DC: Dança das cadeiras, Geoff Johns, demissões e o futuro do grupo

Estamos de volta!

Enquanto o Terra Zero esteve de “férias forçadas” bastante coisa aconteceu no mundo dos quadrinhos. Porém, na semana em que planejávamos voltar à programação normal, o mundo desabou sobre nossas cabeças.

A Warner Bros. e todas as suas empresas afiliadas estão passando por mudanças gigantescas (que aparentemente ainda não acabaram), e nós vamos analisar as repercussões de tudo isso.

Logo de cara já podemos falar da dança das cadeiras que rolou na DC Entertainment nos últimos dias. Diane Nelson pediu demissão do grupo depois de passar alguns meses afastada do cargo de presidente, posição que dividia com Geoff Johns. Os motivos apontados para sua saída não foram esclarecidos. Quanto a Johns, ele também deixou os cargos de presidente e de diretor criativo para se tornar parceiro da Warner.

Geoff Johns deixou a DC Entertainment para fundar sua própria produtora.
Geoff Johns deixou a DC Entertainment para fundar sua própria produtora.

O caso Geoff Johns

Ele criou a produtora Mad Ghost Productions e terá um selo na DC para criações próprias e novas histórias no universo compartilhado da editora, que envolverão, principalmente, o querido Shazam. O nome do selo é The Killing Zone, cujo foco será abordar personagens de menos apelo comercial que os medalhões. O logotipo dele é bem sugestivo, aliás:

Logotipo da Killing Zone é uma homenagem ao logotipo da DC utilizado nos anos 1990.
Logotipo da Killing Zone é uma homenagem ao logotipo da DC utilizado nos anos 1990.

Munido dessa nova abertura com a Warner, é esperado que Johns tenha um papel mais importante nas produções televisivas e cinematográficas a partir de agora. Dada sua experiência com, principalmente, a série de TV do Flash, os roteiros escritos para Smallville, a supervisão de Mulher-Maravilha, ao lado da diretora Patty Jenkins e, claro, os anos como assistente do aclamado diretor Richard Donner, a Warner pode fazer bom uso dessa terceirização. A questão que fica é: será que ele e sua produtora serão capazes de pôr nos trilhos um universo tão tortuoso como o DCEU é no momento?

Há evidências positivas e negativas.

Positivo: Johns tem boas relações com Toby Emmerich, o cabeça das produções na Warner que envolvem a DC no momento. Como terceirizado, Johns pode apostar em ideias mais inovadoras para estabelecer melhor o nome de sua produtora no mercado e, futuramente, assumir outros tipos de projetos. Isso sem contar sua experiência de décadas no âmbito dos quadrinhos, tanto na parte de supervisão de conteúdo como na de criação;

Negativo: Ele já esteve envolvido com o cinema antes (Lanterna Verde, Liga da Justiça) e, ainda que suas participações em cada projetos sejam misteriosas (em especial porque Johns era um funcionário da DC/Warner com limites específicos dentro de seu cargo), rumores recentes (e não confirmados, como de praxe) indicam que ele foi responsável por muita coisa ruim no DCEU nos últimos anos, datando desde Batman vs Superman.

Diz-se que ele não queria, de forma alguma, que a cena da Mulher-Maravilha lutando na Terra de Ninguém durante a Primeira Guerra fosse para o corte final do filme, mas Jenkins conseguiu inseri-la depois de muita luta. Nada disso foi comentado por nenhuma das partes envolvidas. Enquanto isso, Wonder Woman 1984 está sendo filmado neste momento (as primeiras fotos já começaram a sair) e Johns está envolvido como roteirista e produtor.

Gal Gadot está de volta para Wonder Woman 1984. Filme tem roteiro de Geoff Johns.
Gal Gadot está de volta para Wonder Woman 1984. Filme tem roteiro de Geoff Johns.

Seus outros projetos para os próximos meses e anos são:

Three Jokers: Geoff Johns e Jason Fabok explicarão como há três Coringas no Universo DC pós-Renascimento, algo que o próprio escritor estabeleceu dois anos atrás;

Shazam: O Capitão Marvel original finalmente terá novas histórias. A iteração do personagem criada após os Novos 52, feita pelo próprio Johns, será a dessa revista. Ela é a mesma que vai para os cinemas em abril do ano que vem;

Batman Terra Um – Volume 3: Essa ainda não tem data para sair, já que Johns e o desenhista Gary Frank ainda estão se desenrolando para terminar Doomsday Clock;

Doomsday Clock: Espera-se que a dupla consiga finalizar a minissérie mesclando o Universo DC e Watchmen ainda neste ano;

Titans/Doom Patrol: As séries de TV que vão inaugurar o serviço de streaming da DC têm supervisão total de Johns. Ele tem grande experiência com os Novos Titãs dos quadrinhos, e é esperado que faça um grande trabalho com os personagens por não ter as amarras de canais de TV abertos;

The Flash: Johns é criador da série e continua sendo creditado como produtor;

Tropa dos Lanternas Verdes: O novo filme dos Lanternas Verdes, um reboot do original, será escrito e produzido por Johns. David S. Goyer abandonou a produção há algum tempo, deixando espaço aberto para Johns aplicar toda sua experiência de uma década escrevendo e revolucionando esta parte do Universo DC. Hal Jordan e John Stewart serão os personagens principais da trama e é esperado que o filme saia em 2020.

