[#Review] Homem-Formiga e A Vespa: Um pequeno-grande filme

Embora façam parte da formação original dos Vingadores, tendo feito parte do supergrupo da Marvel na maioria de suas encarnações, o Homem-Formiga e a Vespa nunca foram heróis do primeiro escalão da Casa das Ideias. Talvez por ser quase uma “tela em branco”, o filme do Homem-Formiga foi um dos primeiros a ser desenvolvido pelo estúdio, até mesmo antes do filme do Homem-de-Ferro.

O primeiro longa do herói tardou pra sair, envolvendo algumas confusões nos bastidores que resultaram na demissão de Edgar Wright, um dos diretores mais queridos de Hollywood, passando a bola para Peyton Reed, que tocou a direção do filme até o final. Confusões à parte, o primeiro Homem-Formiga foi um sucesso e arrecadou mais de 500 milhões de dólares, o suficiente para cobrir com folga os 130 milhões de seu orçamento e garantir uma continuação.

Homem-Formiga e a Vespa chega aos cinemas com duas missões dificílimas. A primeira, obviamente, é superar seu antecessor; já a segunda, é preencher a lacuna deixada pela ausência do personagem em Vingadores: Guerra Infinita. E Peyton Reed tira de letra em ambos os casos. O diretor, que agora assume total responsabilidade pelo filme, opta por um caminho diferente daquele que estamos acostumados a ver nos filmes da Marvel Studios, e entrega um filme, com o perdão do trocadilho, menor e mais autocontido, com ameaças mais locais e particulares.

Diferente dos vilões megalomaníacos e com poderes parecidos com os dos heróis, em Homem-Formiga e A Vespa, boa parte dos conflitos que ocupam o roteiro residem nas vidas pessoais de seus personagens.

Evanline Lily e Paul Rudd em cena de Homem-Formiga e a Vespa. Créditos: Disney/Marvel Studios.
Evangeline Lily e Paul Rudd em cena de Homem-Formiga e a Vespa. Créditos: Disney/Marvel Studios.

Peyton entrega talvez o filme mais família de todo o MCU e isso vai além dos tradicionais quatro quadrantes tão almejados pelos executivos. A família aqui é a palavra-chave e a força-motriz do filme. Desde a busca de Hope Van Dyne (Evangeline Lilly) e Hank Pyn (Michael Douglas) por Janet Van Dyne (Michelle Pfeiffer), a Vespa original que está perdida no Reino Quântico, até os dilemas de Scott Lang (Paul Rudd), em prisão domiciliar por ter quebrado o Acordo de Socovia, e sua família, passando pelo desejo da pequena Cassie (Abby Ryder Forston) em ser parceira de seu pai no combate ao crime e pelas motivações da vilã Fantasma (Hannah John-Kamen), tudo gira em torno da família.

Mas a maior força de Homem-Formiga e A Vespa, também é seu ponto mais fraco. O roteiro com tramas paralelas demais, mesmo que todas levem ao mesmo ponto, acaba se perdendo em alguns momentos. O filme carece de um roteiro mais enxuto e, mesmo que assumidamente despreocupado e não se levando nada a sério, se torna cansativo em alguns momentos com algumas idas e vindas, principalmente aquelas envolvendo o MacGuffin que conecta e move todas as subtramas. A vilã e sua motivação é outro ponto fraco do filme, como já se tornou tradição em boa parte dos filmes do MCU, desperdiçando um ótimo visual, mesmo que seus poderes ainda resultem em boas cenas de luta, que Peyton soube aproveitar muito bem.

Imagem promocional de Homem-Formiga e a Vespa.
Imagem promocional de Homem-Formiga e a Vespa.

O diretor também faz uso de suas origens na comédia para criar as situações mais malucas e incríveis envolvendo os superpoderes no filme. A abordagem quase cartunesca de Peyton, transforma a ação em uma comédia slapstick dos desenhos animados, resultando em cenas memoráveis como aquela que se passa na escola da filha de Scott. A piada aqui funciona de maneira orgânica, uma vez que a franquia é aquela mais assumidamente cômica do MCU, mais até que a space-opera Guardiões da Galáxia, com o humor funcionando como parte do roteiro. Mérito também do elenco que está muito à vontade e apresenta uma ótima química, com suas personalidades marcantes servindo de escada, um para o outro, o tempo todo para que as piadas preencham a tela o tempo todo, quase sempre no timming perfeito.

Ainda que Homem-Formiga e A Vespa seja um filme menor do Marvel Studios, a ausência de pretensão em torna-lo algo mais do que uma aventura super-heróica para toda a família, seu elenco e seus personagens carismáticos atribuem a ele méritos que ultrapassam suas qualidades técnicas e cinematográficas, mais aquém de seus companheiros de estúdio, mas que ainda assim garantem a diversão e as risadas com uma aventura no melhor estilo Sesão da Tarde. É bom ver a Marvel conseguindo rir de si mesmo e fazendo com o que o espectador também ria com aquela segunda cena pós-créditos.

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