[#Superman80Anos] Reino do Amanhã: E se Chris Reeve estivesse vivo?

[Nota: Este artigo integra o Superespecial Superman 80 Anos, que fará parte do site até dezembro deste ano. Acompanhem todos os artigos deste especial clicando aqui! Ele republica, de forma atualizada, uma matéria no melhor estilo “O Que Aconteceria Se” imaginando um filme com um Superman velho estrelado por um Christopher Reeve vivo e na terceira idade. Confiram!]


O título da coluna Conexão Krypton deste mês já diz tudo: se Chris Reeve estivesse vivo e saudável hoje, somando 62 anos de idade, será que os fãs teriam a chance de ver uma adaptação cinematográfica do Reino do Amanhã? O ator faleceu em 2004 depois de nove anos tetraplégico. Reeve sofreu uma queda de cavalo em 1995, em que fraturou suas vértebras cervicais, o que lesionou sua medula espinhal. Isso, no entanto, não o fez desistir de tudo. Ao contrário, Reeve levou o resto de sua vida como um verdadeiro Super-Homem.

Clássica foto de Chris Reeve como Superman. Créditos: Warner Bros.
Clássica foto de Chris Reeve como Superman. Créditos: Warner Bros.

Duvida, leitor? Veja só:

Foi aclamado de pé na cerimônia do Oscar em 1996, sendo aplaudido por emocionados nomes como Nicolas Cage, Tom Hanks, Quentin Tarantino, Gwyneth Paltrow, Jim Carrey e outros ícones do cinema presentes no evento);

– Fez participações pequenas como ator até 2002, ano em que apareceu em alguns episódios da série Smallville;

– Lutou bravamente pelo avanço de pesquisas com células-tronco e criou a Christopher Reeve Paralysis Foundation, fundação dedicada a melhorar a condição de vida de pessoas que tivessem qualquer tipo de paralisia.

Estes fatos não são desconhecidos da maioria dos fãs do Superman e do ator. A dedicação de Reeve às lutas que escolheu travar sempre foi exemplar dentro e fora do mundo artístico, o que o eternizou como Super-Homem tanto quanto os filmes do personagem que estrelou nos anos 1970 e 1980. Com tudo isso esclarecido, o artigo parte para seu objetivo principal, fazendo um exercício imaginativo de oferecer um fechamento para os quatro filmes do Superman de Chris Reeve. A pergunta é: E se Christopher Reeve estivesse vivo e um novo filme do Superman, com base no Superman do Reino do Amanhã (de Mark Waid e Alex Ross), fosse produzido?

Fan art de Chris Reeve como o velho Superman de "Reino do Amanhã". Créditos: http://ety3rd.tumblr.com/post/43674641439/i-had-a-rather-vivid-dream-that-i-went-to-see-the.
Fan art de Chris Reeve como o velho Superman de “Reino do Amanhã”. Créditos: tumblr ety3rd.

A arte acima, feita por um fã em 2013, abriu muitas possibilidades para que outros fãs conjecturassem um filme estrelado por Reeve como um velho Superman. Claro, o ator precisaria estar vivo e nunca ter sofrido o acidente que o deixou numa cadeira de rodas pelo resto da vida. Como este é um exercício de imaginação, estes fatores obviamente não serão levados em conta.

O respaldo para um filme baseado no Reino do Amanhã precisaria ser grande demais para que o público compreendesse a magnitude da história. Pelo menos os principais heróis da DC já precisariam ter filmes lançados e uma conexão mínima entre eles nas telonas para que a história fizesse sentido na mente dos espectadores. E, mesmo assim, tal adaptação continuaria sendo complicada demais.

Arte de "Reino do Amanhã" por Alex Ross.
Arte de “Reino do Amanhã” por Alex Ross.

Por outro lado, uma abordagem mais enxuta focada apenas no Superman fecharia com chave de ouro o histórico de Chris Reeve. Uma ideia semelhante está sendo colocada em prática neste ano: Arnold Schwarzenegger começará a filmar A Lenda de Conan em breve. O filme mostrará o cimério como rei e Schwarzenegger retornando a um de seus mais famosos papéis justamente para fechar uma história que ficou aberta por tantos anos.

