Welcome to the New World: HQ é 1ª a ganhar Pulitzer desde Maus

Na semana passada a graphic novel Welcome to the New World ganhou um prêmio Pulitzer. É o primeiro quadrinho a vencer a prestigiada premiação desde que Maus conseguiu este feito em 1992. Porém, a categoria na qual este quadrinho foi vencedor é a de Cartum Editorial, algo sem precedentes na premiação. Ainda mais interessante é o fato de a obra de Jake Halpern e Michael Sloan ter sido primeiramente publicada de forma seriada no jornal The New York Times.

Welcome to the New World conta a história real de Jamil e Ammar, dois irmãos sírios que chegaram aos Estados Unidos um dia antes das eleições presidenciais de 2016. Halpern, ligado na crise humanitária que a Síria enfrenta há anos, queria captar os pensamentos e conflitos de famílias que chegassem ao país com esperanças de uma vida melhor. Ele deixou de participar do processo eleitoral para receber esta família no aeroporto. No dia seguinte, Donald Trump foi eleito.

“Eles estavam empolgados, mas também com tristeza. Muitos de seus familiares foram deixados para trás”, afirmou o jornalista. “E logo em seguida, Trump foi eleito. Eles chegaram com os Estados Unidos de um jeito e acordaram no dia seguinte em um país completamente diferente”, complementou.

Quadrinho de Welcome to the New World desenhado por Michael Sloan.
Quadrinho de Welcome to the New World desenhado por Michael Sloan.

O desejo de Halpern, que escalou o desenhista Michael Sloan para transformar sua ideia em narrativa sequencial, era entrevistar e acompanhar o desenrolar da família em solo americano para transformar tudo isso em uma HQ. Curiosamente, o New York Times é conhecido, na verdade, pela sua falta de quadrinhos, mas Halpern conseguiu colocar este material lá, graças também a um dos editores do jornal, Bruce Headlam.

Em uma época em que imigrantes ao redor do mundo são tratados com indecência e falta de humanidade, a realidade da HQ Welcome to the New World pode fazer as pessoas pensarem. É este o objetivo de seus criadores. E se isso não for o bastante, as histórias de Jamil e Ammar transcedem o conflito sírio e sua fuga de lá: elas são representações da humanidade moderna e o estado de conflito sem fim do Oriente Médio.

Ainda não há previsão para a chegada desta obra ao Brasil.

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