Amálgama #009 – O que aconteceu na Marvel e na DC nesta semana

Bem-vindos à nova edição de Amálgama! Nesta seção você encontra resumões dos principais eventos da semana nos quadrinhos Marvel e DC, publicados às quartas-feiras nos Estados Unidos. Nesta semana, para quadrinhos lançados em 08/08/2018, Igor Tavares e Morcelli falam de:

  • Superman #2
  • Sandman Universe #2
  • Amazing Spider-Man #3
  • Fantastic Four #1

Vamos lá?

Superman #2 (Brian Michael Bendis / Ivan Reis & Joe Prado)

Brian Bendis continua desenvolvendo seu próprio mundo do Superman em Superman #2, lançada ontem e novamente ilustrada pelo brasileiro superstar Ivan Reis. Dando sequência a eventos que ele mesmo criou na minissérie Man of Steel recentemente e utilizando isso como alicerce de sua narrativa, o autor, que chegou há poucos meses na DC, oferece um Superman introspectivo. Há um motivo pra isso: Bendis provocou mudanças drásticas na continuidade do herói e o está obrigando a lidar com isso. Tamanha introspecção e reflexão vem carregada de mais balões de pensamento e menos de falas, o que explica a abordagem do autor até aqui.

Basta alguma observação para saber que tudo isso levará a algo muito maior que o próprio Homem de Aço nas próximas edições. Como o planeta Terra está dentro da Zona Fantasma, a ausência de luz solar e as alterações climáticas e atmosféricas começam a provocar problemas entre meta-humanos – o que deve se estender ao restante da vida terrestre muito em breve. Tendo reencontrado o vilão Rogol Zaar lá dentro, o Superman entra oficialmente em uma corrida contra o tempo para tirar o planeta da Zona Fantasma e derrotar o vilão sem que perca seus poderes.

O Homem-Nuclear em arte de Ivan Reis.
O Homem-Nuclear em arte de Ivan Reis.

Vale destacar a presença do Homem-Nuclear. Vilão de Superman IV – Em Busca da Paz (1987), acaba de ser canonizado nos quadrinhos pelas mãos de Bendis e Reis. Não durou muito, já que estava preso na Zona Fantasma e foi facilmente derrotado por Zaar. Contudo, quando a Terra for extraída deste local e as coisas voltarem ao normal, é bem provável que o personagem escape e se transforme em uma nova ameaça para o Homem de Aço.

Edição mediana, com Bendis ainda precisando entregar um pouco mais de resultado aos fãs, que esperaram tanto por sua chegada.

Sandman Universe (Neil Gaiman /  Dan Watters & Kat Howard & Nalo Hopkinson & Simon Spurrier / Sebastian Fiumara & Max Fiumara & Tom Fowler & Domonike Stanton & Bilquis Evely)

O inimaginável aconteceu: Neil Gaiman (e uma série de outros artistas de altíssimo garbo e talento) voltou ao universo de Sandman. A atitude impressionou um pouco porque, se pensarmos bem, nunca houve uma continuação da obra. Alguns personagens apareceram em quadrinhos do Universo DC (como Daniel e Morte), e em 2013 Gaiman até lançou Sandman: Overture. Contudo, a história era um prólogo, figurando Mofeus novamente como protagonista. Em Sandman Universe, que tem história concebida por Gaiman mas contada por um noneto de quatro escritores e cinco desenhistas, finalmente acompanhamos o que aconteceu a seguir.

Capa de Sandman Universe #1 por Jae Lee.
Capa de Sandman Universe #1 por Jae Lee.

Daniel, o novo Sonho, está desaparecido. Sua ausência do Sonhar provoca fissuras na estrura do reino e causa uma avalanche de eventos de desembocarão nas novas revistas deste universo (The Dreaming, House of Whispers, Books of Magic e Lucifer). Portanto, Sandman Universe tem diversos objetivos a cumprir. Felizmente a revista tem páginas suficientes para isso, ainda que a execução do conjunto deixe um pouco a desejar.

