoso vilão. Morreram e voltaram para lutar. Incontáveis vezes.

Está cada vez mais claro que Snyder toma o trabalho recente de Grant Morrison no Universo DC como sua “bíblia” particular. Os personagens místicos, o desenrolar da história e o inimigo que todos estão enfrentando são frutos do trabalho do escocês nos últimos dez anos de cronologia da editora. O bacana desta edição é que Snyder tem, finalmente, a chance de escrever os Cavaleiros das Trevas na história principal. Porém, eles ficam sombreados pelo elenco excessivo e falta de direcionamento da história. Nós sabemos onde ela quer chegar. Snyder, mais ainda. Mas, em momento algum, este terceiro capítulo entrega qualquer dica de que isso está acontecendo.

Aliás, há muito a ser desvendado sobre o que Snyder e Capullo estão contando. O senão fica pela falta de habilidade dos autores de lidarem com tantas vozes e ideias de uma vez só. Enquanto autores como Alan Moore e o próprio Morrison conseguiriam fazer a história ser contada por si própria e ainda convidar os leitores a buscarem as diversas referências que estão apresentando em cada página, Snyder sofre em fazer o mesmo. Ele até tenta emular o estilo desses lendários autores, mas seu tiro sai pela culatra, entregando uma saga que às vezes é profunda, às vezes é rasa, e que sempre obriga o leitor a buscar, fora das páginas, o que diabos eles estão tentando dizer.

Noite de Trevas – Metal ainda é uma boa leitura. Só não é, pelo menos até agora, uma grande saga da DC, tampouco uma grande história do Batman. Agora vamos às referências!

Dark Nights: Metal #3 – Referências

7-Sim, Damian e Jon estão tocando o tema original da série de TV do Batman de 1966, composto por Neil Hefti. E estão com pose de roqueiros! Mas o ponto não é esse, e sim o fato de que música ainda é o que conecta Terras paralelas e, agora, Multiversos. Vimos Grant Morrison, o grande guru de Snyder, instituir isso em Crise Final.

Carpe diem, segundo a Wikipédia, “é uma frase em latim de um poema de Horácio, e é popularmente traduzida para colha o dia ou aproveite o momento. É também utilizado como uma expressão para solicitar que se evite gastar o tempo com coisas inúteis ou como uma justificativa para o prazer imediato, sem medo do futuro”. Além do significado óbvio que a expressão tem para a história (como veremos mais adiante), Snyder também pode estar fazendo uso dela para passar uma mensagem para os leitores: “apenas aproveitem a história”.

Página de Worlds Finest #255 em arte de José Luis Garcia-Lopez.
Página de Worlds Finest #255 em arte de José Luis Garcia-Lopez.

8-Barbatos aparece! Com a arte de Capullo e a temática da saga, o monstro ganhou um aspecto bem heavy metal, típicos das capas de discos do estilo lançados entre os anos 1980 e 1990. A título de curiosidade, um de seus mentores, Todd McFarlane, desenhou a capa e toda as artes do encarte do disco Dark Saga, da banda de metal americana Iced Earth, que prestava homenagem a sua criaçao máxima, o Spawn. Contudo, o Barbatos representado nessas páginas foi influenciado por um outro Bat-demônio, desenhado em uma história de Bob Haney e José Luis García-López, em World’s Finest #255, de 1979.

10-Aqui, Capullo representa as muitas vidas que os heróis passaram enfrentando Barbatos. Ficou bacana! Temos até vislumbres de versões alternativas de personagens, como aquele “Coringa-Jimmy Olsen” ali. Tudo que temos nas próximas páginas é uma porradaria que exemplifica o que Superman e cia. ltda. passaram.

18-19-Senhor Destino e Flash aparecem de forma providencial aqui, levando o Homem de Aço para o Bar Oblívio. Leitores que acompanham a DC há algum tempo devem se lembrar dele e da equipe sobrenatural Pacto das Sombras.

