[#Análise] Dissecando Noite de Trevas – Metal, da Panini: Edição 1

Chegou a hora! Noite de Trevas – Metal aterrisou no Brasil, trazendo consigo uma das histórias mais importantes do Batman publicada nos últimos anos. Ela reúne a dupla Scott Snyder e Greg Capullo, ausentes do Morcego (como equipe criativa) desde o final de sua passagem pelo título mensal do herói nos Novos 52. Enquanto Snyder continuou escrevendo Batman mensalmente em Grandes Astros: Batman, Capullo estava só se preparando para o que viria a seguir.

Trazida pela Panini ao nosso país (como não podia deixar de ser), Noite de Trevas – Metal é uma saga que se assemelha a Crises e outros eventos cósmicos que os fãs da DC conhecem muito bem. Contudo, Snyder e Capullo centram sua narrativa no Batman, caracterizado aqui como uma versão ainda mais poderosa (física e psicologicamente) e obcecada que a de seu homenageado, Grant Morrison.

Batman de Grant Morrison é grande influência para Noite de Trevas - Metal. Artes de Andy Kubert e Chris Burnham.
Batman de Grant Morrison é grande influência para Noite de Trevas – Metal. Artes de Andy Kubert e Chris Burnham.

Quem acompanhou as histórias de Snyder durante e depois dos Novos 52, sabe que o autor é grande fã do escriba escocês, e gosta não somente de homenageá-lo mas também de utilizar os conceitos que ele implantou no personagem durante sua passagem entre 2006 e 2013. Portanto, não se assustem com a “fodeza” deste Batman e a presença de seres sobrenaturais, como Barbatos, o deus-morcego.

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Noite de Trevas – Metal é uma HQ de detetive, em que Batman e o legado de Carter Hall, o Gavião Negro, farão toda a diferença. O mistério? Desvendar por que Bruce Wayne está sendo vigiado há milhares de anos por algumas entidades de um Multiverso Sombrio. O volume inicial da saga, lançado pela Panini por acessíveis R$ 20,90, contém as HQs Dark Days: The Forge, Dark Days: Casting e Dark Nights: Metal #1.

As capas originais das revistas presentes em Noite de Trevas - Metal nº 1. Artes de Jim Lee e Greg Capullo.
As capas originais das revistas presentes em Noite de Trevas – Metal nº 1. Artes de Jim Lee e Greg Capullo.

Vamos analisar cada uma delas:

Dark Days: The Forge

Esta primeira edição poderia facilmente ser o capítulo inicial da saga. Contudo, é apenas um prólogo. Foi escrita de forma competente por Snyder e James Tynion IV e possui diversas referências a momentos da cronologia do Universo DC. Logo de cara podemos trazer a Crise nas Infinitas Terras a essa discussão, já que este é um dos primeiros easter eggs a aparecer – e um dos mais significativos. A palavra Crise tornou-se sinônimo de eventos importantes no Universo DC toda vez que é evocada, e em Metal não é diferente. Um dos Imortais até a pronuncia em determinado momento da HQ.

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A torre que o Batman acessa através de uma instalação sua na Fortaleza da Solidão é originária da Crise nas Infinitas Terras. Ela é conhecida por ser um artefato cósmico, uma estrutura construída por um dos Monitores (na época só havia um, como bem sabemos) para combater a destruição provacada pelo Anti-Monitor – uma dessas também foi construída por Alexander Luthor (da Terra-3) durante a saga Crise Infinita (de 2005).

A torre cósmica da Crise original vista em Noite de Trevas - Metal. Arte de JRJR.
A torre cósmica da Crise original vista em Noite de Trevas – Metal. Arte de JRJR.

Já que o Multiverso da DC é composto por Terras alternativas que vibram em frequências diferentes, o Batman coletou esta torre justamente para descobrir a frequência vibracional do Multiverso Sombrio que ele descobriu. Isso aconteceu com a ajuda do Sr. Incrível – com as idas e vindas dele à Terra 2, partículas vibracionais desta frequência puderam ser obtidas por eles. O encontro entre eles para falar sobre isso acontece na Batcaverna. Lá descobrimos, pouco depois, que Batman mantém escondidos o Homem-Elástico e o Coringa!

