[#TerraZero10Anos] Arqueiro Verde: Flechas na Família Manson e um Especial Eterno

Arqueiro Verde. O quanto esse personagem é amado pelos fãs da DC? Pode parecer que não para quem acompanha este universo mais na TV ou no cinema, mas a verdade é que Oliver Queen é muito querido por leitores de quadrinhos da editora de todas as idades. Desde… muito tempo! Mas nem sempre foi assim.

Até que Dennis O’Neil e Neal Adams revolucionassem o personagem na virada dos anos 1960 para os 1970, quase nada estrelado por ele era relevante. De imitação do Batman a personagem genérico, Ollie passou por maus bocados até se instaurar de verdade no Universo DC. Mostramos tudo isso entre 2010 e 2011 aqui no site, indo de seu início durante a Segunda Guerra Mundial e um dos capítulos mais importantes da vida dele nos anos 1970: uma poderosa história com referências à Família Manson.

O Arqueiro Verde e o Lanterna Verde de Neal Adams.
O Arqueiro Verde e o Lanterna Verde de Neal Adams.

Infelizmente, na época precisamos parar o especial nesse ponto. A ideia era finalizar o período dos anos 1970 e, se o nosso público continuasse interessado, iríamos investir na fase de Mike Grell. Acabou não rolando. Porém, o trabalho não foi em vão. O especial foi concluído em um dos melhores podcasts lá lançados pelo ComicPod. Portanto, o programa de nº 135 dissecou toda a fase O’Neil/Adams e mostrou o poder do personagem e da mensagem que ele passa.

Sendo assim, confiram todo o material que escrevemos , com muito orgulho, e o que se seguiu no podcast, lançado em 2015.

O Especial de 10 Anos do Terra Zero republicará alguns dos maiores textos já lançados aqui. Semanalmente, com a hashtag #TerraZero10Anos. Além disso, teremos um item no menu que redireciona para uma página com todas essas republicações. Não percam – e aproveitem para conhecer nossa história!


ÍNDICE DO ESPECIAL ATÉ O MOMENTO

[Arqueiro Verde] Introdução ao Superespecial
[Arqueiro Verde] Antimonitor: Arqueiro Verde-Fichado!

[Arqueiro Verde] A Criação e anos 1940

[Arqueiro Verde] Nacionalismo, 2ª Guerra e Jack Kirby

[Arqueiro Verde] Pearl Harbor, Sete Soldados e Período Negro
[Arqueiro Verde] Aliens, monstros e o auge da ficção científica
[Arqueiro Verde] Drogas, golpe militar, rock e o ostracismo
[Arqueiro Verde] Flower Power, Dennis O’Neil e Redefinições
[Arqueiro Verde] Protestando com Dennis O’Neil e Neal Adams
[Arqueiro Verde] Uma homenagem a Bob Dylan

Seguindo a faceta criativa de contar uma história fechada por edição a dupla criativa formada por Dennis O’Neil e Neal Adams aproveitam a terceira parte de sua hisória passagem pelo título Green Lantern – já então rebatizado de Green Lantern/Green Arrow – para relembrar dois dos momentos mais vergonhosos da sociedade americana: a Família Manson e a intolerância racial com os índios que já estavam no continente na época da colonização inglesa.

Dentro do contexto cronológico da DC Comics a história é pré-Crise nas Infinitas Terras portanto a Canário Negro ainda era originada da Terra-2, na qual seu marido morreu e a faz partir para a Terra-1 para viver uma nova vida, apaixonando-se então por Oliver Queen. Tendo dito isto já há respaldo o suficiente para falarmos da história em si e das coisas que ela tenta passar aos leitores.

Tudo começa com a Canário Negro sendo machucada seriamente por bandidos locais numa cidadezinha americana que preservou muito do ar de velho-oeste e então ela é levada no colo para ser cuidada por um homem misterioso. Duas semanas depois a coincidência leva nossos heróis para a mesma cidade na qual eles experimentam um belo feijão no restaurante de um índio “urbanizado” e logo os mesmos vândalos que machucaram a Canário aparecem fazendo arruaças locais. Nossos heróis não tardam a vestirem seus uniformes e darem cabo dos vagabundos mas tudo muda de figura quando eles vêem um deles sobre a moto da namorada do Arqueiro Verde. Enfurecido ele perde a razão e quase mata o bandido, não fosse a interrupção de Hal Jordan. Mais tarde eles se encontram com ela por lá, totalmente diferente e quase que hiptonizada. As coisas começam a ficar estranhas.

No meio destes acontecimentos o índio do restaurante demonstra estar avesso à constante presença de brancos lá e por motivos óbvios: o homem branco matou os índios, dizimou sua cultura e cercou os que sobraram em reservas pequenas fechados como animais em jaulas. Apesar da crítica a este fato ser curta na história ela é muito direta e certamente fará o leitor pensar na regra natural do “mais forte” aplicada erroneamente pela raça humana.

Na busca pelos acontecimentos que mudaram o comportamento da Canário Negro os heróis esmeralda descobrem um homem chamado Joshua que lhes mostra uma “família” que vive sob os mesmos ideais de suposta perseverança e bondade. Não tarde para que se descubra que eles usam armas em nomes de Joshua. Vocês devem se lembrar que era assim que a família Manson, do ainda vivo e preso Charles Manson funcionava, a grosso modo. Agindo em fins dos anos 1960 (bem perto da publicação destas histórias) como um “soldado do céu” que ouvia Helter Skelter dos Beatles ele chamou a atenção da mídia por anos com seu culto até acabar pegando prisão perpétua pelo assassinato de Sharon Tate na casa do diretor Roman Polanski, então marido da atriz. Com estes fatos ainda muito frescos na memória da América é claro que O’Neil não perderia a chance de criticar a cegueira e os psicopatas que a sociedade americana gera em seu conto.

Ao tentar libertar sua amada Oliver acaba entrando num conflito sério com a família e é baleado, restando ao Lanterna fazer o trabalho todo de se defender, defender seus amigos e ainda derrubar os membros da família Joshua. O próprio acaba pegando uma arma para matar os heróis mas, por acidente, acaba caindo sobre sua arma e morre instantaneamente com um tiro no peito.

No final, mais uma vez, vemos que apesar da vitória do herói sobre este vilão sabemos muito bem que ela tem um gosto amargo: além de uma vida ser arrancada, a cegueira e o fanatismo continuarão a existir, assim como muitos irão seguir os que propagarem isso. Um “defeito de fabricação” no ser humano, talvez?

O Arqueiro Verde foi criado em 1941 por Mort Weisinger e George Papp, cuja primeira aparição aconteceu em More Fun Comics #73. Originalmente um milionário e ex-prefeito de Star City, a identidade de Oliver Queen foi sendo moldada aos poucos com os anos, tendo começado como uma versão “Robin Hood” do Batman e passando a ter uma voz própria e politicamente progressiva com o passar do tempo. Foi protagonista dos primeiros quadrinhos com temática séria nos anos 1970 sob as mãos de Dennis O’Neil e Neal Adams, evoluindo ainda mais na década seguinte com o autoral Mike Grell.

Oliver chegou a morrer, tendo seu filho Connor Hawke no seu lugar, mas voltou numa saga surreal e divertida de Kevin Smith chamada O Espírito da Flecha. Teve uma revista quase toda escrita por Judd Winick durante 6 anos e hoje está em uma nova fase que relembra um pouco a de Grell.

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