Amálgama #016 – O que aconteceu na Marvel e na DC nas últimas semanas

Bem-vindos à nova edição de Amálgama! Nesta seção você encontra resumões dos principais eventos da semana nos quadrinhos Marvel e DC, publicados às quartas-feiras nos Estados Unidos. Nesta semana, para quadrinhos acumulados, lançados nas últimas semanas, Igor Tavares e Morcelli falam de:

  • Nightwing #50
  • Green Arrow #45
  • Batman & The Maxx #1
  • Superman #4
  • Shatterstar #1
  • The Superior Octopus #1

Vamos lá?

Nightwing #50 (Benjamin Percy / Travis Moore & Christopher Mooneyham)

Nightwing #50 veio cheia de promessas. Era a revista que daria novo status quo a Dick Grayson, tirando-o da roupa de Asa Noturna. Isso já aconteceu antes. Porém, desta vez a DC planejou algo mais drástico para o herói que Dan DiDio ama odiar.

Grayson (que não gosta mais de ser chamado de “Dick”) continua em Blüdhaven. Sabe pelo que passou e sabe quem foi, mas tudo através de narrativas. De histórias de outras pessoas. De vigilantes que estiveram com ele na batalha contra o crime.

Capa de Nightwing #50 por Mike Perkins. Destaque do Amálgama.
Capa de Nightwing #50 por Mike Perkins. Destaque do Amálgama.

Escrita por Benjamin Percy, a edição é fraca, apesar de bem desenhada pelo time de artistas composto por Travis Moore, Christopher Mooneyham e Klaus Janson. Richard, em sua nova personalidade, (ou Ric ou Gray ou qualquer outra coisa que não seja “Dick” ou “Asa Noturna”) não está bem caracterizado. Parece um moleque gratuitamente revoltado, sem embasamento para tal comportamento. Porém, como esta primeira edição bem mostrou, mais sobre quem e o quê ele se tornou será revelado em flashbacks – o que, honestamente, não melhora em nada as escolhas equivocadas da história.

O futuro agora é incerto. Se este novo Richard Grayson será aceito pelo público, causando boas vendas em sua revista, só o tempo dirá. Por enquanto, fica o alerta: foi um mal começo.

Green Arrow #45 (Shawna Benson & Julie Benson / Javier Fernandez)

Após a dura morte de Roy Harper em Heroes in Crisis #1, esta edição do Arqueiro Verde dedicou-se a fazer um memorial para ele. E valeu a pena – foi muito emocionante. Contudo, não há muito a ser dito, apenas apreciado e refletido. Javier Fernandez faz um bom trabalho em unir presente e passado, com composições de página que demonstram, de forma competente, cada período da vida de Oliver Queen e seu pupilo.

Capa de Green Arrow #45 por Alex Maleev.
Capa de Green Arrow #45 por Alex Maleev.

Destaque também, é claro, para o roteiro emotivo e profundo das irmãs Benson. Boa edição.

Batman/The Maxx: Arkham Dreams #1 (Sam Kieth)

Sam Kieth volta à DC para fazer um projeto poucas vezes imaginado, mas certamente muito aguardado por quem já tinha pensado nisso. Batman e The Maxx, criação autoral de Kieth, hoje publicada pela IDW de forma irregular, estão juntos pela primeira vez!

Capa de Batman & The Maxx por Sam Kieth.
Capa de Batman & The Maxx #1 por Sam Kieth.

Como muitos trabalhos do artista, é inevitável que este encontro inesperado dê nós nas nossas cabeças. Faz parte do estilo dele. O senso de humor incomum de Maxx somado a uma interpretação única do Batman e ao mundo onírico do Outback provocam reações das mais diversas durante a leitura. Na real, é perfeitamente comum se sentir estranho e desconfortável enquanto se lê a HQ. Kieth quer isso. E o faz muito bem.

Seu estilo grotesco de desenhar também garante um Batman como nunca vimos antes, garantindo frescor ao herói, à história e, claro, à sua criação “máxxima”. Bom começo. A minissérie durará 5 edições.