Pôster oficial do novo filme do Conan. Créditos: Paradox Entertainment e Universal Pictures.
Pôster oficial do novo filme do Conan. Créditos: Paradox Entertainment e Universal Pictures.

Reino do Amanhã trata de muitos temas diferentes, mas todos convergem no questionamento sobre existência de vigilantes, super-heróis e sua real contribuição para a melhoria do mundo. A obra pode ser lida por qualquer leitor de quadrinhos, mas, quanto maior o conhecimento deste leitor sobre o Universo DC, maior será a compreensão dele. Transportar uma história assim para uma mídia de massa como o cinema seria um suicídio comercial para a Warner Bros. O estúdio passou anos dando murros em ponta de faca até criar um universo coeso de super-heróis no cinema – o que ainda está em andamento, na verdade – e certamente se atrapalharia ao levar em conta as múltiplas versões do Batman cinematográfico, a ausência de seus outros medalhões das telonas e muitos outros fatores. Esta história teria que ser de Chris Reeve, do Superman.

Nos quadrinhos, o Coringa mata todos os funcionários do Planeta Diário (incluindo Lois Lane) e Magog, um novo vigilante com métodos violentos, encontra o vilão e o mata sem pensar duas vezes. Curiosamente, durante o julgamento pelo que fez, Magog é absolvido pelo povo e o Superman, assim como outros heróis de sua geração, se aposentam e saem de cena.

Magog, por Alex Ross.
Magog, por Alex Ross.

Para evitar que um vilão de outro super-herói tivesse uma confusa participação na trama, o filme poderia apresentar algum vilão quadrinístico do Superman apenas em flashbacks para que o espectador ficasse situado na trama. Parasita, Metallo…. São muitos os que serviriam a este propósito. Antigos vilões dos filmes anteriores deveriam ser descartados, já que a abordagem deste novo filme não daria espaço para eles.

O importante seria estabelecer que o vilão descobriu a identidade do Homem de Aço e que matou seus amigos e colegas para demonstrar poder e vingança. Isto seria o suficiente para que o público comprasse a ideia da atitude de Magog e a aposentadoria do Superman. Magog poderia, sim, estar no filme, a fim de mostrar o contraste entre um velho super-herói e um vigilante moderno

Claro, seria imprescindível que o Superman fosse o foco da trama e que ele triunfasse no final. No quadrinho, por exemplo, Lex Luthor é líder da Frente de Libertação da Humanidade, grupo formado por super-vilões de outrora que tentam dar fim aos meta-humanos e controlar o mundo. Luthor e o grupo poderiam existir no filme. Ele estaria cercado de políticos, empresários influentes e inescrupulosos, homens que não querem ver uma nova ascensão de vigilantes. Homens que odeiam ouvir o nome do Superman, preferindo tomar conta de Magog e obrigá-lo a trabalhar de acordo com seus desejos, todos sancionados pelo governo dos Estados Unidos com a desculpa de evitar que a tragédia do Planeta Diário se repita ao redor do mundo graças a novos “super-heróis”.

Luthor na "sala de guerra". Arte de Alex Ross.
Luthor na “sala de guerra”. Arte de Alex Ross.

Para substanciar a trama, os outros super-heróis clássicos da DC poderiam ser citados. Nenhum deles precisaria aparecer por muito tempo no filme. Cenas rápidas e objetivas mostrando o que houve com os eles através dos anos seria suficiente para que os espectadores entendessem as motivações por trás da trama e dos personagens do filme. O mais importante seria estabelecer a real necessidade da volta do Superman à ativa e em que condições o mundo o receberia depois de tantos anos de ausência. Mesmo que fosse uma adaptação de quadrinhos de super-herói, este filme imaginário teria como enfoque a tragédia e as consequências reais de um mundo tomado por pessoas poderosas que faziam justiça ou injustiça com as próprias mãos.

A Frente de Libertação da Humanidade de Luthor deveria ser questionada pela ONU e suas ações radicais contra meta-humanos e super-heróis em potencial levaria o Superman de Chris Reeve volta a cena. Neste ponto, ele poderia ser exatamente como no Reino do Amanhã. Primeiro, barbudo, cuidando da fazenda dos falecidos pais e acompanhando de longe o caos no mundo provocado por milícias, vigilantes e pela política questionável de Lex Luthor. Os personagens teriam, portanto, abordagens muito mais sérias que as de outrora.

