Amálgama #014 – O que aconteceu na Marvel e na DC nesta semana

Bem-vindos à nova edição de Amálgama! Nesta seção você encontra resumões dos principais eventos da semana nos quadrinhos Marvel e DC, publicados às quartas-feiras nos Estados Unidos. Nesta semana, para quadrinhos lançados em 12/09/2018, Igor Tavares e Morcelli falam de:

  • Detective Comics #988
  • House of Whispers #1
  • Superman #3
  • Journey in to Mystery The Birth of Krakoa #1
  • Fantastic Four #2
  • Infinity Wars #3

Vamos lá?

Detective Comics #988 (James Robinson / Stephen Segovia)

Peter Tomasi está prestes a assumir o título mais clássico do Batman, mas antes James Robinson vai dar uma passadinha por ele. O que é uma pena, pois o britânico que fez história com Starman, Sociedade da Justiça e Shade faz um trabalho aquém do esperado em sua reestreia em Detective. Apesar da boa arte de Stephen Segovia, a história mal se segura.

Capa de Detective Comics #988 por Stephen Segovia.
Capa de Detective Comics #988 por Stephen Segovia.

Robinson apresenta um conto sem surpresas. É o que os americanos chamam de “flat”. A história tem pouco apelo emocional, quase nenhum evento interessante e se contenta em deixar o Batman em seu lugar-comum. Até alguns diálogos são pobres, repetitivos e claramente feitos às pressas. Um desperdício de talento e papel.

A parte boa é que Segovia conseguiu traduzir parte disso em boa arte, mas, no fim das contas, teria sido melhor se dessem o título de uma vez para Tomasi.

House of Whispers #1 (Nalo Hopkinson / Domonike Stanton)

Semana passada dissemos que Sandman estava de volta, certo? E dá pra repetir a dose!

House of Whispers é mais adição de alto nível ao riquíssimo universo criado por Neil Gaiman. Aliás, com esse título temos finalmente o primeiro vislumbre do que seria uma expansão real do que ele criou, sem que suas mãos estejas envolvidas na criação. A veterana autora jamaico-canadense Nalo Hopkinson, que é especializada em ficção especulativa, traz sabores e texturas únicos a um braço da franquia Sandman que acabam de colocá-la na primeira linha dos autores modernos do selo Vertigo. Isso não é pouca coisa.

Capa de House of Whispers #1 por Sean Andrew Murray.
Capa de House of Whispers #1 por Sean Andrew Murray.

Em House of Whispers conhecemos a Casa de Dahomey, lar de Erzulie Fréda, para onde as almas dos seguidores do voduísmo vão quando dormem e buscam pelos desejos mais profundos de seus corações. Esse é o papel de Erzulie: realizá-los, mas sob certas circunstâncias. Fãs de Deuses Americanos vão gostar da pegada deste título, pois ele respeita a tradição de supor como deuses vivem entre pessoas comuns e tomam parte da nossa cultura – além de formarem sua própria.

Os personagens principais e mistérios que surgirão a partir de agora são bem introduzidos nesta edição de estreia. Hopkinson entende o mundo em que vivemos. Não deixa passar a oportunidade de mesclar tradição vodu com futurismo e especulação sobre nosso próprio futuro, numa sociedade rodeada de notícias falsas, rumores, memes e formas de comunicação instantâneas, mas de qualidade duvidosa.

Tiro certeiro da Vertigo em mais uma grande expansão do Universo de Sandman. Até agora, só sucesso!

Superman #3 (Brian Michael Bendis / Ivan Reis & Joe Prado)

Bendis continua seu grande arco na revista do Superman. Nesta terceira parte de The Unity Saga, o autor dá mais detalhes das repercussões no planeta Terra e na Zona Fantasma por ele estar dentro dela. Testemunhamos a parceria entre Rogol Zaar e os kryptonianos lá exilados, no melhor estilo “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”. O famigerado Jax-Ur se prepara para a guerra contra o filho da Casa de El com Zaar no comando de diversas criaturas locais, enquanto o Homem de Aço precisa lidar com isso, com o sumiço de sua família e os efeitos cada vez mais drásticos a todas as formas de vida da Terra agora que ela está fora de seu eixo no universo.

Capa de Superman #3, destaque do Amálgama, por Ivan Reis e Joe Prado.
Capa de Superman #3, destaque do Amálgama, por Ivan Reis e Joe Prado.

O autor levanta questões bem bacanas na edição, como a razão de nosso planeta existir e por que ele deveria estar no sistema solar. Destaque também para os efeitos disso nos super-heróis da Liga da Justiça, que estão ficando envenenados a cada minuto. Por razões diferentes. Os poucos que sobram em atividade são Cyborg e o próprio Superman, mas o risco de suas ações serem afetadas por isso são imensos.