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Aliás, vamos explicar isso melhor: nossa descoberta sobre o Coringa acontece em um momento cronológico diferente. Na verdade, Snyder e Tynion IV mostram que estão preparados para lidar com um elenco grande e de peso nessa história, pois o lanterna verde Hal Jordan é convocado pelo guardião do universo Ganthet para investigar algo estranho e misterioso em um setor da Terra. A localização exata? A Batcaverna! Lá, habitada naquele momento apenas por Duke Thomas, Jordan descobre o Coringa em uma outra Batcaverna, escondida, por um portal, dentro da Batcaverna original – coisas do Batman de Snyder.

Homem-Elástico, a arma secreta do Batman. Arte de JRJR.
Homem-Elástico, a arma secreta do Batman. Arte de JRJR.

Esse Coringa parece saber muita coisa sobre o metal enésimo e os mistérios dos Gaviões e do Multiverso Sombrio. Parecia que ele estava relacionado àquela história dos três Coringas que Geoff Johns plantou na edição especial do Renascimento, mas não é o caso. Snyder contou em entrevistas que o papel do Palhaço do Crime aqui tem mais a ver com sua habilidade de narrar e explicar a obsessão do Batman com artefatos que remetam imortalidade. O tema não poderia ter mais a ver com Snyder, cuja passagem pela mensal do Morcego revelou o Coringa clamando imortalidade e Bruce Wayne usando o metal dionesium para ressucitar os dois após suas mortes. O elemento é referenciado na conversa entre Jordan, Thomas e Coringa, inclusive.

As perguntas que ficam são: quem é esse Coringa? Será que é do Multiverso Sombrio? Uma anomalia cósmica?

O misterioso Coringa de Noite de Trevas - Metal. Arte de Jim Lee.
O misterioso Coringa de Noite de Trevas – Metal. Arte de Jim Lee.

Enquanto isso não é resolvido, podemos curtir a presença de outros personagens e easter eggs que deixam claras as ramificações que Noite de Trevas – Metal terá quando acabar:

  • Os Renegados: Descobrimos que eles existem neste universo pós-Renascimento, agindo como um time black-ops do Batman. Estão lá os membros da formação original, criada por Mike W. Barr e Jim Aparo nos anos 1980: Metamorfo, Raio Negro, Katana, Geoforça e Halo;
  • Sr. Milagre e Sr. Incrível: Dois grandes personagens, de quem o Batman (e os autores, é claro) se aproveitam muito bem;
  • Falcões Negros: Surgidos na Era de Ouro dos quadrinhos para batalharem na Segundo Guerra Mundial, esses pilotos foram revividos algumas vezes desde então, com destaque para a Lady Blackhawk (que é mencionada aqui). Sua aparição mais recente foi em Grandes Astros: Batman, de Snyder, onde eles não estavam lutando de verdade (ainda que sua verdadeira motivação seja misteriosa). O Batman não parece nada feliz com os ataques secretos contra ele recebidos do grupo;

Outra coisa bacana são as tribos, representadas na HQ por suas iconografias. As três tribos existentes no Universo DC (lobo, urso e gavião) ganham uma quarta, a do morcego, referenciando mais uma vez o trabalho de Grant Morrison – deve-se destacar também que os lobos produziram Anthro, o primeiro garoto da Terra, e que esse clã também era o lar do famigerado Super-Chefe (lembram dele?). A tribo dos pássaros tem ligação tanto com Carter como com a Corte das Corujas, reforçando o laço dessa simbologia com o Batman. Os Imortais vieram da tribo dos ursos.

Como tudo isso é representado em um passado longínquo, nos lembramos automaticamente de quando, na Crise Final, Bruce Wayne voltou ao passado, na alvorada da humanidade, e deixou sua marca pelas cavernas.

Página de O Retorno de Bruce Wayne por Chris Sprouse.
Página de O Retorno de Bruce Wayne por Chris Sprouse.

Notem também a linguagem utilizada na HQ. Snyder e Tynion fizeram questão de utilizar palavras como “negro”, “trevas” e “sombrio” sempre que fosse cabível. Isso serviu para acrescentar atmosfera à história ao mesmo tempo em que presta respeito à natureza do protagonista e deixa todos preparados para a chegada do tal Multiverso Sombrio.