Um desses objetivos é trazer Sandman de volta à atenção do público. Reviver o interesse dos consumidores e fãs que existiam e que podem existir a partir deste lançamento. Funcionou parcialmente. Como muitos personagens e histórias precisaram ser apresentados, há tramas muito mais interessantes que outras.

Outro objetivo é nos mostrar como está o Sonhar agora, no momento em que estamos vivendo. Algumas coisas não mudaram, enquanto outras são absolutamente novas. Neste  ponto a revista foi mais feliz, equilibrando bem o conhecido com o desconhecido. Ganhamos uma nova personagem, Dora, que tem muito potencial para se desenvolver em The Dreaming.

Sendo assim, Sandman Universe é parcialmente bem-sucedida em termos de roteiro, mas como o capítulo é apenas introdutório talvez haja bastante interesse pelos futuros novos títulos. Principalmente porque o lado visual das novas revistas são todos impecáveis – de verdade, Gaiman e o editorial da DC/Vertigo fizeram uma seleção impressionante, um dream team de artistas que fará dessas revistas algo visualmente memorável.

The Amazing Spider-Man #3 (Nick Spencer / Ryan Ottley)

Você, fã do Aranha, achava que o personagem estaria livre de alguma mudança esdrúxula de status quo nesta nova fase?

Achou errado, otário!
Achou errado, otário!

Nick Spencer ataca novamente e separa poder e responsabilidade neste primeiro arco do título principal do amigão da vizinhança.

Capa de Amazing Spider-Man #3 por Ryan Ottley.
Capa de Amazing Spider-Man #3 por Ryan Ottley.

Sim! Temos dois Peter Parkers desde a edição 2, mas nesta edição 3 é que descobrimos todos os pormenores desta “separação”. Um novo Homem-Aranha, que é somente poder bruto e piadas ruins, surge na Marvel, enquanto um Parker sem suas habilidades tem de lidar com uma vida mundana. Spencer começa a brincar com o boneco mais valioso da Casa das Ideias e faz valer a pena acompanhar sua ideia estranha de separar o homem do super-herói.

Fantastic Four #1 (Dan Slott / Sara Pichelli)

O momento que os fãs da primeira família da Marvel tanto aguardavam chegou. O Quarteto Fantástico está (mais ou menos) de volta na primeira edição de Fantastic Four, de Dan Slott, Sara Pichelli, Simone Bianchi e Skottie Young.

Esta primeira edição tem praticamente zero ação e muito da temática familiar envolvendo o elenco. Slott intencionalmente não coloca vilões, nem propõe um tema muito grandioso (ainda). Isso pode decepcionar muitos leitores. Porém, a intimidade do autor com Benjamin Grimm, Johnny Storm, Alicia Masters e até Wyatt Wingfoot é impressionante. As cenas de diálogo servem para reapresentar – e principalmente, assegurar – que o roteirista conhece as vozes com as quais está lidando.

Capa de Quarteto Fantástico 1 por Esad Ribic.
Capa de Quarteto Fantástico 1 por Esad Ribic.

Você pode reclamar, sim, que não há um grande gancho ou acontecimento aqui, mas vale lembrar a corajosa decisão do Coisa em relação a Alicia logo nesta edição de estreia. Algo marcante para o casal. A arte de Pichelli é irretocável e tem a aura despojada e alegre que este tipo de quadrinho precisa. O final tem uma frase muito bonita de Reed, que sintetiza bem a relação do casal Richards. Não é uma estreia espetacular, mas mostra que Slott sabe com o que está lidando (elenco e elementos da mitologia) e ficamos no aguardo do tema do primeiro arco.


O que você leu de Marvel e DC nesta semana, Zeronauta? O que mais gostou? Comente abaixo, e até a próxima Amálgama!

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