Shazam: Boa parte da produção de Shazam já foi finalizada pelo diretor David F. Sandberg. Agora começa a fase de pós-produção. Johns está supervisionando tudo, já que a abordagem do filme será a mesma que ele deu nos quadrinhos em 2012. Ele está creditado como produtor do filme;

Wonder Woman 1984: Como dito acima, o roteiro do filme foi escrito, em partes, por ele;

Aquaman: Desnecessário dizer o quanto Johns se envolveu no filme de James Wan que estreia em dezembro. Ele foi responsável fazer o personagem emergir (o trocadilho é proposital) entre os grandes durante os Novos 52 e certamente teve palavras decisivas na produção do longa.

Demissões e os Novos Cargos

Há poucas horas, Ethan Van Sciver oficializou sua demissão da DC. Ele estava trabalhando com a editora há 14 anos ininterruptos, com foco no universo dos Lanternas Verdes, que ajudou a redefinir, com Geoff Johns no comando, a partir de 2004. O desenhista já vinha tendo problemas com a editora por causa das políticas internas de funcionários sobre como se expressar em redes sociais a respeito de certos assuntos, e agora deixou a major de vez para trabalhar na sua independente Cyberfrog.

O projeto, que começou nos anos 1990 como a primeira grande publicação de EVS (lançada na época pela editora Harris Comics), está voltando via crowdfunding. O desenhista já arrecadou impressionantes 187 mil dólares na campanha. Avesso ao que considera um “movimento politicamente correto nos quadrinhos americanos da atualidade”, EVS trabalhará por conta a partir de agora, principalmente após as polêmicas nas quais esteve envolvido nos últimos meses.

Além disso, como dito anteriormente, Diane Nelson, a pessoa que curiosamente chamou a atenção do artista por seu o comportamento, pediu demissão da DC Entertainment. Thomas Gewecke, responsável anteriormente pelo conteúdo digital da DCE, assumiu o cargo provisoriamente. Enquanto isso, com a saída de Geoff Johns dos cargos que tinha previamente, Jim Lee tornou-se o novo diretor criativo da DC. Dan DiDio continua sendo publisher e, até onde se sabe, Bob Harras ainda é editor-chefe, ainda que seu papel soe um pouco decorativo. A bem da verdade, desde que assumiu esse papel, Harras pouco influenciou nos caminhos editoriais tomados pela DC nos últimos anos.

Bob Harras - editor-chefe (ou não).
Bob Harras – editor-chefe (ou não).

O que muda para os fãs?

A curto prazo? Pouca coisa. A médio e longo prazos? Provavelmente bastante coisa. Como a editora já está seguindo um plano editorial estabelecido há algum tempo, não teremos grandes mudanças nas páginas das HQs publicadas nas próximas semanas. Isso vale para os filmes que já estão em estágio avançado de desenvolvimento. É no futuro que as coisas vão mudar.

A parceria entre a Warner e a produtora de Geoff Johns dará maiores subsídios para que ele insira mais sua visão nas futuras produções envolvendo personagens da DC. Quando conversou com o Terra Zero em 2013, no FIQ, Johns explicou que ele encontrava ideias e referências para construir o futuro baseado no passado na sua coleção de mais de 5 mil quadrinhos antigos da editora. Hoje esse número é maior, certamente.

Johns é um fã, mas é um fã com poder criativo dentro de um dos maiores conglomerados de entretenimento do mundo, que agora também terá financiamento da bilionária das telecomunicações, a AT&T. E se antes ele estava dentro do círculo especial de criadores da DCE como funcionário direto, hoje ele é um terceirizado, dono de suas próprias regras de negociação, com acesso a tudo que existe lá dentro. É o maior passo de sua carreira. Muitos dos produtos que a DC lançará a partir de agora terão a sua cara.

Portanto ele finalmente sera o “Kevin Feige da DC”? Improvável, já que suas obrigações incluem outras frentes e, para todos os efeitos, ele “virou PJ”. Mas não é impossível.

Quanto ao resto das mudanças, tudo tem inclinações positivas (menos a saída de Diane Nelson, uma das arquitetas do Renascimento e uma voz de poder na hora de discutir a igualdade dentro e fora do mundo dos super-heróis); Jim Lee provou por a + b que é bom em gerenciar talentos e suas ideias quando estava na WildStorm, o que pode ser exponencialmente multiplicado com sua nova posição. O futuro de Harras ainda é misterioso, mas o provável é que ele continue tendo o mesmo papel de agora: quase nenhum.

Por fim, fiquem com uma thread do Brunão explicando a lambança toda das produções da DC desde Lanterna Verde até agora (cliquem para lerem tudo que ele disse):

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com