Dark Days: The Casting

Já que a edição anterior desenvolveu bastante o subplot do Batman, Casting investe mais no Gavião Negro e sua extensa mitologia. Em vez das histórias dos Gaviões começarem como as conhecemos, com suas mortes no Egito, Casting refaz esse período. Segundo ela, o antigo vilão Hath-Set realmente roubou o passado dos dois. Contudo, como retaliação, os Gaviões reuniram outros imortais e criaram alianças inesperadas.

No presente, Batman recebe outro metal importante: uma espada da Mulher-Maravilha, que é passada para Talia al Ghul e revelada como detentora do Poder de Shazam. Duke Thomas e Hal Jordan ainda estão na Batcaverna e conseguem derrotar o Coringa, apenas para o Batman voltar até lá mais tarde e conseguir reativar sua “máquina da imortalidade”, algo que vimos durante a passagem de Snyder pela mensal do herói.

Como Casting traz referências mais complexas e que exigem detalhamento, vamos checar todas elas através das páginas da HQ. A numeração usada aqui é a brasileira:

Os Gaviões em arte de Andy Kubert.
Os Gaviões em arte de Andy Kubert.

41-Ao contrário do que se imagina, principalmente para fãs mais novos, St. Roch (que é uma espécie de versão de Nova Orleans) só surgiu na Era Moderna dos quadrinhos da DC. Apareceu pela primeira vez em 2002 em Hawkman #1, criada por Geoff Johns e James Robinson, quando Carter voltou para a Sociedade da Justiça. Por outro lado, o personagem era um arqueólogo desde a Era de Ouro, o que foi mantido;

Shiera apareceu na primeira história do Gavião, mas ela só vestiu a roupa cerca de 1 ano depois. Aqui também há referências a Nabu, Kandhaq, Adão Negro e Sr. Destino. Todos esses personagens se conectam de alguma forma, mas isso não é importante para este momento de Noite de Trevas;

42-Algumas coisas bem claras aqui. O demônio que faz rimas? Etrigan. O homem tão antigo quanto a América? Tio Sam, criado pelo lendário Will Eisner em 1940. Há uma referência ao Parlamento das Árvores também, mas nada muito concreto;

44-46-Batman continua sua busca por metais especiais, como vimos na edição anterior. Desta vez ele encontra a Mulher-Maravilha na Grécia. Há uma conversa sobre figuras mitológicas gregas, mas é bom lembrarmos que tudo isso foi colocado um pouco de lado na versão Renascimento da Amazona; isso foi mais importante durante a passagem de Brian Azzarello pelo título da heroína. De qualquer forma, Diana entrega a Lâmina do Sol a Bruce, a espada de Apolo – importante lembrar que Apolo é mais conhecido por ser um arqueiro. Talvez isso tenha a ver com o próprio Apolo da DC, do Stormwatch/Authority, cujos poderes, assim como o Superman, são originados de sua exposição a raios solares. A espada é de Metal Oitavo, relacionado diretamente ao Metal Enésimo;

Arte de Noite de Trevas - Metal nº 1 por JRJR.
Arte de Noite de Trevas – Metal nº 1 por JRJR.

48-Esse papo de “Morcego por trás do Morcego” certamente faz referência a Barbatos, o demônio-morcego que vimos pela primeira vez em uma HQ do Batman de Peter Milligan e que foi reutilizado por Grant Morrison. Em seguida, Scott Snyder tomou para si esse conceito. Conheçam mais sobre ele em uma matéria especial do Terra Zero clicando aqui;

51-Nesta página descobrimos que o Gavião Negro e a Moça-Gavião passaram boa parte do século 20 dando suporte aos Falcões Negros e aos Desafiadores do Desconhecido. Snyder reúne todos esses personagens já pensando no planejamento pós-Noite, ou seja, no retorno destes personagens à cronologia atual da DC, seja em seus próprios títulos ou não. Bacana notar que ele usa datas do mundo real para explicar ascensão e decadência de alguns desses ícones. Por exemplo: a “aposentadoria” dos Gaviões acontece com a SJA, em 1951; os Desafiadores só conseguiram desenvolver seus trabalhos em meados de 1950 (1957 no mundo real);

53-Batman encontra Dubbilex no Deserto de Sonora! Para quem não sabe, este local existe de verdade e é onde o esquadrão de caças da Segunda Guerra Mundial se perde no começo do filme Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Steven Spielberg. Legal, né?

