[#Catarse] Conheçam Catrinomicon, nova HQ diabólica de Carol Cunha

A mineira Carol Cunha está de volta ao Catarse com um novo projeto: Catrinomicon. Ou, como ela prefere chamar, histórias de ninar para crianças psicopatas! Não se enganem: pouca coisa assusta mais do que uma criança demoníaca, seja ela o mal da história ou a anfitriã dos casos macabros. E é por esse caminho e Cunha segue em seu novo projeto, homenageando clássicos de terror e estabelecendo sua própria obra na cena independente nacional.

Confiram a entrevista exclusiva que o Terra Zero fez com a artista para saber mais sobre a campanha.

Terra Zero: Carol, é inevitável que comecemos desta forma. Portanto, vamos lá: como surgiu a ideia de Catrinomicon?

Carol Cunha: Surgiu de um apanhado de pequenas coisas que eu gosto no gênero de terror: zumbis, meninas fofas e psicopatas, com pitadas de Evil Dead (também conhecido como Uma Noite Alucinante) e filmes B.

Parte delas eram histórias que eu já havia esboçado separadamente, mas percebi que tinham uma temática comum e que funcionariam bem em conjunto.

A melhor forma de juntar tudo isso foi através de uma homenagem aos clássicos quadrinhos de terror dos anos 1950, como Contos da Cripta, em sua estrutura de contos apresentados por um anfitrião. Aí entra a nossa pequena Catarina, que apresenta essas histórias à babá e também ao leitor.

Uma das ilustrações de Catrinomicon.
Uma das ilustrações de Catrinomicon.

Como cada colaborador chegou ao projeto?

Sou professora da Casa dos Quadrinhos, uma escola de artes de Belo Horizonte, onde dou aulas de Roteiro, Narrativa Visual e História dos Quadrinhos.

O Lucas Freitas e o João Bogo foram meus alunos lá e a Cecília Marinho foi aluna e estagiária da escola.

No caso do Lucas, eu achei que o traço dele combinava com o roteiro de (Es)trago Seu Amor. Nós fizemos uma primeira versão para um concurso de HQs uns anos atrás. Agora que surgiu a oportunidade de publicá-la, o Lucas resolveu fazer um upgrade e desenhar a história novamente.

A Cecília possui um traço fofo que era perfeito para trazer o contraste que eu queria criar nas partes protagonizadas pela Catarina.

Já o João e eu temos gosto parecidos na questão tanto terror quanto do humor, além de ser um ótimo desenhista e roteirista. Achei, portanto, que seria um excelente acréscimo à equipe. Daí desenvolvemos a trama de O Mistério Alucinante da Cabana Zumbi.

Qual é a sua relação com obras de horror em geral? Como chegou até elas e o que mais te influencia?

Sinceramente eu não sei dizer quando comecei a gostar do gênero. Desde criança eu já curtia desenhos animados que tinham essa temática. Bicudo, o Lobisomem, Don Dracula, Família Addams. Ou séries como Goosebumps. À medida que fui crescendo, me apaixonei completamente por histórias de terror.

Na adolescência teve um período que eu praticamente alugava pelo menos um filme de terror por semana. Sem falar, é claro, do maravilhoso Cine Trash da Band, apresentado pelo Zé do Caixão, de quem sou muito fã e já tive o imenso prazer de entrevistar.

Eu tenho um gosto muito eclético para filmes de terror, gosto desde Expressionismo Alemão até terror coreano e japonês.

Amo o Gabinete do Dr. Caligari, Fome Animal, Babadook, Evil Dead, O Segredo da Cabana, A Espinha do Diabo (do divino Guillermo Del Toro), Os Olhos da Cidade São Meus. Um dos meus filmes favoritos é um terror psicológico coreano chamado Medo (A tale of two Sisters).

Daí foi um pulo para descobrir quadrinhos e literatura de terror. A Tumba do Drácula, os quadrinhos de Hellraiser, Contos da Cripta, Stephen King, Bram Stoker, HP Lovecraft, Edgar Allan Poe, Mary Shelley, Anne Rice…

Nos quadrinhos gostei muito de Dora, da Bianca Pinheiro, e Belladonna, da Ana Recalde e do Denis Mello. Sou fã incondicional da obra do mangaká Junji Ito.

Gosto de boas histórias, que mais que me assustem, me envolvam e surpreendam.

No caso de Catrinomicon, as influências vieram como já falei do Romero, filmes B e Evil Dead. Contudo tem alguns outros “temperos” na receita, um pouco de Scooby Doo, Gravity Falls e Historietas Assombradas. A ideia era criar contos que crianças um pouco mais velhas também pudessem ler.

O que você pode falar sobre cada um dos contos de Catrinomicon?

O primeiro conto é (Es)trago seu amor. Como o próprio nome indica, ele foi inspirado naqueles anúncios de videntes e afins que prometem recuperar o amor perdido. Esse é o caso de Raimundo, obcecado por Julia desde criança. Quando ela resolve abandoná-lo e começa a namorar Armando, ele decide recorrer ao sobrenatural.

Romance Zumbi, nossa segunda história é uma adaptação do meu curta metragem de mesmo novo que eu fiz para a conclusão da faculdade de Cinema de Animação da UFMG.

O curta é uma homenagem aos filmes de terror B e traz dois zumbis, Astolfo e Lucrécia, que se apaixonam no pós vida. Em um encontro na praia, ela perde literalmente a cabeça no mar, e, sem alternativa, o namorado parte para o resgate.

O Mistério Alucinante da Cabana Zumbi é uma homenagem aos filmes do George Romero, mas também (e principalmente) a Evil Dead, com algumas pitadas de Scooby Doo e vários Easter Eggs que incluem Gravity Falls, Ramones, Nossa Turma (Get Along)

Na trama, os pais de Catarina são caçadores de monstros e forças sobrenaturais em busca de um livro amaldiçoado.

O que o leitor fã de quadrinhos nacionais e de terror pode esperar de seu mais novo projeto?

Diversão. O enfoque do Catrinomicon está nesse terror mais humorístico, que era bem típico das obras de quadrinhos que nos inspiraram. Também um bocado de easter eggs para quem curte o gênero.

Gostou da proposta de Catrinomicon? Participe da campanha clicando aqui!

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