Superman #4 (Brian Michael Bendis / Ivan Reis & Joe Prado & Oclair Albert)

Brian Bendis continua a Unity Saga e aumenta a quantidade de ação, tornando a coisa cada vez mais parecida com um gibi do Superman produzido nos anos 1990. É verdade que a porradaria é bacana, e arte de Ivan Reis está ficando cada vez melhor. Ele não se tornou um ícone da DC de bobeira.

Por outro lado, em termos de história as coisas continuam a não ter muito propósito. Superman e seus aliados conseguem colocar em execução um plano para tirar a Terra da Zona Fantasma, mas ele continua lá para enfrentar Rogol Zaar, a cópia genérica do  Apocalypse.

Capa de Superman #4 por Adam Hughes.
Capa de Superman #4 por Adam Hughes.

Na Via Láctea, nosso sistema solar, Adam Strange dá as caras e reporta um planeta perdido para alguém… Será que ele está falando com os Planetas Unidos? O título da história sugere isso…

Essa foi a parte mais bacana da HQ. O resto do material continua fraco. É uma pena.

Shatterstar #1 (Tim Seeley / Carlos Villa)

Tim Seeley não cansa de surpreender positivamente. Quem diria que um quadrinho protaginizado por um personagem com uma origem tão rasa como Shatterstar, poderia dar ótimos frutos logo na primeira edição? Aqui o gladiador bissexual do Mojoverso ganha um nome, uma função como dono e administrador de um prédio no Queens, onde moram seres perdidos de dimensões alternativas, e até um passado amoroso conturbado.

Capa de Shatterstar #1 por Yasmine Putri.
Capa de Shatterstar #1 por Yasmine Putri.

Há um breve resgate de sua personalidade desenvolvida nos quadrinhos de Peter David no X-Factor mas Seeley vai além e nos dá um homem vivo e completo. A pegada despojada do quadrinho dá ares meio indie a um título de linha da Marvel e a arte de Carlos Villa atende perfeitamente a proposta do roteiro. Shatterstar #1 já é um título que leitor de quadrinhos mutantes deve ficar de olho pois promete.

The Superior Octopus #1 (Christos Gage / Mike Hawthorne)

Diretamente das páginas da futura Spider-Geddon, temos o retorno do herói que abalou as estruturas e confundiu todos os já bem confusos fãs do Homem-Aranha durante as sagas Conspiração do Clone e Império Secreto. O Octopus Superior agora é o mais novo protetor de São Francisco, na Costa Oeste dos EUA.

Aqui, o já veterano Christos Gage, com o ilustrador Mike Hawthorne, tem a ingrata tarefa de introduzir um dos personagens mais confusos da galeria de coadjuvantes do Aranha ao público. Felizmente, Gage consegue trilhar milagrosamente as chicanes criadas por Dan Slott e conxtetualiza este Otto (agora atendendo pelo nome de Elliot Tolliver) e entrega algo divertido.

Capa de Superior Octopus #1 por Travis Charest.
Capa de Superior Octopus #1 por Travis Charest.

Na história, o leitor vai aprender, de forma razoável, como essa aberração surgiu, qual sua relação com o Aranha e as indústrias Parker e a Hydra e ainda encontrará motivos para querer saber mais sobre este estranho herói. Os diálogos de Gage são precisos e o autor consegue reproduzir fielmente a voz de Octavius nas linhas do personagem. O quadrinho é muito veloz e a arte de Hawthorne ajuda tanto na didática quanto na ação. Uma leitura surpreendentemente divertida e inesperada.

X-men Black: Magneto (Chris Claremonet / Dalibor Talajic)

Começou a série de edições únicas protagonizadas por vilões tradicionais da mitologia mutante no título X-Men Black. A primeira tem como protagonista Erik Lehnsherr, o mestre do magnetismo. A história escrita pelo lendário roteirista mutante, Chris Claremont, com arte de Dalibor Talajic, no entanto é um dos quadrinhos mais sonolentos já protagonizados por este personagem.

