Amálgama #019 – O que aconteceu na Marvel e na DC nas últimas duas semanas

Bem-vindos à nova edição de Amálgama! Nesta seção você encontra resumões dos principais eventos das últimas duas semanas nos quadrinhos Marvel e DC, publicados às quartas-feiras nos Estados Unidos. Nesta semana, para quadrinhos lançados em 07/11/2018 e 14/11/2018, Igor Tavares e Morcelli falam de:

  • Electric Warriors #1
  • Green Lantern #1
  • Justice League #11
  • Black Order #1
  • Uncanny X-Men #1
  • Spider-Geddon #3
  • Infinity Wars #5
  • Marvel Knights 20th #1

Electric Warriors #1 (Steve Orlando / Travel Foreman)

Começando com um trocadilho safado, Electric Warriors é eletrizante!

Steve Orlando e Travel Foreman prometeram entregar uma história do futuro do Universo DC, pós-Grande Desastre. Eles misturam isso com diversos conceitos da Legião dos Super-heróis e conseguiram; criam uma grande história de futuro alternativo. Mais uma, aliás, já que a DC é recheada delas.

Os Electric Warriors são escolhidos para defender os interesses da Terra em um campo de batalha diplomático. Nesta aventura inicial acompanhamos Ian, um humano, e Kana, uma polvo senciente, passando por essa transformação. Mas não é só isso.

Capa de Electric Warriors #1 por Bengal.
Capa de Electric Warriors #1 por Bengal.

O quadrinho é recheado de referências a diversos momentos do UDC e examina a diferenciação racial em um mundo majoritariamente mestiço entre humanos e animais. Os humanos “puros” são minoria e precisam engolir isso. Orlando levanta temas interessantíssimos e mais que atuais ao levantar este tipo de questionamento neste debute.

Prepare-se para ler uma HQ futurista de primeira qualidade, com pitadas de 2000 AD e ideias que poderiam facilmente vir de um gibi do Grant Morrison.

Green Lantern #1 (Grant Morrison / Liam Sharp)

Falando em Grant Morrison, impossível não destacar neste Amálgama sua estreia na revista fo Lanterna Verde.

O autor escocês chegou com tudo e limpou o caminho para desenvolver sua história. Não há anéis e tropas multicoloridas ou guerras intermináveis pelo cosmos. Green Lantern #1 é um procedural no melhor estilo CSI, mas com a estranheza de um Arquivo X nos tempos áureos aliada a diversos elementos de ficção científica que fã nenhum de Hal Jordan está acostumado.

Capa de Green Lantern #1, destaque do Amálgama de hoje. Arte de Liam Sharp.
Capa de Green Lantern #1, destaque do Amálgama de hoje. Arte de Liam Sharp.

A abordagem in media res pra iniciar esta nova revista mensal não poderia ser mais adequada. Logo de cara o leitor entende o que virá pela frente, mesmo que tudo lhe pareça assombroso, novo e fora das normas.

De formas alienígenas insanas e momentos de absoluta contemplação espacial, misturadas a páginas propositalmente compostas para diferenciar esse Lanterna Verde do que vimos nos últimos 15 anos, não dá pra negar: Morrison voltou com tudo.

Justice League #11 (Scott Snyder / Francis Manapul)

Logo de cara podemos destacar o trabalho artístico impecável de Francis Manapul. Ele é um dos maiores artistas da história moderna da DC e prova isso a cada vivo, seja com suas composições inesperadas, ângulos inovadores ou colorização de encher os olhos. O mesmo não pode ser dito do roteiro de Scott Snyder.

Caoa de Justice League #11, por Francis Manapul.
Caoa de Justice League #11, por Francis Manapul.

É verdade que o autor está um pouco mais à vontade na Liga, criando histórias mais chamativas que seus últimos anos no Batman, onde ficou por quase uma década. Por outro lado, sua escolha de manter o Batman são em uma saga em que superpoderosos são dominados por forças aquáticas alienígenas é um pouco… exagerado.

De qualquer forma, é bom ver a saga Drowned Earth andando e Aquaman sendo utilizado como merece. Que capítulos melhores venham a seguir.

Black Order #1 (Derek Landy / Philip Tan)

Derek Landy e Philip Tan tem a missão de trazer o supergrupo de assassinos ex-asseclas de Thanos de volta ao contexto geral da Marvel após sua passagem meio apagada pela saga No Surrender. Nessa edição de estreia da série limitada, o grupo ainda é orientado pelo Grão Mestre a cumprir missões de extermínio e desestabilização de governos intergalaticos.

Capa de Black Order #1 por Philip Tan.
Capa de Black Order #1 por Philip Tan.

O roteiro de Landy é intimista e focado, principalmente, em Corvus Glaive. Em suas caixas de pensamento, vemos, pela primeira vez, algum grau de personalidade mais acentuado para este genocida. Sob seu olhar, novos leitores podem conhecer melhor sua relação com Proxima Meia Noite e o restante do Cull Obsidian.

Não é um roteiro original. Somente o começo de uma história genérica, porém honesta, do grupo. A arte de Tan não acrescenta muita coisa ao produto final. Temos aqui algo que o leitor pode muito bem aguardar sair em uma compilação e ler tudo de uma vez. Não precisa correr atrás, pois não é brilhante.

Uncanny X-Men #1 (Kelly Thompson & Matthew Rosenberg & Ed Brisson / Mahmud Asrar & Mark Bagley & Andrew Hennessy & Mirko Colak & Ibraim Roberson)

O título Fabulosos X-Men é uma tradição na franquia da Marvel, que se estabeleceu desde a década de 1990. Já era hora da editora retomar a galinha (mutante) dos ovos de ouro. Portanto, apesar desta nova Uncanny não se tratar de um título regular e sim um arco em 10 edições semanais, a expectativa entre os fãs de mutantes é alta. Para tanto, os roteiristas Kelly Thompson, Matthew Rosenberg e Ed Brisson foram escalados para esta árdua tarefa.

