[#Review] The True Lives Of The Fabulous Killjoys – O Futuro é à Prova de Balas

Hoje em dia deve haver alguém que nem se lembre disso, mas Gerard Way, autor de Patrulha do Destino (2016), com Nick Derington, curador do quase falecido selo Young Animal da DC, co-autor dos títulos Cave Carson Has a Cybernetic Eye (2016), com Jon Rivera e Michael Avon Oeming, e Mother Panic (2016), escrito por Jody Houser e desenhado por Tommy Lee Edwards, já foi frontman de uma banda de grande sucesso nos anos 2000, o My Chemical Romance.

Gerard Way. Reprodução.

Em seu primeiro editorial da Young Animal, presente nas últimas páginas da primeira edição de sua Patrulha do Destino, Way descreve que sua adolescência foi marcada por duas coisas: quadrinhos e música. Isso é algo presente na vida de muitas pessoas, incluindo a minha, porém o caso de Way é peculiar já que, ambas as mídias que tornaram sua adolescência menos dolorosa se tornaram, para sempre, um aspecto importante de quem ele é como pessoa e profissional.

Ainda nos anos 1990, Way foi estagiário na DC. Trabalhou diretamente com suas heroínas, Karen Berger e Shelly Bond (quem ele convidou para ser editora de sua estreia em Patrulha do Destino). Além de conviver com Grant Morrison, talvez sua maior influência, na época que a publicação  d’Os Invisíveis (1994-2000) ainda estava em andamento.

My Chemical Romance. Divulgação.

Para quem desconhece completamente o histórico e a discografia do My Chemical Romance, a minissérie The True Lives Of The Fabulous Killjoys, co-escrito por Shaun Simon, desenhado por Becky Cloonan e publicado pela Dark Horse Comics em 2013 poderia parecer o meio de uma história mal contada, não é esse o caso. O quadrinho de seis edições é uma continuação do álbum conceitual (e disco final) da banda. Danger Days conta as desventuras de quatro heróis e uma garotinha de seis anos, sobrevivendo em um deserto pós-apocalíptico, sendo perseguidos pela maligna corporação Better Living Industries e seu melhor agente o SCARECROW Korse (interpretado, nos videoclipes de Na Na Na e SING, por ninguém menos que, ele mesmo, o próprio Morrison).

Grant Morrison. Reprodução.

Kobra Kid, Party Poison, Jet Star e Fun Ghoul se sacrificaram para proteger a garota. Ninguém sabe porquê, muito menos ela. Doze anos se passaram desde a derradeira batalha que fez os Killjoys perecerem. Até hoje a garota percorre o deserto, agora acompanhada de um gato preto, tentando sobreviver. A vida no deserto é precária, às vezes é necessário trocar a refeição do dia por algo simbólico que possa valer um pouco mais do que dinheiro.

A vida em Battery City parece diferente. O cenário muda para um ambiente cyberpunk. Aqui a máxima “alta tecnologia e baixa qualidade de vida” é colocada explicitamente, já que os próprios cidadãos seguem rotinas, suas vidas como tudo estivesse correndo muito bem, apesar da constante sensação de pressão vindo da BLI. Tudo o que a corporação representa é uma mentira e, aparentemente, todos sabem disso, não apenas as pessoas que vivem no deserto. As que vivem na cidade apenas aceitaram o fato de que talvez elas não possam mudar nada.

Página de The True Lives of the Fabulous Killjoys, por Becky Cloonan.

A narrativa de Way e Simon é caótica, e isso é péssimo pra uma primeira edição. Muita coisa acontece e, às vezes, é bem fácil de se perder no meio da leitura. Não dá pra ter certeza da linearidade dos fatos, se certas coisas realmente acontecem. Apesar da narração do DJ Dr. Death Defying, que parece ser onisciente, guiar todo o gibi. A arte de Becky Cloonan compensa, como sempre. Tirando tudo isso do caminho, a edição em si é boa. É convidativa à novos leitores, é uma ótima continuação para quem acompanhava a banda (nesse caso dá até um certo ar de nostalgia) e introduz mistérios interessantes a serem revelados ao longo da minissérie.

Página de The True Lives of the Fabulous Killjoys, por Becky Cloonan.

The True Lives Of The Fabulous Killjoys #1 deixa mais questionamentos do que respostas, caso alguém estivesse procurando por isso. Talvez a criação de um novo grupo de Killjoys seja o que os rebeldes do deserto precisam. Talvez Val, o líder do grupo, e sua irresponsabilidade e inconsequência seja o que vai leva-los ao mesmo fim do grupo original. Talvez os Killjoys originais não eram nada além disso, já que ninguém lembra de como eles eram, além de figuras extremamente idealizadas, nem a garota. Mas talvez ela seja a resposta. Uma figura messiânica que seu propósito ainda não tenha sido revelado. Ou apenas quando DESTROYA cair dos céus, todos eles poderão ser salvos.

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