[#Superman80Anos] Como foi chegada de Brian Bendis ao Superman?

Ontem, o Superman comemorou 80 anos de vida. À nossa própria forma, celebramos esta data tão especial. Por uma coincidência incrível do destino (mas o mais provável é que tenha sido um planejamento invejável), a DC teve a chance de colocar no mercado, em um natural New Comic Book Day — os dias em que novos quadrinhos saem por lá, ou seja, às quartas-feiras –, a histórica 1000ª edição de Action Comics, a revista em que o personagem surgiu em 1938.

Apesar de ela possuir diversas histórias interessantíssimas, com artistas muito diferentes e cheios de ideias, o grande destaque dela é marcar a chegada de Brian Michael Bendis ao Universo DC. Sua primeira experiência na editora? Escrever o Superman! Ao lado dele estão os veteranos Jim Lee e Scott Williams na arte, com cores de Alex Sinclair, que trabalha comumente há anos com a dupla.

Este trio de artistas visuais já participaram de outros grandes momentos da DC moderna, como o surgimento dos Novos 52 e arcos de muito sucesso da década passada, como Batman: Silêncio e Superman: Pelo Amanhã. E o que eles fizeram desta vez?

Os 80 anos do Superman em variante de Action Comics #1000 por Patrick Gleason.
Os 80 anos do Superman em variante de Action Comics #1000 por Patrick Gleason.

Apesar de todos saberem que Kal-El e a Kara Zor-El são os últimos filhos de Krypton, vira e mexe alguém altera este elemento da historicidade do Homem de Aço em benefício de criatividade narrativa. Aliás, esta é uma característica comum da bibliografia de Bendis, e quem esperava que ele fizesse diferente quando assumisse o Superman… passou longe.

Com 12 páginas nas mãos para desenvolver sua estreia, Bendis criou um novo vilão – o alienígena Rogol Zaar, cujo nome foi baseada em uma das médicas que cuidou de seu tratamento ano passado – e estabeleceu logo de cara um novo elemento no conhecidíssimo passado de Krypton. Uma explosão natural do planeta? Nem tanto. Bendis plantou um mistério nesta edição que coloca Zaar como responsável pela destruição do mundo natal do Homem de Aço, alegando agir como uma espécie de “limpador racial” que age única e exclusivamente para acabar com kryptonianos. Por quê? Ainda não está claro. Qualquer semelhança com Superman: Terra Um, de JMS e Shane Davis, não deve ser mera coincidência.

Supergirl participa muito rapidamente da revista. Apanhando, na verdade, o que é uma pena. A personagem é mais popular do que nunca e poderia ter uma participação um pouquinho mais relevante na HQ. De qualquer forma, sua presença deixa claro que o Superman de Bendis terá todo o superelenco nas histórias que virão.

Página da Action Comics #1000 de Brian Bendis. Arte de Lee, Williams e Sinclair.
Página da Action Comics #1000 de Brian Bendis. Arte de Lee, Williams e Sinclair.

Outros elementos típicos da narrativa de Bendis também estão presentes, principalmente um em especial. Sim, os diálogos rápidos e espertos entre personagens estão lá. No caso, estão nas bocas de duas mulheres em um café que tentam esconder o Superman do monstro que o persegue. A discussão entre elas gira em torno da volta da cueca vermelha ao uniforme. Ela deveria estar lá? Será que o Superman deixa de ser quem é quando perde esta simbologia? “Mas espera, a cueca não é um símbolo de esperança ou algo assim?”. Os diálogos são meio bobos e engraçados, mas refletem um papo honesto entre nerds falando sobre o personagem. É Bendis sendo Bendis.

Ainda há muito a ser revelado. Certamente há ceticismo em torno do que o autor pode fazer com um personagem que, a princípio, não tem muito a ver com ele. Contudo, julgar toda a proposta de alguém com a experiência de Bendis por apenas uma história 12 páginas é um pecado. Há muito a ser desenvolvido por trás do mistério principal, da origem do vilão e de como a superfamília será utilizada a partir de agora. Onde está Jonathan? O que aconteceu com o Filho do Homem de Aço? Há muito a ser respondido.

Página da Action Comics #1000 de Brian Bendis. Arte de Lee, Williams e Sinclair.
Página da Action Comics #1000 de Brian Bendis. Arte de Lee, Williams e Sinclair.

De qualquer forma, Bendis is here. Agora nos resta acompanhar o que ele fará. O saldo, por enquanto, é regular. Ele criou uma história perfeita para Jim Lee fazer o que sabe de melhor e mostrou sua cara na DC. Fora isso, o resto é mistério. A história continuará em DC Nation #0 no mês que vem, com uma prévia da minissérie semanal Man of Steel, desenhada pelo lendário José Luis Garcia-López.

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