Capa de X-Men Black Magneto #1, outro destaque do Amálgama da semana.
Capa de X-Men Black Magneto #1, outro destaque do Amálgama da semana.

Vemos Magneto vagando pelo interior dos EUA enquanto tenta libertar jovens mutantes de uma instalação de confinamento do governo. Os diálogos de Claremont nas cenas do personagem no restaurante com a coadjuvante mais jovem são totalmente previsíveis, e até o quase confronto com os locais é manjado. Nada aqui se salva de algum clichê que este mesmo autor criou em sua passagem histórica pelos quadrinhos dos X-Men.

Além do amontoado de clichês não há nada que impulsione este personagem para algo novo. Ao final temos uma mini história extra da dupla Zac Thompson e Lonnie Nadler com arte de Geraldo Borges que sobre Apocalipse. A história terá continuidade nas demais edições de Black porém ainda não disse a que veio. A iniciativa Black começa com o pé esquerdo e o freio de mão puxado.

Infinity Wars #4 (Gerry Duggan / Mike Deodato Jr.)

Definitivamente a edição mais confusa da saga do infinito de Gerry Duggan, com arte de Mike Deodato Jr..

Os heróis fundidos e presos dentro da joia da alma tentam se reorganizar para tentar uma nova investida contra Gamora. Eles tentam também lidar com a entidade Devondra, que assola o mundo da joia e ameaça criar novos universo malignos.

Capa de Infinity Wars #4 por Mike Deodato Jr.
Capa de Infinity Wars #4 por Mike Deodato Jr.

O roteiro de Duggan deixa muitas perguntas, principalmente em relação a Thanos, Gamora e seu alter ego Requiem. Não se tem um objetivo claro para a personagem neste momento, agora que ela fundiu a população do universo Marvel e aprisionou todos dentro da joia da alma.

De qualquer maneira, o papel de Loki continua divertido nesta saga e a arte de Deodato para quem gosta de seu estilo está em um de seus melhores momentos com destaque para as cenas com o Hulk e o Homem-Formiga em combate.

Infinity Wars perdeu muito gás (se é que tinha algum no início) e passa completamente despercebida pelo universo Marvel a exceção de seus tie ins que são isolados de continuidade portanto para o leitor é melhor aguardar e ler tudo de uma vez quando este arco for finalizado.

Spider-Geddon #1 (Christos Gage / Jorge Molina)

Começa esta semana a história que reúne novamente Aranhas (e alguns Octopus) de várias realidades do omniverso Marvel para novamente combater a ameaça dos Herdeiros (Inheritors).

Desta vez, o responsável pelo retorno dos vampiros multiversais que se alimentam de Homens e Mulheres-Aranha é Otto Octavius, em sua encarnação de Superior Octopus. Inadvertidamente, Otto usa tecnologia dos Herdeiros para se manter imortal criando clones para transferir sua consciência. Com isso, temos o retorno do vilões em meio a Terra-616 da Marvel.

Capa de Spider-Geddon #1 por Jorge Molina.
Capa de Spider-Geddon #1 por Jorge Molina.

A história de Christos Gage com arte de Jorge Molina é bem rápida e movimentada. Porém, não há nada de novo ou empolgante na execução. Apesar da arte muito bem feita, parece que temos somente mais uma saga reunindo equipes de heróis aracnídeos com uma ameaça comum e isto Aranhaverso já fez anteriormente de forma satisfatória. Não há a menor necessiadade do leitor sair correndo para ler esta saga pois ela tem zero influência no título principal do Aranha (até porque Peter Parker nem aparece aqui dando espaço para Miles Morales).

Então, a melhor alternativa é esperar o final e ler tudo de uma vez.


O que você leu de Marvel e DC nesta semana, Zeronauta? O que mais gostou? Comente abaixo, e até a próxima Amálgama!

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