Steve Ditko morre aos 90 anos, deixando para trás um legado imortal

Steve Ditko foi encontrado morto em seu apartamento, conforme noticiado há algumas horas pelo The Hollywood Reporter e diversos outros veículos. Neste momento seu falecimento já é conhecido por todos os membros da indústria de super-heróis, que estão se pronunciando sem parar nas redes sociais. Principalmente no Twitter, onde o nome do lendário artista figura em primeiro lugar nos Trending Topics mundiais.

A data exata da morte dele não foi estabelecida, mas seu corpo foi encontrado no dia 29 de junho. Ou seja, o homem que deu vida a personagens como Homem-Aranha, Dr. Estranho, Besouro Azul (Ted Kord), Speedball, Garota-Esquilo, Rapina & Columba e tantos outros está morto há pelo menos uma semana, mas os fãs, infelizmente, só estão sabendo hoje. Como o artista nunca se casou oficialmente e, até onde se sabe, não deixou herdeiros, tendo mantido um círculo minúsculo de amigos nos últimos anos de vida, é bem difícil saber o que ele deixou para trás.

Uma das poucas fotos públicas de Steve Ditko. Ao lado a capa de Amazing Fantasy #15, com o surgimento do Homem-Aranha em arte dele.
Uma das poucas fotos públicas de Steve Ditko. Ao lado a capa de Amazing Fantasy #15, com o surgimento do Homem-Aranha em arte dele.

Ainda que Ditko tenha produzido quadrinhos até o fim de sua vida (vendidos de forma independente, através de um agente e catálogos), as pessoas ainda se lembram dele principalmente por Homem-Aranha e Dr. Estranho, suas criações (feitas ao lado do autor e editor Stan Lee) mais famosas até hoje. Ditko forneceu todo o visual de Peter Parker e Stephen Strange e de seus respectivos alter egos, com extrema criatividade e liberdade.

Quando Lee afastou-se um pouco do processo criativo para focar no lado editorial após a explosão da Marvel no mercado, Ditko passou a ter mais controle sobre as histórias, ainda que as desavenças entre ele e Lee começassem a ficar cada vez piores. Falamos muito sobre isso em nosso ComicPod especial sobre o Dr. Estranho, onde explicamos também a filosofia sob a qual Steve Ditko viveu toda sua vida (o Objetivismo de Ayn Rand) e como suas criações o moldaram – e vice-versa.

Mr. A, a criação absoluta de Steve Ditko em sua própria arte.
Mr. A, a criação absoluta de Steve Ditko em sua própria arte.

Lee e Ditko deixaram de se falar por muitos anos. Ditko nunca explicou seu lado publicamente, enquanto Lee alegou não saber o que de fato aconteceu. Sempre se acreditou que Ditko ficou frustrado com a supervisão de Lee, enquanto este nunca lhe creditou de forma apropriada nos quadrinhos que faziam. Especialmente quando se fala de Homem-Aranha e o Doutor Estranho. Lee sempre se vendeu como o rosto carismático da Marvel, e Ditko, assim como outra lenda, Jack Kirby, acharam que o autor estava mais interessado em se autopromover, não merecendo, portanto, ficar com tantos créditos pelo que a Marvel passou a ser.

Recém-saído da Casa das Ideias, em 1967, Steve Ditko criou o que, provavelmente, é seu personagem mais importante: Mr. A. Ele incorpora toda a filosofia objetivista de Ayn Rand, de quem Ditko passou a ser um grande seguidor nessa época. O Questão, Rapina e Columa e o Rastejante, personagens que o autor criou para a DC na mesma época, também carregavam fortes elementos desta vertente filosófica.

Tornou-se recluso muito cedo, sendo visto raríssimas vezes dos anos 1970 para cá. Ainda que seu pequeno estúdio em Manhattan fosse um lugar conhecido, ele negava visitas e recusava entrevistas, inclusive com o boom de seus personagens no cinema nos últimos 15 anos. Foi assim até o fim.

A possível única foto de Steve Ditko em seus últimos momentos. Foi tirada recentemente pelo pessoal da TerrifiCon, que foram até seu estúdio para convidá-lo para participar do evento. Foram devidamente expulsos.
A possível única foto de Steve Ditko em seus últimos momentos. Foi tirada recentemente pelo pessoal da TerrifiCon, que foram até seu estúdio para convidá-lo para participar do evento. Foram devidamente expulsos.

Apesar disso, engana-se quem acha que Ditko era mal educado ou grosso. Na verdade, ele apenas vivia rigorosamente a filosofia que escolheu para sua vida, mas respondia os fãs sempre que recebia um contato. Fazia questão de responder em cartas, com sua própria letra. Nada de computadores ou máquinas de escrever. Muitas dessas cartas podem ser encontradas online com uma rápida busca no Google Images, mas fica aqui um belo exemplo, do autor Gerry Duggan, com quem Ditko conversou vez ou outra:

Graig Weich, um quadrinista, foi, provavelmente, o último amigo de Steve Ditko. Ambos começaram a se aproximar ano passado, e Graig passou a frequentar o estúdio do artista com certa recorrência. Segundo ele, Ditko estava sempre com uma boina e bem vestido, como se tivesse saído dos anos 1940. Ainda nas palavras de Graig, o quadrinista produziu até o último momento da sua vida, mas não se sabe quanto de trabalho ele deixou a ser publicado.

Conversando com o THR, Graig afirmou que chegou a perguntar a Ditko sobre seu relacionamento atual com Stan lee. “Nós estamos em paz”.

Por fim, fica aqui a homenagem deste redator a este gênio da indústria de quadrinhos norte-americana. Cliquem para conferir a thread completa:

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