Capa de Lendas do Homem de Aço: Curt Swan - Volume 1 com a Saga do Sandman original e completa.

[#Superman80Anos] Lendas do Homem de Aço: Saga do Sandman chega ao Brasil

[Nota: Uma versão prévia deste texto foi originalmente publicada em abril de 2013. Seu objetivo era comentar a Saga do Sandman original, até então quase inédita no Brasil. O Terra Zero o republica agora, com algumas correções, diversas alterações e informações adicionais, como parte do Superespecial Superman 80 Anos, que fará parte do site até dezembro deste ano. Acompanhem todos os artigos deste especial clicando aqui!]


Cortada no Brasil pela Editora Abril mas finalmente publicada aqui pela Panini editora em Lendas do Homem de Aço: Curt Swan – Volume 1, a chamada Saga do Sandman do Superman é um de seus maiores marcos. Além de ser a primeira história sob editoria de Julius Schwartz e ter dado o pontapé inicial na Era de Bronze, a história também edificou uma versão visionária do super-herói, ilustrando-o com menos poderes e com uma personalidade mais dominante e menos insegura.

Esta versão do herói foi adotada por John Byrne, em 1986, em sua minissérie O Homem de Aço, mas ela foi primeiramente imaginada por Dennis O’Neil 15 anos antes.

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Querendo deixar de vez o clima camp de suas histórias em fins dos anos 1960, a DC viu o grande Mort Weisinger se aposentar e o não menos talentoso Schwartz assumir a editoração da linha “Super” de títulos. A partir daí, uma série de mudanças foram acontecendo de 1968 até 1971, quando O’Neil assumiu o título homônimo do Homem de Aço. Enquanto isso, o rei dos quadrinhos, Jack Kirby pegou revistas marginalizadas conectadas ao herói (Superman’s Pal Jimmy Olsen e Superman’s Girlfriend Lois Lane) para iniciar a criação do conceito do Quarto Mundo, tida como sua maior colaboração dentro da editora – saiba mais sobre ela ouvindo nosso ComicPod especial acerca do tema.

Com a Saga do Sandman, a DC e Dennis O’Neil mostraram um nível de maturidade mais elevado para o personagem, mesclando mistérios, mudanças de personalidade e de paradigmas para o herói que era considerado um deus num panteão de fantasiados.

O objetivo dela história era levar o Superman de volta às suas origens, tendo menos poderes e mais esperteza. Sendo assim, a DC foi encorajada a divulgar a primeira edição da história, Superman #233, como se fosse o marco inicial de uma nova revista chamada The Amazing New Adventures of Superman, já que a capa estampava esta chamada e mostrava um número “1” gigante ao lado. Na verdade, o objetivo era mostrar aos leitores que aquela edição servia de start para uma nova direção com o Homem de Aço – além de deixar claro que aquela era a revista em quadrinhos mais vendida dos Estados Unidos (o que era verdade).

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O’Neil começa sua história de forma típica para seu estilo e para o período: um cientista tenta um grande experimento com kryptonita para transformar a pedra que faz mal ao Superman em uma forma alternativa de energia. Todavia, o experimento dá errado e tem efeitos colaterais bem curiosos; o Superman é irradiado de tal forma que deixa uma marca de seu vulto na areia onde o experimento ocorria e toda a kryptonita da Terra perde seu poder, tornando-se apenas meras pedras verdes. O Superman não pode mais ser ferido (a não ser por magia).

No entanto, o que ninguém envolvido naquele experimento percebeu é que o vulto de areia criou vida e se transformou num ser vivo, mesmo arenoso e mudo. Concomitantemente, Clark Kent é realocado profissionalmente para âncora televisivo da WBGS, a rede de notícias que engloba o Planeta Diário e é comandada pelo homem de duvidoso caráter, Morgan Edge.

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Durante a história o autor deixa claro que este novo Superman tem menos recursos, pois a cada encontro com o ser arenoso seus poderes são diminuídos. Por outro lado, sua personalidade humana se desenvolve e amadurece, posicionando Clark Kent e seu alter ego num equilíbrio perfeito.

A qualidade do trabalho de O’Neil, especialmente nesta época, é quase imune a críticas. O autor estava em sua melhor época como criador, escrevendo um Superman diferente de todos os autores que o precederam, mas não menos interessante ou menos icônico. Hoje, mais de 40 anos depois da publicação original desta saga, a narrativa continua dinâmica, com um texto interessante e uma arte de emocionar do grande Curt Swan. Ver a história completa no Brasil, com o lápis desta lenda no formato original é um presente para superfã nenhum botar defeito.

Confiram a prévia completa da versão nacional da Saga do Sandman logo abaixo, publicada nesta mês em Lendas do Homem de Aço: Curt Swan – Volume 1 e recolorida de forma a parecer “retrô”:

No fim da saga O’Neil apresenta o novo Superman: um alienígena com apenas 1/3 de seus poderes originais e personalidade dominante. Ainda que o catalisador de toda esta mudança seja caricato (um experimento científico típico dos quadrinhos camp), a diversão da aventura somada à identificação do leitor com a nova persona de Clark Kent e ao recém descoberto equilíbrio pessoal do herói resultam numa fórmula de sucesso invejável.

Era o início de uma nova era. Ou quase isso.

Apagando o que O’Neil fez em apenas um edição

Apesar do grande passo que a DC deu para remodelar seu maior ícone em algo mais moderno e palatável para o público pós anos 1960, a editora temeu em deixar seu grandioso passado pra trás, pedindo então que o popular Cary Bates assumisse a revista e voltasse tudo pra trás logo na edição seguinte (Superman #243). O temor da DC partiu principalmente por parte dos fãs mais antigos – e consequentemente mais fieis – que gostavam dos conflitos cósmicos e do nível de poder infinito do herói.

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Sendo assim, logo no início da história Bates faz o Superman ter uma aventura no espaço absorver a explosão de uma supernova como se fosse parte de seu cotidiano. A Sandman Saga estava oficialmente apagada da cronologia, mas a DC viria a se arrepender da decisão e aceitar a sugestão de John Byrne de refazer o herói àquela imagem após a Crise nas Infinitas Terras.

Em 1992, o veterano e aclamado Walt Simonson fez uma homenagem à história na revista Superman Special.