Guerra Infinita (Ou: como um filme reviveu o adolescente morto em mim)

Quando fui assistir a Logan, o filme olhou para o meu eu-de-13-anos e falou: “tudo vale a pena, mas acaba”. Percebi que eu havia envelhecido com o Wolverine e que talvez estivesse velho para essa coisa de filmes de heróis.

Não parei de ver nem acompanhar nenhum lançamento, mas a empolgação da juventude não estava mais do meu lado. Era mais uma questão de analisar e torcer para que algum filme trouxesse algo de novo.

Pantera Negra foi um respiro de novidades e importâncias que ultrapassou o gênero dos filmes de herói de uma maneira que ainda não conseguimos entender completamente, mas que vai reverberar em Hollywood por MUITO tempo. Mas essa análise cinematográfica foda não é do finado eu-de13-anos

Quando fui assistir a Homem-Aranha de Volta ao Lar, saí com a sensação de querer ter 13 anos de novo para poder mergulhar na história. O filme e ótimo, não me entenda mal, mas é só que talvez não converse muito comigo, afinal o meu eu-de13-anos esta morto há um tempo… isso é o que eu pensava.

Vingadores: Guerra Infinita abriu o túmulo da minha juventude, sacudiu um corpo e me fez perceber que ainda existe alguém de 13 anos aqui dentro. Que filme!

Sobre Vingadores: Guerra Infinita

Peço perdão por escrever na primeira pessoa (odeio ler texto assim, desculpa mesmo) e também pelos exageros. Tentando ser mais analítico daqui para frente, posso dizer que o hype é mais que verdadeiro. O filme tem muito mais méritos do que defeitos, esconder algumas cenas e aparições do trailer também trouxe boas surpresas (“We have a Hulk”) e contou pontos a favor do ritmo. Mas priorizar a história do Thanos talvez seja a maior das qualidades.

Ele se junta ao Abutre de Michael Keaton e ao Killmonger de Michal B. Jordan na categoria Vilão da Marvel Com Profundidade. Mas aqui, Thanos supera muito os parceiros. Josh Brolin conseguiu transmitir atuação mesmo com tanto efeito especial em cima do personagem, e o roteiro também priorizou a história e motivação do vilão.

O filme do Thanos

Quando Thanos demonstra algum tipo de sentimento no único momento de sua vida em que o universo rebateu sua ideia, isso quase te faz ficar do lado dele Mas o próprio filme te lembra que ele é um tirano, fascista, torturador e assassino. Ele está ali para ser vilão e os Heróis Mais Poderosos da Terra são algumas pedras no caminho.

Mas e os Vingadores?

Imagem promocional de Vingadores: Guerra Infinita. Créditos: Marvel Studios/Disney.
Imagem promocional de Vingadores: Guerra Infinita. Créditos: Marvel Studios/Disney.

Por falar nos Vingadores, as interações entre os personagens está maravilhosa! É difícil dizer se a Marvel finalmente acertou no tom do filme, conseguindo alternar as piadas com os momentos sérios, ou se depois de tanto tempo a gente se acostumou a isso. Mas o que foi incômodo em filmes recentes funcionou bem e a cartela infinita de personagens ajudou muito nisso.

Antes de Thor: Ragnarok, me perguntava como Thor iria ser a ponte entre a Terra e o mundo galático da Marvel Studios tendo filmes tão chatos. Bom, o personagem se tornou, de fato, A PONTE, com um arco divertido e que se encaixa no resto da trama.

Aliás, os núcleos de personagens nos diferentes cenários da batalha está muito bom, com interações divertidíssimas entre Homem de Ferro e Doutor Estranho, alguma emoção (deixada de lado, é verdade) no reencontro de Banner e Natacha, e a linda participação de Groot na produção do martelo. Conhecer todos esses personagens antes só aumenta as sensações boas e ruins das surpresas do filme.

Menção honrosa

Vale falar do subtexto politizado de quando uma das vilãs enfrenta a Feiticeira Escarlate dizendo que ela morrerá sozinha e, nisso, Viúva Negra e Okoye aparecem falando que “Ela não está sozinha”. A galera que critica a dita “cartilha das minorias” não entenderá a sutileza como esse Girl Power Trio é apresentado. Melhor assim.

Quanto às críticas que o filme tem muitos personagens com pouca profundidade entre eles, é preciso lembrar que Vingadores: Guerra Infinita começou há 10 anos e 19 filmes atrás. O filme se aproveita do conhecimento do público para pular etapas de roteiro e apresentações de personagens que poderiam custar muito tempo na tela. Claro que isso é uma grande muleta ou atalho, mas aqui faz sentido por tudo o que o público já assistiu em questão de Marvel Studios.

Embora a coragem de seguir alguns caminhos seja louvável, é frustrante (ou até reconfortante) pensar que isso não vai se manter no futuro. Mesmo assim, o filme mantém a curiosidade em níveis altíssimos para descobrirmos COMO eles vão resolver tudo aquilo do final.

Claro que a cena pós-créditos dá um bom indício disso. Essa, aliás, em termos de empolgação, tenha surtido o mesmo efeito de quando Nick Fury apareceu na sala de Tony Stark e soltou seu “I’m here to talk to you about the Avengers Initiative”. Meu eu-de-13-anos agradece.

SUPER SPOILER:

Talvez Thanos esteja olhando para alguém na cena final, o que dá a entender que o cara matou metade do universo para cortejar sua amada Morte. Quer dizer, o filme poderia se chamar “Thanos: Tudo O Que Se Pode Fazer Por Uma Transa”.