Frank Miller: Autor revela que estava errado sobre Occupy Wall Street

Frank Miller estava com ódio em 2011. No ano em que os Estados Unidos conseguiram encontrar e matar Osama bin Laden e que os atentados de 11 de Setembro completaram 10 anos, Miller conseguiu lançar sua aguardada graphic novel Holy Terror!. A HQ era um projeto originalmente planejado com o Batman, no qual o Homem-Morcego enfrentaria soldados da Al-Qaeda após os atentados. Por problemas entre a proposta de Miller e a DC, a HQ tornou-se um projeto autoral, ainda que o personagem dela assemelhe-se profundamente com o Homem-Morcego.

Na época, o Terra Zero falou abertamente sobre o quadrinho, analisando como a raiva e a frustração de Frank Miller estavam influenciando profundamente suas criações, inclusive a ponto de atrapalhar sua narrativa e seus objetivos.

Ainda naquele ano, houve o Occupy Wall Street. Chamado também de OWS, a série de protestos aconteceu “contra a desigualdade econômica e social, a ganância, a corrupção e a indevida influência das empresas – sobretudo do setor financeiro – no governo dos Estados Unidos” (descrição da Wikipédia). Frank Miller foi contra ela, o que gerou animosidades entre ele e Alan Moore. Na época, o quadrinista estadunidense disse que “movimento não passa de um bando de teimosos, bandidos e estupradores, uma cambada de indisciplinados, vivendo da nostalgia de Woodstock e de falsa honradez. A única coisa que esses palhaços conseguem é fazer mal à América”. Moore discordou.

Alan Moore e Frank Miller. Foto divulgação.
Alan Moore e Frank Miller. Foto divulgação.

Conversando com o jornal The Guardian, o inglês barbudo condenou a bibliografia de Miller, a classificando como misógina, homofóbica e “completamente equivocada”. Moore reforçou o pensamento dizendo que eles “têm pontos de vista diametralmente opostos sobre todos os tipos de coisas, especialmente sobre o movimento Ocuppy”. Outra coisa que ele disse na entrevista era que o protesto foi feito de forma inteligente e sem violência, o que talvez deixasse Frank Miller ainda mais desgostoso. “Se fosse um bando de jovens sociopatas com máscaras do Batman, talvez ele gostasse mais”, atacou.

Mas este tempo se foi. O Miller de 2011 e de Holy Terror! é bem diferente do quadrinista dos últimos anos. No Brasil em 2015 e 2016, o lendário autor estava mais tranquilo e recuperando-se de uma doença grave. Ele fez muitos elogios ao país no Twitter e revelou diversos planos para o futuro, inclusive Superman: Year One, que foi oficializada pela DC recentemente. Ver Miller escrevendo o Superman e prometendo criar algo que faça justiça às suas origens já mostra o quanto ele está diferente. Mas o que ele pensa hoje sobre o Occupy?

Divulgação de Cavaleiro das Trevas 3 e foto de Frank Miller tirada por volta de 2014.
Divulgação de Cavaleiro das Trevas 3 e foto de Frank Miller tirada por volta de 2014.

Conversando ele mesmo com o próprio The Guardian desta vez, Miller revelou que repensou muita coisa. Confiram o que ele disse:

Meus trabalhos sempre representam o que eu estou passando. Sempre que eu olho para qualquer um dos meus trabalhos, posso sentir qual era a minha mentalidade [na época]. Quando eu olho para Holy Terror!, o que não faço muitas vezes, posso realmente sentir a onda de raiva saindo das páginas. Há lugares onde é sanguinário.

Mas não quero voltar e começar a apagar os livros que fiz. Eu não quero acabar com os capítulos da minha própria biografia. Mas eu não sou capaz de lidar com esta publicação hoje.

[Sobre o Occupy] Eu não estava pensando claramente quando disse aquelas coisas.

Parece que ele realmente mudou. E está focando sua energia nos trabalhos: a segunda edição de Xerxes: Fall of the House of Darius sai nesta semana nos Estados Unidos. Superman: Year One sai ainda neste ano, com arte de John Romita Jr..

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com