[#Superman80Anos] A lenda que foi Curt Swan

Se Curt Swan estivesse vivo em 2018, teria 98 anos de idade!


[Nota: Este artigo integra o Superespecial Superman 80 Anos, que fará parte do site até dezembro deste ano. Acompanhem todos os artigos deste especial clicando aqui!]


Todo leitor tem seu desenhista favorito. De todos os tempos ou de um período específico. Pergunte a qualquer fã do Superman no mundo sobre isso e o nome de Curt Swan será dito pela maioria deles. Não é à toa: Swan desenhou o Homem de Aço em diversas revistas por três décadas, imortalizando o visual do herói nos quadrinhos. Seu nome era uma marca tão importante para a DC (inclusive quando os artistas ainda não eram creditados) que, quando Jack Kirby passou a desenhar o herói nas revistas dos Novos Deuses, Al Plastino redesenhava o rosto dele para se parecer com os traços dele e de Swan – saiba mais sobre isso aqui e aqui.

O bacana da participação de Swan na bibliografia do Superman é que ele não está no mesmo nível em que estão John Romita Sr. para o Homem-Aranha ou Jack Kirby para o Quarteto Fantástico, que são nomes marcantes para um determinado período. Swan atravessou eras dos quadrinhos desenhando o personagem como meio de vida, estabelecendo seu estilo como o visual definitivo do herói no imaginário coletivo.

O Superman de Curt Swan.
O Superman de Curt Swan.

Nascido Douglas Curt Swan em 17 de fevereiro de 1920, ele entrou para o exército nos anos 1940 e foi para a guerra, mas para trabalhar como artista. Na Irlanda do Norte o cartunista Dick Wingert viu ele pintando um mural para a Cruz Vermelha e sugeriu que Swan mandasse seu trabalho para a Stars and Stripes, o periódico das forças armadas dos Estados Unidos. Logo ele estava ilustrando histórias, matérias esportivas e mapas para as divisões que estavam aportadas em Londres.

Contudo, sua vida mudou mesmo quando ele conheceu France Herron, escritor e editor de uma editora que futuramente seria conhecida como a DC Comics. Após o término da guerra, Swan voltou para os Estados Unidos e se mudou para Nova York, recebendo a sugestão do amigo de que enviasse alguns exemplos de sua arte para a DC. E deu certo: tão logo ele enviou seu trabalho, foi contratado para fazer uma história do Comando Juvenil.

Página de Superman Annual #10 por Curt Swan.
Página de Superman Annual #10 por Curt Swan.

Sua ética de trabalho logo o fez conseguir mais revistas na DC, inclusive desenhar capas para o título mensal do Superboy, que estava estreando e já fazia sucesso entre leitores mais jovens. Contudo, acima dele estava um editor que gostava de comandar as coisas com mão de ferro, e logo estresse e dores de cabeça começaram a surgir, o obrigando a deixar os quadrinhos e trabalhar no ramo publicitário.

Mort Weisinger não era uma figura fácil. Porém, ele tinha uma visão clara de onde os títulos da DC deveriam chegar – não à toa, foi o maior editor que o Superman teve até hoje. Em seguida, Swan voltou à indústria e abriu o jogo: conversou com Weisinger sobre seus anseios e conseguiu o maior trabalho de todos, desenhar o Superman a partir de 1955, após os bons trabalhos em Jimmy Olsen e Superboy. Este trabalho durou nada menos que 30 anos seguidos.

Swan desenvolveu um Superman com mais ênfase nas expressões faciais e um físico poderoso, mas realista. Mais importante ainda, fez com que o herói sempre parecesse cinético; apesar do visual imponente, o Superman que Curt Swan desenhava nunca parecia parado. Ficou ainda mais realista quando Julius Schartz tornou-se editor da linha de títulos do heróis e extraiu mais qualidades do desenhista.

Todos os títulos da linha do Superman passaram pelas mãos de Swan em algum momento. Alguns clássicos como a primeira corrida entre o Azulão e o Flash, a primeira dobradinha entre Lex Luthor e Brainiac e a clássica história do Superman Azul e do Superman Vermelho (que faz parte deste especial de 80 anos do herói no Terra Zero clique aqui para saber mais) foram desenhados por ele. Ou seja, ao longo de quase quatro décadas de carreira, Swan descreveu muitos dos momentos fundamentais na vida da chamada Superfamília. Aspectos da iconografia do personagem que amamos desde sempre, um Krypton condenado e os céus brilhantes de Metrópolis se tornaram referências que qualquer artista do Superman leva em consideração.

Mesmo que essas histórias tenham sido publicadas em momentos diferentes, o desenho de Swan, atualizado e refinado conforme a época, era facilmente reconhecível. É ainda mais impressionante que no final da Era de Bronze dos quadrinhos, Christopher Reeve viveu o herói nos cinemas e se parecia muito com o Superman que Swan desenhava. Sobre tudo isso, Swan afirmava que o “desenhava como um cara legal, agradável de se ter ao lado”. E parecia assim mesmo.

Acredita-se que muito da própria personalidade de Swan era colocada em sua arte. Alan Moore, lendário escritor britânico, que trabalhou com ele na história inesquecível Superman – O Que Aconteceu ao Homem de Aço? (de 1985), observou isso e chegou a dizer que “[Eu] gostaria de ter perguntado a ele o quanto se identificava com o Superman, quanto dele era colocado lá. Em um nível pessoal, acredito que ele fazia isso; que havia um senso de moral que ele aspirava para si, que desenhava naquelas figuras. Algo difícil de definir, mas alguma essência de si mesmo”.

Os questionamentos do barbudo não são gratuitos. Swan tinha uma ética de trabalho rígida, como dissemos acima, mas também era conhecido nos corredores da DC por sua generosidade, amabilidade e confiança. “Fico muito mais feliz quando vejo um jovem sorrindo com um quadrinho que desenhei nas mãos do que recebendo rios de dinheiro, prêmios e tudo mais”, afirmou certa vez. Não deixa de ser um aspecto do próprio Superman também, não é mesmo?

Capa de Superman #162 mostra os Supermen Azul e Vermelho em arte de Kurt Schaffenberger.
Capa de Superman #162 mostra os Supermen Azul e Vermelho em arte de Kurt Schaffenberger.

“Eu queria mostrar força, é claro, além de robustez e caráter”. Foi o que fez. Por 40 anos. Fora as cenas pastorais do Superboy, que desenhou por 17 dos quase 40 que permaneceu na Superfamília e a retratação da nobreza inerente ao personagem que, acima de tudo, escolheu ser humano. Foram gerações e gerações que acompanharam tudo isso acontecer, em impressionantes 19 mil páginas e capas de quadrinhos.

Infelizmente, tudo acabou em 1986. John Byrne foi contratado pela DC e a editora demitiu Curt Swan. Foi como o ciclo da vida: a “morte” de um deu “vida” a outro. Ou seja, um profissional consagrado estava indo embora para dar lugar a alguém que, naquela empresa e naquele personagem, era um novato. Foi o fim da Era Swan, mas a verdade é que o que ele fez foi tão importante e influente que todo seu trabalho “rockwelliano” com a Superfamília é referenciado por seus sucessores – consciente ou inconscientemente.

Vida longa a Curt Swan!


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