20-Dick Grayson, o Asa Noturna, está usando uma “armadura térmica” que ele pegou da Batcaverna. O próprio Batman já utilizou armaduras assim no decorrer dos anos. Importante destacar que ele a obtém em sua revista mensal, cuja publicação está rolando nos encadernados spin-offs da Panini. Eles não serão cobertos em nossos artigos, apenas as histórias principais.

A Torre clássica da Crise nas Infinitas Terras.
A Torre clássica da Crise nas Infinitas Terras.

21-A conversa toda sobre a ativação das torres indica que elas são similares às da Crise nas Infinitas Terras. Naquela obra, o Monitor queria fazer com que elas levassem os mundos sobreviventes da matéria positiva para um abrigo seguro, livre das ondas destrutivas de antimatéria. Algo semelhante pode estar acontecendo aqui. Destaque também para Kendra comentar a origem clássica da Mulher-Maravilha.

22-Aparentemente, tanto o Senhor Destino como Aço e o Homem-Borracha possuem elementos do metal enésimo.

23-24-A briga entre Dick e Damian vem das páginas de Suicide Squad #26. Dick afirmara ter certeza de que Batman estava morto. Logo em seguida, é comentado que as armas do Exterminador sao feitas de promécio, o que já comentamos anteriormente.

27-Após o ataque horrível no Bar Oblívio, vemos entrar em ação os quatro times que se dividiram para resolver o mistério do que está assolando Gotham City, no sumiço de Bruce Wayne e nessa história de versões alternativas do Batman. No momento, o que mais importa é o destino de Superman e Flash.

28-32-Descobrimos que é possível acessar o Multiverso de Trevas através da combinação do poder do projetor da Zona Fantasma e da Força de Aceleração, através daquela, digamos, Torre Multiversal.

Por fim, o Homem de Aço nos explica como ele, Batman e Mulher-Maravilha criaram uma forma de se comunicar internamente. Contudo, a mensagem, recebida pelo Superman de, teoricamente, Batman em pessoa, foi interpretada de forma errada pelo Azulão. Isso pode ser o fim dos dois!

Dark Nights – Batman: The Drowned #1

Como tem acontecido em outras edições, este volume de Noite de Trevas – Metal também introduz uma nova versão do Homem-Morcego, oriunda, como de praxe, de uma Terra do Multiverso de Trevas. neste caso, da Terra-11, mais especificamente. Contudo, esta versão é feminina e se chama Bryce Wayne.

Os conceitos aplicados são os do Aquaman e de Mera. Portanto, o próprio escritor da revista mensal dos heróis aquáticos, Dan Abnett, cuidou do material. Isso garantiu um pouco mais de qualidade ao material, mesmo que não fosse muito diferente da fórmula exibida até agora na apresentação desses Cavaleiros das Trevas.

Aliás, a HQ pode ser decente e ter vários desenhos competentes de Philip Tan, que traz ao leitor criaturas marítimas grotescas e criativas. Mas ela nao apresenta nada muito novo, tampouco traz material para ser analisado sob nossa ótica de referências. A não ser pelo título da história, Os versos do Antigo Marinheiro, que remete ao poema homônimo de Samuel Taylor Coleridge produzido em 1834, e que também virou uma música do Iron Maiden.

Capa de Dark Nights - Batman: The Drowning #1 por Jason Fabok e Brad Anderson.
Capa de Dark Nights – Batman: The Drowning #1 por Jason Fabok e Brad Anderson.

Na história, Bryce entrou em conflito com os atlantes de seu mundo, enfrentando a Aquawoman. Ao matá-la, Bryce adapta seu corpo, com cirurgias, para desenvolver habilidades e poderes. Torna-se a Afogada. Isso a faz dominar sua Terra e receber o convite do Batman Que Ri para ir à Terra 0. O resto é igual ao resto das outras histórias.

HQ bem feitinha, mas dispensável.