Gene Hackman atualmente. Foto de Evan Agostini.
Gene Hackman atualmente. Foto de Evan Agostini.

Nada de Gene Hackman com peruca ou planos mirabolantes. A abordagem teria a seriedade vista na trilogia do Batman de Christopher Nolan. Mesmo que muitos questionem retratar o Superman desta forma, uma adaptação do Reino do Amanhã teria uma atmosfera arenosa, de difícil respiração e muitas trevas até que o retorno do Homem de Aço trouxesse a luz de volta ao mundo.

A trama principal estaria, então, bem encaminhada:

Flashback: As últimas ações do Superman antes da aposentaria, a apresentação do vilão que matou os funcionários do Planeta Diário e a criação do Magog;

Flashback: Superman se aposentou porque o mundo mudou graças a Magog e a morte de seus amigos e de sua amada Lois Lane;

Flashback: Lex Luthor e a Frente de Libertação da Humanidade começam sua ascensão, abraçam Magog e começam a dar causas para suas ações. Do submundo surgem novos vilões e super-heróis, mas Luthor consegue subverter seus ideais com sua influência política e coloca Magog para derrubar estas pessoas em todos os países;

– Presente: Clark Kent aposentado, cuidando da fazenda, barba e cabelo por fazer. Lex Luthor e seus asseclas controlam Magog e massacram novos meta-humanos com a desculpa de que eles podem sair do controle e repetir o que houve com o mais famoso jornal da amada cidade de Metrópolis. Sua associação começa a ser questionada e as batalhas atingem níveis desumanos.

– Presente: O Superman percebe que precisa voltar. O mundo precisa de sua luz. Como um tornado, sua consciência o alerta para que ele volte e resolva estes conflitos de proporções mundiais.

– Presente: O retorno do Superman acontece em Metrópolis em cenas semelhantes as desenhadas por Ross em O Reino do Amanhã. Retorno triunfal, épico, emocionante e de proporções divinas.

– Presente: Há um conflito extremo entre o Homem de Aço e Magog mas o vigilante, aos poucos, começa a perceber que há algo incisivo e puro no modus operandi do Superman.

Seria obrigatório que o filme mostrasse a redenção do Magog. Morrendo ou não, ele deveria ser aliar ao Superman na batalha contra Luthor para se tornar um verdadeiro herói. Os grandes embates físicos do filme, para que ele não perdesse suas características super-heroicas e não caísse no erro de mostrar drama demais como aconteceu com Superman – O Retorno (2006), seriam entre Superman e Magog e uma aliança dos dois contra Lex Luthor e sua clássica armadura.

Luthor em sua armadura no jogo DC Universe Online.
Luthor em sua armadura no jogo DC Universe Online.

A vestimenta de Luthor, um plano de contingência contra uma possível volta do Superman criado por ele e bancado por todos os seus aliados políticos e empresariais, obviamente seria bem diferente do que é nos quadrinhos. Ela precisaria ser verossímil e ter relação com toda a fotografia arenosa e realista do resto do filme.

Luthor cairia, o Superman triunfaria. O governo, a ONU e, principalmente, a população entenderiam sua batalha contra o mal. Toda a corrupção por trás da Frente de Libertação da Humanidade viria à tona e o mundo ficaria maravilhado com as possibilidades de ser novamente protegido por verdadeiros super-heróis. Um novo alvorecer viria com o fim do massacre perpetrado por Luthor durante todos os anos de ausência do Homem de Aço. Uma nova era de super-heróis se iniciaria e o Superman poderia, finalmente, descansar de verdade. Magog, se sobrevivesse, poderia ser o mentor destes jovens meta-humanos e vigilantes.

Este filme imaginário poderia ter muitos títulos. Por questões de marketing e da própria história o título Superman: Second Coming (Superman: Segunda Vinda em português) seria perfeito.

Pôster promocional de "Superman - O Filme". Cŕeditos: Warner Bros.
Pôster promocional de “Superman – O Filme”. Cŕeditos: Warner Bros.

A Conexão Krypton se encerra por aqui, terráqueos. Saudações alienígenas e até mês que vem!

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