Load e Loud: Rap em Quadrinhos, Representatividade e Exposições

Já ouviu falar da iniciativa Rap em Quadrinhos?

Nas últimas semanas a internet vem acompanhando o novo projeto do Load Comics (Gil Santos) e do Wagner Loud. A dupla resolveu transformar rappers brasileiros em heróis dos quadrinhos. Eles trabalharam em ilustrações de nomes de grandes artistas da música brasileira e fizeram releituras de personagens conhecidos dos leitores de super-heróis.

Load é da zona leste de São Paulo, tem um dos maiores canais sobre quadrinhos em língua portuguesa e sempre teve paixão por misturar o rap com os seus gibis. Ele usa seu canal no Youtube para mostrar que a periferia também deve ganhar espaço nos grandes centros, debater a representatividade e mostrar que as HQs podem conectar pessoas em qualquer lugar que estejam.

Loud é designer e ilustrador, trabalha na Mauricio de Sousa Produções e com toda a parte de identidade visual da banda de hardcore capixaba Dead Fish. Também já trabalhou com Ratos de Porão e outros artistas do meio do HC.

O projeto das capas de rappers brasileiros teve como objetivo criar dez ilustrações misturando artistas nacionais com heróis, mas a recepção tem sido tão positiva, por parte do público e dos homenageados, que os dois já estão pensando em artes extras e em exposições das ilustrações. Tudo isso regado a muita música, óbvio.

Até o momento os artistas homenageados foram: Emicida, Mano Brown, Black Alien, Drik Barbosa, Sabotage e a Negra Li. Veja abaixo as ilustrações.

O Terra Zero conversou com a dupla e eles explicaram um pouco sobre a origem dessa ideia, a influência de Ed Piskor, a facilidade deles em encontrar os rappers em heróis da Marvel e sobre as exposições que eles estão aprontando.

Terra Zero: De onde partiu a ideia de transformar os rappers brasileiros em heróis?

Loud: Nós juntamos duas coisas que gostamos muito que são Rap e histórias em quadrinhos. Aí pensamos: “Se os dois são bons, imagina juntos!?” Acho que todos que estou desenhando são heróis por vários fatores. Viver de música, levar uma mensagem de aprendizado e vivência, mostrar outros caminhos pra molecada etc, etc.. tudo isso é ser herói.

Load: Bom, meu canal já é focado nessa união graças ao Ed Piskor, que é uma grande influencia pra mim. A ideia surgiu quando colei na exposição do Loud no central e conversando com ele pensamos em juntar as duas paixões, a nossa paixão por Rap e por Quadrinhos numa parada única!

Como funcionou a construção de ideias entre vocês dois? Load dá um briefing e o Loud desenha ou existe uma conexão que foi se construindo aos poucos?

Loud: A gente conversa bastante. O Load consegue fazer boas ligações entre o personagem e o herói. Eu troco umas figurinhas e a gente chega numa solução. Depois eu sento e rabisco o final.

Load: Eu vejo como uma criação de um quadrinho mesmo, como se eu fosse o Stan Lee (sem a parte filho da puta rs) e o Loud faz a parte do Jack Kirby. Conversamos muito e eu faço as ligações com coisas que sinto que são interessante. O Loud da umas ideias e unimos tudo, mesma coisa no desenhos ele sempre manda muitooo, mas as vezes tem algo que acho que seria legal ter vejo com ele e entramos numas piras foda e sai coisas bem legais!

Vocês começaram com uma ideia pré-definida de artes e já estão falando em artes extras. Como está sendo essa aceitação na cena dos rappers?

Loud: A gente encara como uma homenagem, um projeto gostoso de fazer, pois são duas coisas que gostamos. Até agora todo mundo gostou e está aceitando bem. Acho que quando a parada é verdadeira e você sabe o que tá fazendo não tem como dar errado.

Load: Cara, louco ver a proporção que isso tomou. Vemos como uma homenagem a artistas que admiramos. Muitos deles entram em contato pra agradecer ou pra saber se sairam nas homenagens. É bem maneiro e gostoso de fazer!

Já tivemos Emicida, Mano Brown, Black Alien, Drik Barbosa, Sabotage e Negra Li… só gente muito boa. Como os artistas estão recebendo essas homenagens?

Loud: Nós recebemos feedback de todos (menos do Sabotage, claro). Eles têm gostado, compartilhado e elogiado, o que é muito maneiro pra gente. O reconhecimento por parte deles deixa a gente mais confiante pra poder fazer mais coisas. O fãs deles também têm curtido muito.

Load: É bem legal ver eles adorando e postando em suas redes, assim como outros artistas que marcam amigos pra ver e pirar juntos!

Basicamente as ilustrações mostram muitos personagens inspirados na Marvel Comics. Isso é pelo motivo da Casa das Ideias sempre ter sido mais “humana” e mostrar melhor as mazelas da realidade?

Loud: Vamos fazer DC também. Mas o lance da Marvel ser mais “humana” ajuda muito na escolha dos personagens.

Load: Na real estamos dando clássicos à Marvel né? (risos) Zoeira à parte, temos algumas ideias que serão com personagens da DC, mas esse negocio da Marvel ser mais humana ajuda bastante a fazer as ligações e ter ideias!

Durante o gerenciamento do Axel Alonso, tivemos muitas capas de quadrinhos inspiradas em álbuns de rappers. Agora, Ed Piskor, um profundo conhecedor do estilo, está escrevendo um gibi dos X-Men. Essas iniciativas serviram de influência no projeto?

Loud: Eu sou muito fã do Ed Piskor. Hip Hop Genealogia é uma HQ de cabeceira, quase. O desenho e pesquisa dele são coisas sensacionais. Com certeza alguma coisa ali nos influencia, sim!

Load: Também sou fã do Ed Piskor. Acompanho muito as coisas que ele faz. Eu já sentia falta de algo assim aqui no Brasil, então fico feliz de conseguir fazer meu canal gerar algo assim. Sinto influências dele no que faço, sim, posso garantir!

Já existe algum convite para exposição do projeto? Vocês têm ideia de levar essas artes para outros lugares?

Loud: Estamos pensando no melhor jeito de expor e levar as artes pro mundo físico. Talvez junto com um bate-papo sobre os assuntos e algum pocket show. Quem sabe?

Load: Um lugar que é certeza que queremos por [as artes] é no Central Panelaço do João Gordo, mas estamos vendo mais lugares e outras coisas além pra dar uma qualidade ótima pra esse projeto!

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