Bendis também aproveita a oportunidade para brincar com mais membros da Liga, como os Eléktrons e Ted Kord, o Besouro Azul, ainda que não tenha encontrado as vozes adequadas para cada um. Também pudera, já que o espaço deles na HQ é pequeno (com o perdão do trocadilho).

Como a saga ainda está no começo e Bendis prepara seu “worldbuilding” ao mesmo tempo em que a desenvolve, há escorregadas de ritmo e escolhas equivocadas de falas em certos personagens. O trabalho dele está ok até agora. Aquém do que vem sendo feito por ele mesmo em Action Comics, ao lado de Patrick Gleason, contudo.

Mais uma vez, destaque para a arte matadora de Ivan Reis e Joe Prado. Essa dupla está pra lá de consagrada.

Infinity War #3 (Gerry Duggan / Mike Deodato)

Gamora tem todas as joias do infinito. E ela também entende que a superpopulação de um universo é problemática. No entanto, em vez de dizimar metade do 616, ela dobra o universo em duas partes e funde as metades. Começa Infinity Warps e as loucas amálgamas entre personagens Marvel!

Capa de Infinity Wars #3 pelo lendário Rom Lim!
Capa de Infinity Wars #3 pelo lendário Rom Lim!

Esta é uma edição onde Loki e Flowa novamente são os protagonistas. Bons diálogos de Gerry Duggan, pouca ação e ilustrações bastante bem trabalhadas de Mike Deodato. A saga, apesar do grande escopo, parece não ter grandes pretensões para o panorama futuro da Marvel. É somente uma maneira de reformular o núcleo cósmico da editora. Os heróis principais são meros coadjuvantes e, desde que a identidade de Requiem foi revelada, não há grandes surpresas no arco. Leitura divertida, porém dispensável.

Journey in to Mystery The Birth of Krakoa #1 (Dennis Hopeless / Djibril Morissette-Phan)

Dennis Hopeless e Djibril Morissette-Phan nos levam ao final da Segunda Guerra Mundial em uma acidental missão dos Comandos Selvagens à ilha viva de Krakoa. Além de descobrirmos as origens da ilha somos apresentados ao primeiro encontro da entidade com humanos.

Capa de Journey Into Mystery: The Birth of Krakoa #1 por Greg Smallwood.
Capa de Journey Into Mystery: The Birth of Krakoa #1 por Greg Smallwood.

Uma história leve e com tons de saudosismo. Aqui vemos todos aqueles clichês irretocáveis presentes em quadrinhos dos Comandos Selvagens com Nick Fury (incluindo as expressões cafonas de companheiros de guerra) tudo com uma arte fabulosa. Não chega nem perto de ser um quadrinho relevante para o contexto geral da Marvel. Só uma leitura divertida sobre um grupo de protagonistas que atualmente estão meio esquecidos na editora.

Fantastic Four #2 (Dan Slott / Sara Pichelli)

O que todos os fãs do Quarteto gostariam de ler na primeira edição de Fantastic Four de Dan Slott e Sara Pichelli, a Marvel publica nesta segunda edição. Finalmente vemos o que Reed, Sue, Valeria, Franklin, Owen Reece e a Fundação Futuro estiveram fazendo desde o final das Guerras Secretas.

Capa de Fantastic Four #2, mais um destaque do Amálgama da semana. Arte de Esad Ribic.
Capa de Fantastic Four #2, mais um destaque do Amálgama da semana. Arte de Esad Ribic.

A segunda edição tem escopo multiversal, como não se via em quadrinhos da editora. Slott cruza um terreno arenoso em seu roteiro, enfim mostrando Valeria e Franklin como dois adolescentes. É nítido que o autor ainda está aprendendo a lidar com o crescimento destes dois personagens que foram “eternamente” crianças.

A iniciativa é honesta e interessante, mas não está livre de eventuais escorregadas. A arte de Pichelli é um esforçada em mostrar o multiverso. A ilustradora está claramente fora de sua zona de conforto nesta edição, mas encara o desafio com coragem e determinação. A vilã apresentada aqui tem nível de poder incalculável e, para os leitores de Aranhaverso, há algumas referências e semelhanças a serem notadas. Temos um final bastante empolgante e parece que o título engrena de vez após uma estreia morna.


O que você leu de Marvel e DC nesta semana, Zeronauta? O que mais gostou? Comente abaixo, e até a próxima Amálgama!

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