Dark Nights – Batman: The Merciless #1

O Impedioso é um Batman ainda menos interessante que os mostrados até aqui. Responsabilidade da equipe criativa, formada, surpreendentemente, pelos talentosíssimos Peter J. Tomasi (roteiro) e Francis Manapul (arte). Desta vez, o Batman veste o elmo de Ares após perder sua amada Mulher-Maravilha para ele.

A história explica como isso aconteceu e como esse Cavaleiro das Trevas chegou à Terra 0. Nada muito diferente do que vimos anteriormente. A não ser pelo fato de esse Bruce Wayne ter contato com o passado do Bruce da nossa Terra através do legado da Corte das Corujas, como podemos ver nas páginas 74 e 75.

Capa de Batman: The Merciless por Jason Fabok.
Capa de Dark Nights – Batman: The Merciless por Jason Fabok.

Fora isso, o que se tem é um dos Cavaleiros das Trevas com a motivação mais opaca até agora. É natural que Bruce fique com desejo de vingança após a morte de Diana. Contudo, toda a sequência de acoes perpetradas por ele a seguir simplesmente não faz sentido. Aliás, em alguns momentos a própria narrativa não faz sentido. É uma pena, dado os talentos disponíveis.

Vamos às anotações, que são apenas duas:

59-A cena clássica de Crise nas Infinitas Terras é revivida aqui;

68-Fazia tempo que não víamos a Vaqueira! Lembram-se dela? Foi namorada de Hal Jordan na época em que Geoff Johns começou a escrever o título mensal do herói (2005).

Dark Nights – Batman: The Devastator #1

Nesta edição de Frank Tieri e Tony Daniel, o Superman enlouqueceu. Não no estilo de Injustiça, mas… de algum jeito. Nada disso é explicado. Isso só serve para a transformação do Batman desta Terra (a -1) no Devastador, um Homem-Morcego que aplica em si mesmo o vírus do Apocalypse e mata o Homem de Aço para evitar mais mortes e destruição.

Obviamente, seu plano não dá muito certo, já que ele mesmo enlouquece e toda sua ética vai para o ralo quando se transforma em um monstro assustador.

Capa de Batman: The Devastator #1 por Jason Fabok.
Capa de Dark Nights – Batman: The Devastator #1 por Jason Fabok.

Se você gostou de Batman vs Superman – A Origem da Justiça, certamente gostará dessa HQ. Há diversos elementos semelhantes. Há, inclusive, referências óbvias ao filme. O resto vocês já sabem. Contudo, há algo mais aí. Esse quadrinho parece trazer um segredo muito importante para desvendarmos o resto da saga.

Ao chegar na Terra 0, o Devastador vai para Metropolis (como Bruce Wayne) e visita Lois Lane no Planeta Diário, apenas para infectá-la com seu vírus. Curioso notar que é a sua chegada que parece ter contaminado a cidade, já que as pessoas em volta dele começam a se transformar automaticamente. Em seguida, vemos que até a superfamília (Supergirl, Guardião e Superwoman) tentam enfrentá-lo, mas todos sucumbem ao vírus.

Vamos guardar isso para as próximas edições.

Referências:

84-86-Eita! Foi todo mundo pro brejo? Até o Lobo?! Vamos descobrir mais pra frente;

90-91-Olha a lança usada pelo Batffleck aí! Destaque também para a frase do Superman na página seguinte, parecida com uma do filme (“the Bat is dead – bury it“);

94-95-Isso pode estar tanto referenciando a Morte do Superman quanto o filme. Tanto faz;

96-O gás de kryptonita também foi usado no filme…

97-…assim como a forme da morte do Homem de Aço;

Veredito:

Não muito diferente do encadernado anterior, Noite de Trevas – Metal nº 3 ainda cambaleia para nos convencer de que estamos diante de uma grande saga. Há boas ideias aqui. De verdade. Contudo, a dupla criativa, que comanda o show principal, parece estar sofrendo para ganhar a atenção do exigente “público do heavy metal”, metaforicamente falando. Em outras palavras, o show não está sendo dos melhores. E as bandas que estão abrindo para a principal neste festival, deixam ainda mais a desejar.

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