Cobertura Terra Zero: Festival Guia dos Quadrinhos 2018

Mais uma vez o Terra Zero pôde comparecer em uma edição do já tradicional Festival Guia dos Quadrinhos. Em sua edição 2018, o evento, que começou como um mercado de pulgas entre colecionadores que frequentam regularmente o site de colecionadores Guia dos Quadrinhos, está mais robusto e se mantém no Club Homs, na Avenida Paulista, atraindo fãs e artistas de todos os tipos em um local de facílimo acesso.

Contudo, apesar de diversos eventos de cultura pop acontecerem em São Paulo ao longo do ano, o Festival Guia dos Quadrinhos tem uma abordagem bem diferente. Por acontecer em um local relativamente pequeno e ser fruto de um clássico mercado de pulgas que acontece desde 2009, o encontro tem um ar intimista e muito amigável. Mesmo com a presença de lojas importantes como a Comix (a maior do país) e a Comic Hunter, especializada em importados e algumas raridades, o que realmente diferencia este evento dos outros é a reunião de fãs e artistas como iguais.

Um detalhe interessante de se notar é como a organização do Festival soube aproveitar bem o pequeno mas arrojado espaço disponível no primeiro andar do Club Homs. O auditório e a sala onde a Comix ficaram eram bem próximas ao salão principal, que tinha pessoas falando no microfone o tempo todo. Mas mesmo assim, os dois lugares eram bastante silenciosos, deixando muito bom o aproveitamento dos diferentes ambientes disponíveis.

Apesar da cara mais intimista do evento, o Festival também teve sua dose de cultura pop mais abrangente, seja com o quiz nerd, promovido por Mauricio Muniz, ou com os já tradicionais presentes vestidos de cosplay. Nada mais tradicional em um evento de cultura nerd, que ainda teve espaço para uma singela mas muito bonita homenagem para o veterano artista Octavio Cariello, com uma exposição de alguns de seus originais mais importantes e uma biografia logo na entrada do evento.

No ambiente principal, mesas com mais de 30 artistas diferentes vendiam seus quadrinhos ao lado de lojas das mais diversas partes de São Paulo ao mesmo tempo em que fãs trocavam quadrinhos entre si no melhor estilo mercado de pulgas. Ou seja, a tradição clássica de colecionadores foi celebrada com a pompa merecida em mais uma divertida edição do Festival Guia dos Quadrinhos, que se estabelece como uma alternativa acessível e divertida para fãs da nona arte participarem do circuito de eventos de alguma forma.

Vertigo 25 Anos

O grande destaque do evento foi a celebração de 25 anos da Vertigo. Para isso, o Festival Guia dos Quadrinhos preparou um painel especial com três pessoas que tiveram muita experiência com o selo no Brasil: Cassius Medauar (JBC), Leandro Luigi Del Manto (Devir) e Sidney Gusman (Mauricio de Sousa Produções). Infelizmente, Fabiano “Oggh” Denardin, editor do selo no Brasil desde 2009, quando a Panini assumiu sua publicação, não estava presente, o que deixou o papo um pouco mais saudosista, mas não menos interessante. O trio compartilhou dezenas de histórias sobre a chegada da Vertigo no Brasil e como eles se viraram para publicar estas primeiras HQs por aqui.

Apesar de diversas delas serem publicadas no Brasil na medida do possível entre o início dos anos 1990 e 2009, Sandman foi o assunto principal. Não tinha como ser diferente. Todos eles tiveram experiências com a criação máxima de Neil Gaiman e tinham muito o que contar, principalmente sobre as edições da Conrad, editadas por Gusman, que vinham carregadas de material extra produzido exclusivamente no Brasil. Gaiman tem essas edições como suas favoritas.

Capa do livro Vertigo: Além do Limiar, vendido no Festival Guia dos Quadrinhos.
Capa do livro Vertigo: Além do Limiar, vendido no Festival Guia dos Quadrinhos.

Preacher também foi discutido, pois os palavrões que estão no material original precisaram ser traduzidos com todo o cuidado possível aqui. Segundo Del Manto, o cuidado era traduzir de uma forma que o palavrão tivesse a intensidade necessária mas não fosse puramente vulgar. Além disso, a maldição da série, que passou por diversas editoras sem chegar ao final (só foi finalizada pela Panini nesta década por aqui), também foi discutida.

Outras obras de alta importância para o selo como Invisíveis, de Grant Morrison, e Monstro do Pântano, de Alan Moore, também foram comentadas. Contudo, devido ao tempo curto da mesa, momentos importantes da Vertigo como Transmetropolitan (originalmente, um quadrinho do finado selo Helix) e O Inescrito ficaram de fora, apesar de Escalpo, uma das mais recentes e celebradas obras do selo ter sido brevemente comentada pelos apresentadores.

Para finalizar, vale comentar o lançamento do livro Vertigo: Além do Limiar, criado por Edson Diogo, criador do Guia dos Quadrinhos e de seu Festival. A obra celebra as duas décadas e meia do selo com diversos textos informativos e artes exclusivas de diversos nomes nacionais e internacionais, como Karen Berger, Jamie Delano, Jenette Kahn e Paul Levitz. De alta qualidade, o lançamento também prova que o Festival tem capacidade de gerar seus próprios produtos, e como tal concorrer, à sua própria forma, com outros eventos pelo país.

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