O tal “drive sombrio” nada tem a ver com o Multiverso Sombrio. Na verdade, é o tipo de traquitana que poderia estar no tal Arquivo de Casos Inexplicáveis de Grant Morrison, mais uma vez. Era o arquivo de objetos e causos que Morrison criou para explicar as aventuras malucas de ficção científica de Batman e Robin nos anos 1950 e 1960.

Carter, os Desafiadores e os Falcões. Arte de Andy Kubert.
Carter, os Desafiadores e os Falcões. Arte de Andy Kubert.

Fazia tempo que Dubbilex não aparecia. Pena que durou pouco. Ele foi criado por Jack Kirby nos anos 1970, como parte do Cadmus e do Projeto DNA. Foi o protótipo para a criação/chegada dos Novos Deuses e do Quarto Mundo, a maior contribuição do Rei para o Universo DC. Cadmus, OMAC e outras coisas que Kirby fez para a editora na época foram mudando aos poucos, aparecendo inclusive em outras mídias com propósitos diferentes.

62-70-Quando as subtramas de Casting começam a colidir, algumas coisas que antes tínhamos como possibilidades começam a ficar mais claras. Logo de cara o Coringa solta a palavra “crise”, deixando qualquer dúvida para trás.

Na página 63, Snyder parece estar implicando que, da mesma forma que existe uma versão do Superman em todas as Terras do Multiverso (que por sinal se reuniram em Crise Final para combater o mal absoluto), também existem versões diferentes do Batman que, de certa forma unidas, provocam o equilíbrio entre luz e escuridão no Multiverso. Será?

Podemos ver que a máscara do Pirata Psíquico está ali, algo que foi obtido pelo Morcego durante a passagem do escritor Tom King pelo título dele. Como o personagem é o único que se lembra da Crise original e do Multiverso pré-Crise, pode ser que algumas loucuras espaço-temporais surjam daí – e talvez, quem sabe, uma conclusão harmoniosa para essa conturbada história.

Por fim, os Bat-cultistas revelam que estão “preparando” o Batman, trazendo à tona de novo aquele papo de que Barbatos é, de certa forma, “pai” do Batman – ou dos Batmen.

Agora vamos para o prato principal!

Dark Nights: Metal #1

A Liga da Justiça utilizar armaduras para batalhar não é exatamente uma novidade. Na minissérie JLA Classified: Cold Steel (inédita no Brasil), cada membro da equipe usa armaduras de batalha para enfrentaram um mal que está no espaço. Contudo, isso é mero detalhe e apenas ilustra o início da primeira edição da minissérie. O importante aqui é perceber que Carter continua sua narração, respeitando a tradição estabelecida nos dois especiais anteriores.

Arte de JLA Classified: Cold Steel por Chris Moeller.
Arte de JLA Classified: Cold Steel por Chris Moeller.

86-89-A montanha dos Desafiadores, sumida há muito tempo, agora foi transportada por Snyder para Gotham City, o que mantém sua tradição de reaproximar diversos conceitos do Universo DC do Homem-Morcego. Antigamente ela ficava no Colorado.

Obviamente, o anel de Hal Jordan detecta alguma energia estranha lá dentro e os heróis descobrem os Desafiadores originais lá dentro. Criados por Jack Kirby, Dave Wood e Joe Simon, eles são Prof. Haley, June Robbins, Rocky Davis, Red Ryan e Ace Morgan. Destaque também para a revelação da nova iteração de Kendra Saunders como líder desta releitura dos Falcões Negros, quem o Batman denomina como “uma espécie de equipe secreta antiapocalíptica” que o estava vigiando. Isso acontece em Forge e edições passadas de Grandes Astros: Batman. Há uma razão para isso.

Arte de Noite de Trevas - Metal nº 1 por Greg Capullo.
Arte de Noite de Trevas – Metal nº 1 por Greg Capullo.

90-91-Um pouquinho de história: Kendra Saunders foi criada por David S. Goyer e James Robinson em 1999. Era a nova versão da Moça-Gavião. Nos Novos 52, apareceu primeiro na Terra-2, assim como o Tornado Vermelho, que está aqui na Ilha dos Falcões Negros. Novamente ela é a mais nova reencarnação de Chay-Ara, ou seja, cronologicamente ela tem mais proximidade com a continuidade pré-Flashpoint.

