[#Superman80Anos] Lois Lane e um dia na vida da Mulher-Maravilha

[Nota: Este artigo integra o Superespecial Superman 80 Anos, que fará parte do site até dezembro deste ano. Acompanhem todos os artigos deste especial clicando aqui! ]


Lois Lane e Mulher-Maravilha possuem um histórico. Elas se encontraram várias vezes nos quadrinhos, nas animações e no cinema. Se ajudaram, discutiram, estiveram no meio de eventos impressionantes… Aconteceu de tudo. Inclusive um perfil jornalístico feito para o Planeta Diário, em 2001.

Na história de Phil Jimenez (que na época comandava a revista da amazona), Joe Kelly e Andy Lanning (arte-finalizando o desenho de Jimenez), a esposa do Superman é escalada pela própria Diana para acompanhá-la durante um dia completo de trabalho. E não se trata de trabalho super-heroico; Diana fará seu papel como amazona, representante de Themyscira no mundo, e caberá a Lois cobrir tudo para o Planeta, ainda ela acredite que isso seja uma péssima ideia. Por quê?

Porque há diversos tipos de tensão entre elas. Lois Lane é a esposa do Superman, e seu marido passa boa parte do tempo salvando o mundo com a Mulher-Maravilha. Uma mulher perfeita. Com dois “emes” maiúsculos. O que pode acontecer quando elas estiverem frente a frente?

Sejam bem-vindos a mais um artigo de nosso especial de 80 anos do Superman! Uma matéria bem diferente de outras que produzimos até agora. Afinal, não apenas ele que está completando oito décadas de vida: Lois também está!

Lois Lane e Mulher-Maravilha papeiam em capa de Wonder Woman #170. Arte de Adam Hughes.
Lois Lane e Mulher-Maravilha papeiam em capa de Wonder Woman #170. Arte de Adam Hughes.

Wonder Woman #170

Phil Jimenez estava arrebentando na Mulher-Maravilha nesta época. Ele aterrissou no título mensal dela na edição #164 e já provocava diversas mudanças muito importantes. Seguidor de George Pérez no pensamento e na arte, Jimenez é homossexual e colocou muito de seu pensamento progressista e preconceitos que viveu nas histórias e ações da personagem.

Era 2001, meses antes do 11 de Setembro, e Lex Luthor era presidente dos Estados Unidos no Universo DC. Foi uma movimentação ousada da editora e uma forma de elevar o vilão de forma nunca vista antes em sua cronologia. Curiosamente, após as eleições presidenciais de 2000, ele passou a ser um reflexo da realidade, já que George W. Bush foi eleito como sucessor de Bill Clinton, e havia muita apreensão sobre a política dura que o herdeiro de George H. W. Bush poderia fazer.

Com este pano de fundo e um planejamento editorial que lhe dava abertura suficiente para aproveitar a personagem de forma super-heroica e mensageira, Jimenez preparou Wonder Woman #170 para examinar diversas facetas da amazona. A edição resolveria alguns atritos entre Diana e Lois, mas, mais importante que isso, faria com que a jornalista a observasse e julgasse com os nossos olhos.

Portanto, a fim de mostrar tudo que a Mulher-Maravilha poderia fazer, Jimenez utilizou-se de sua influência “pereziana” e homenageou um clássico dos Novos Titãs. Lembram-se da história A Day in the lives… (que homenageava a música dos Beatles e saiu em The New Teen Titans #8, de 1980)? Jimenez fez o mesmo: um dia na vida da Mulher-Maravilha!

Lois Lane acompanha o dia da Mulher-Maravilha. Arte de Phil Jimenez e Andy Lanning.
Lois Lane acompanha o dia da Mulher-Maravilha. Arte de Phil Jimenez e Andy Lanning.

Lois faz diversas anotações enquanto segue Diana por diversos países e obrigações. Todas envolvem novas formas de enxergar a sociedade e a política, buscando mais igualdade entre gêneros, crenças e práticas econômicas. Do discurso feminista em uma universidade francesa ao discurso na ONU para maior igualdade entre nações, passando por uma reunião particular com Lex na Casa Branca e cuidados especiais com crianças desnutridas na África, Diana tem o papel de Chefe de Estado, mas não deixa de ser uma mulher. É humana. E ela adotou isso como seu melhor amigo, Kal-El, de Krypton.

Destaque também para a participação dela em um talk show matinal que tem a presença de Linda Park, na qual Diana divulga a Fundação Mulher-Maravilha e sua luta para ensinar práticas importantes da Ilha Paraíso à agricultura e economia mundial.

É muito interessante notar como Lois Lane consegue ver a Mulher-Maravilha com “m” maiúsculo e “m” minúsculo. Do orgulho quando uma pequena vitória é conquistada à frustração de ser rejeitada por seus ideais (ou seu amor), Lois percebe tantas nuances em Diana como qualquer outra pessoa possui. Jimenez reflete sobre assuntos que são atuais até hoje, como intolerância religiosa, interesses econômicos de minorias bilionárias, a dificuldade de ser altruísta em um mundo naturalmente cínico e belicoso etc. Lois percebe que, no fim das contas, a amazona é boa demais para qualquer um de nós. Assim como seu marido. E é sobre ele o ato final da história.

Página de Wonder Woman #170, por Phil Jimenez e Andy Lanning. Lois Lane confronta Diana Prince sobre medos e inseguranças.
Página de Wonder Woman #170, por Phil Jimenez e Andy Lanning. Lois Lane confronta Diana Prince sobre medos e inseguranças.

Lois não nega seu ciúme. É compreensível. São muitas as pessoas que apontam a Mulher-Maravilha como “namorada” dele, quando, na verdade, eles são grandes amigos. A repórter a confronta sobre essa afirmação, dizendo que ele também é o melhor amigo dela – e seu marido. Contudo, com diálogos certeiros, que provocam uma conversa franca entre as duas personagens, Jimenez explora a verdadeira natureza de cada uma e, claro, esclarece de uma vez qual é o papel do Superman em cada uma delas – além de reforçar o laço entre as duas e gerar, no final, uma baita perfil da amazona para o Planeta.

Wonder Woman #170 é perfeita por mostrar todas as contradições da vida da Mulher-Maravilha e as dificuldades das duas mulheres em levarem suas vidas. Ela também caracteriza muito bem as duas personagens e mostram diversas de suas facetas e as forças de suas personalidades. É um dos poucos números nos milhares de títulos publicados pela DC em toda sua história que mostra quão insana são as vidas dessas pessoas.

No Brasil ela foi lançada duas vezes: em Defensores nº 4, da Editora Abril (2002) e no encadernado especial Coleção DC 70 Anos nº 3, da Panini Comics (2008). Vale a conferida.

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com