[#Superman80Anos] Krypto: Conto especial para quem adora animais de estimação

A história Garoto perdido – Um conto de Krypto, o Supercão me marcou profundamente. Foi uma das melhores histórias do Superman que já li – e o herói nem aparece nela! Na verdade, trata-se de um conto de Krypto, como o próprio título diz. A emocionante história tocou os corações dos leitores em 2011, quando foi lançada, e é até hoje uma das coisas mais fantásticas feitas durante a mitologia moderna do Homem de Aço. Portanto, neste Dia do Cão (4 de outubro), vamos relembrar deste texto que escrevi quando a HQ saiu lá fora. Aqui ela foi lançada em 2012, em Superman nº 114, da Panini.

Este artigo integra o Superespecial Superman 80 Anos, que fará parte do site até dezembro deste ano. Acompanhem todos os artigos deste especial clicando aqui!


O trabalho de Kurt Busiek com o Superman, todo feito após os eventos de Crise Infinita, é considerado controverso por alguns e muito carinhoso por outros. Grande fã da mitologia do herói que se desenvolveu, principalmente, nas décadas de 1960 e 1970, Busiek possui uma influência muito forte deste período, além de ser uma dramaturgo nato.

Durante anos falava-se sobre a “história perdida” deste período (mais ou menos entre 2006 e 2008), que mostrava o cachorro Krypto procurando por Superman e Superboy. Pra quem não se lembra, o primeiro havia desaparecido e estava sem poderes, enquanto o segundo estava morto. Descartada por editores da DC, a história só foi ver a luz do dia na semana passada, com a polêmica publicação de Superman #712. A polêmica surgiu de mais um descarte da editora, desta vez para uma história que envolvia um Superman de origem muçulmana (saiba mais sobre isso no MdM). A DC achou por bem substituir o conteúdo por esta história perdida de Busiek e Rick Leonardi.

O “Conto Perdido de Krypto”, nome pelo qual a história ficou conhecida, enfim ganhou vida, e tocou os corações de muitos leitores e críticos. O IGN Comics abriu uma de suas maiores exceções e deu nota 10 para a revista, feito tão raro que é quase inédito naquele site. A visão do crítico do IGN foi definida por seu amor pelas histórias do Superman e também por ter cachorros de estimação – e obviamente adorá-los. Quem não tem este contato mais empático e sentimental com seus bichinhos (ou mesmo nunca teve um em casa) pode achar a história muito boba e piegas. Os que estão na mesma situação do crítico, caso deste redator que vos escreve, sentiram uma pontada forte no coração.

Tive cachorros minha vida inteira. Hoje tenho duas cachorrinhas [Nota do autor: agora em 2018, tenho três cachorros que amo profundamente] que sempre vejo aos finais de semana, quando visito meus pais. Tenho muito desejo de um dia morar numa casa grande, que possa abrigar alguns cachorros de rua. Pois se tem algo que me irrita mais que a miséria da sociedade humana, é o completo abandono de animais, que pedem muito pouco da gente.

Krypto deixou de ser o clássico símbolo companheiro do Superman da Era de Prata para tornar-se um avatar do amor que existe entre o homem e o animal.

Na história de Busiek, que além de saber ser sentimental quando precisa também está contando um pouco e sua própria experiência pessoal, Krypto está muito triste na fazenda dos Kent por sentir a falta de seus dois maiores companheiros. Ele não se alimenta, está sempre amuado, e chora. É então que ele decide procurar por seus amigos em qualquer canto do mundo.

A cada cena de Krypto buscando por eles é uma jornada pessoal por alguns dos momentos mais memoráveis para o cão, narrada bem do jeitinho que vemos os cachorros buscarem algo com determinação. Não vou entrar em aspectos científicos e biológicos da memória dos cãos, mas basta dizer que eles enxergam tudo de forma monocromática, e enquanto o voo dele era mostrado de forma colorida, as suas lembranças ficam em preto e branco bem ao lado, numa diagramação fantástica de Leonadi entre o presente e a memória do cachorrinho.

Ao se colocar na situação de Krypto e acompanhar aquelas memórias, bem como as reações corporais que ele tem ao chegar em cada lugar e não conseguir encontrar seus amigos, o leitor vai entendendo como funciona a mente e o coração de um animal apegado aos seus donos; começa a pensar como ficam os milhares de cães nas ruas pedindo uma mão que lhe faça carinho ou um pouquinho de comida, apenas para sobreviver na eterna busca por um lar. Cachorros que são exotados e ficam olhando para o portão da casa do seu dono com a esperança que resolvem acolhê-lo novamente. Os sentimentos são fortes para os que têm esta visão, e uma simples história torna-se um registro vivo da maior ligação da natureza: o homem e seu animal.

Fica difícil não derramar uma lágrima ao final da história, quando Krypto consegue encontrar um pouco do sangue de Conner Kent no lugar onde ele foi derrotado pelo Superboy Primordial. Ele uiva, de dor, de medo e tristeza. Uiva a ponto de vidros quebrarem, de pessoas sentirem aquele som de dor verdadeira.

A história acaba e a dor do leitor permanece. Candidata a história mais linda do ano, este pequeno registro de Busiek e Leonardi não apenas nos fazem pensar na relação natural que desenvolvemos com animais de estimação como também dão saudades das histórias da dupla no Superman. Por fim, se você tem um animal de estimação, certamente o abraçará quando virar a última página.

Nota: 10/10.

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