Sobre a Ilha dos Falcões, ela existe nos quadrinhos desde 1941 e ficava no Oceano Atlântico. Na década seguinte, quando os personagens passaram a ajudar os japoneses, passou-se a ter o Pacífico como lar deles, o que dura até agora. Noite de Trevas – Metal estabelece agora que essa também era a base de operações de Carter Hall, o que faz certo sentido.

92-95-Muito bacana essa volta ao passado que Snyder proporciona. Há muitas referências aqui e para amarrá-las, o autor escolheu Carter Hall como epicentro. Reuniu, portanto, os antigos Falcões Negros, uma das versões do Starman (Will Payton, criada nos anos 1980 por Roger Stern e Tom Lyle – ganhou HQ própria, que saiu no Brasil em DC 2000, da Ed. Abril), Will Magnus e os Homens-Metálicos, F.U. Turo e o Tornado Vermelho e os Desafiadores originais. Todos tentaram descobrir a origem do Metal Enésimo (entre outras aventuras).

Flash e Kendra conversando só comprovam o que desconfiávamos desde o começo da saga: que este metal veio do outro lado do planetário multiversal – o lado sombrio ou Multiverso de Trevas! Enquanto Kendra explica para a Liga o que ela descobriu em anos de pesquisa temos a informação do que motivará Metal como um todo: a teoria dela é a de que “um ser mais antigo que o universo tem vigiado o Batman há milhares de anos, de um Multiverso de Trevas”, como diz o próprio Superman. Descobrimos também que era isso o Batman vinha investigando nos últimos meses nas histórias escritas por Snyder.

Arte de Noite de Trevas - Metal nº 1 por Greg Capullo.
Arte de Noite de Trevas – Metal nº 1 por Greg Capullo.

96-97-As referências do Tornado Vermelho a um dragão podem estar relacionadas à Bíblia e ao Apocalipse 12:3-4:

[3] E viu-se outro sinal no céu; e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas. [4] E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho.

O dragão era Satã, derrotado por um exército de anjos. Vamos deixar isso de lado por enquanto, mas talvez seja útil no futuro. De qualquer forma, falando nesses seres, o Batman usa um dos dragões da Ilha para escapulir de lá e deixar seus colegas se virando com Kendra e o ataque do Tornado. Agora ele precisa encontrar respostas para o puríssimo Metal Enésimo que tem em mãos.

98-102-Aqui o bicho pega! Batman está voltando à Batcaverna para investigar o Metal Enésimo enquanto temos o vislumbre do elmo do Sr. Destino falando sobre as versões horripilantes do Morcego que veremos mais adiante na saga. A outra pessoa falando parece ser tanto John Henry Irons como um dos Homens-Metálicos – é melhor esperar para termos certeza, não é mesmo?

O diário de Carter, que está nos dando informações desde o início, finalmente correlaciona a Casa dos Wayne a Barbatos. Ele nos revela que a tribo do morcego é a tribo de Judas (olha a Bíblia aí novamente!) e prevê um ataque em massa daqueles que seguem a divindade. Segundo ele, a culpa é do filho da Casa dos Wayne (Bruce, no caso, não Damian). Convergindo tudo que vimos até agora de forma coesa e misteriosa, a história de detetive ganha uma conveniência e uma surpresa. A conveniência? Batman encontrar o diário de Carter em seu próprio lar. A surpresa? Vejam vocês mesmos:

Daniel, ou Sonho, de Sandman, em Noite de Trevas - Metal nº 1 por Greg Capullo.
Daniel, ou Sonho, de Sandman, em Noite de Trevas – Metal nº 1 por Greg Capullo.

Veredito:

Bombástica e recheada de referências, esta primeira edição da saga vem dotada de diversos elementos interessantes e ricos para qualquer fã da DC, em qualquer instância. Ainda que às vezes incomode tudo neste universo convergir para o Batman, deixando a DC cada vez mais presa a ele, a batuta de Snyder não caiu nesta bem conduzida história. Por enquanto ela está fazendo jus ao que o autor prometeu: é uma história de detetives, acima de tudo. E um time de artistas formado por Andy Kubert, John Romita Jr., Jim Lee e Greg Capullo certamente não deixa a desejar também. Resta saber se a série manterá o pique pelos próximos encadernados.

Em breve falaremos do volume 2, já lançado pela Panini em todo o país. Fiquem ligados!

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