Capa de Uncanny X-Men #1 por Leinil Francis Yu.
Capa de Uncanny X-Men #1 por Leinil Francis Yu.

Esta primeira edição é bastante confusa e vaga. Temos a genérica vacina mutante proposta pelo filho do famoso Senador Kelly para “ajudar os mutantes” com seus problemas, além de um surto de Jamie Madroxx e mistérios envolvendo o sequestro de mutantes e humanos muito poderosos. Em histórias completamentares, mas não tão relacionadas quanto se pode imaginar, temos aventuras solo de Bishop, Jean Grey e Anole.

No geral, uma edição de estreia (com a simbólica numeração 620 na capa) morna e atabalhoada. Com muita arte boa, mas que muda tanto que torna o pacote completo meio disforme. Para fãs dos X-Men, não é exatamente o que se espera de uma Uncanny, mas aguardemos as próximas.

Spider-Geddon #3 (Christos Gage / Jorge Molina)

As fileiras de Homens, Mulheres e Porcos Aranha ainda vivos pelo omniverso Marvel se dividem em duas facções na terceira parte de Spider-Geddon de Christos Gage e Jorge Molina. Uma facção é liderada pelo Aranha Superior, o Doutor Otto Octavius, que tem métodos mais pragmáticos para lidar com a ameaça dos Herdeiros (leia-se: matar todos eles), enquanto o time liderado por Miles Morales enxerga a coisa de outra forma e não tem intenção de usar força letal.

Capa de Spider-Geddon #3 por Jorge Molina.
Capa de Spider-Geddon #3 por Jorge Molina.

O roteiro de Gage passa muito tempo apresentando e tentando dar a cada um dos times certa identidade. Em um quadrinhos com quase 40 personagens em menos de 30 páginas, isso torna as coisas no mínimo cansativas. Por mais que a presença de Leopardon seja magnânima (e ela é, graças a Jorge Molina) falta foco e movimentação a essa história na terceira parte. Muitas cenas de recrutamento e explicações poderiam ficar pelos inúmero tie-ins da saga.

Aqui, temos uma invasão genérica a um complexo dos Herdeiros, algumas lutas, muito diálogo com pitadas de humor e mais nada além disso.

Spider-Geddon por enquanto mira no tom descompromissado de Aranhaverso, mas ainda não acerta o tom por conta de toda a burocracia em lidar com um elenco tão grande. A arte, em compensação, está extremamente bem feita e você não vai ver um gibi com tantos Aranha tão bem feitos nas bancas tão cedo na sua vida.

Infinity Wars #5 (Gerry Duggan / Mike Deodato Jr.)

Enquanto Gamora procura repostas sobre a criação, Loki e seu time de desajustados corre atrás do prejuízo para tentar livrar a personagem das pedras do infinito.

A penúltima edição da saga cósmica de Gerry Duggan e Mike Deodato Jr. leva elementos de conflito novamente até Gamora enquanto o time de heróis “fundidos” (leia Infinity Warps por conta e risco) liderado por Adam Warlock combate a entidade Devondra, que ameaça consumir todo o mundo dentro da joia da alma.

Capa de Infinity Wars #5 por Mike Deodato Jr.
Capa de Infinity Wars #5 por Mike Deodato Jr.

Para Deodato, é uma das edições mais desafiadoras pelo excesso de elenco e o roteiro muitas vezes embolado de Duggan que faz explicações meio mirabolantes em meio as suas cenas de ação meio genéricas. Para Duggan é uma edição razoável. Infinity Wars perdeu muito em motricidade e não há quase nenhuma grande surpresa aqui. Até mesmo o destino das joias ao final da edição já é meio que esperado pra quem tem o mínimo de conhecimento sobre estes personagens. O plot twist vem telegrafado 2 páginas antes de acontecer.

Infinity Wars já deveria ter acabado. Porém, a programação são seis edições e a equipe criativa vai levando da melhor maneira possível uma saga que esfriou bastante.

Marvel Knights 20th #1 (Donny Cates / Travel Foreman)

Começam as comemorações de 20 anos do selo Marvel Knights, com esta primeira edição escrita por Donny Cates (que também é o curador das novas histórias do selo) e arte de Travel Foreman. Em um universo Marvel no qual quase que todos os heróis se esqueceram quem são, o resiliente Frank Castle tenta reavivar a memória de Matt Murdock.

Capa de Marvel Knights 20th #1, outro destaque do Amálgama de hoje. Arte de Mike Deodato Jr.
Capa de Marvel Knights 20th #1, outro destaque do Amálgama de hoje. Arte de Mike Deodato Jr.

A história é contada sob a perspectiva do Demolidor que, aos poucos se lembra de toda a sua vida. O tom de Cates é sério e meio melodramático, mas com diálogos inteligentes, principalmente nas interações entre Castle e Murdock. Um mistério paira sobre toda esta leitura, o que culmina em uma revelação final que instiga a leitura das próximas histórias.

Como tudo que Cates escreve, o roteiro não cansa e é de fácil assimilação. Uma leitura que não tem nada demais, mas é rápida e objetiva que constrói bem a trama. A arte de Foreman, no entanto, é irregular. Há quadros bem trabalhados e páginas que evocam bem a iconografia deste elenco; outras parecem apressadas e com menos definição. Portanto, visualmente não é algo 100% satisfatório. Um primeiro passo interessante para esse início de comemorações de uma linha de quadrinhos tão celebrada.


O que você leu de Marvel e DC nesta semana, Zeronauta? O que mais gostou? Comente abaixo, e até a próxima Amálgama!

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