Frank Miller assinou 5 projetos com a DC. Mas será que ele os fará?

Por essa ninguém esperava. Mas em 2014 não foi diferente. Frank Miller confirmou, através de assessoria de imprensa e de anúncio oficial da própria DC, que assinou com a editora para produzir cinco histórias originais, possivelmente em formato de graphic novels. Duas delas já estão confirmadas, e serão neste formato: Superman: Year One (parte do selo Black Label, para leitores adultos, com John Romita Jr. na arte) e uma história para jovens leitores com Carrie Kelley, a Robin de Cavaleiro das Trevas, como estrela, na arte de Ben Caldwell.

Os outros três projetos ainda são misteriosos e tampouco têm data lançamento. Contudo, acredita-se que um deles seja Cavaleiro das Trevas IV: ainda quando a terceira minissérie estava sendo lançada, com Brian Azzarello nos roteiros e Frank Miller apenas dando sua assinatura ao material, ele revelou que pretendia continuar a desenvolver este universo.

Superman Year One celebra os 80 anos do Superman e o início do DC Black Label.
Superman Year One celebra os 80 anos do Superman e o início do DC Black Label.

Superman: Year One está agendada para sair ainda em 2018. JRJR divulgou as primeiras páginas da obra no mesmo anúncio de Miller, dando a entender que a produção está em um estágio mais avançado do que se esperava. Caldwell, por sua vez divulgou apenas alguns estudos de Carrie Kelley, não oferecendo quaisquer detalhes do que virá desta obra, muito menos quando ela será comercializada.

O lado bom de ver Miller assinando tanta coisa com a DC, além de estar produzindo um livro infantil sobre a mitologia do Rei Artur e novos volumes de Sin City e 300, é saber que sua saúde melhorou consideravelmente. Os problemas que ele tinha no passado eram conhecidos por todos. Porém, há o lado negativo: será que Miller produzirá 100% de todo este material?

A Carrie Kelley de Ben Caldwell.
A Carrie Kelley de Ben Caldwell.
A Carrie Kelley de Ben Caldwell.
A Carrie Kelley de Ben Caldwell.

O furioso quadrinista nunca escondeu sua crítica em suas obras, fazendo dele um dos profissionais mais políticos do cenário mainstream de quadrinhos nos Estados Unidos. Mesmo que às vezes sua motivação fosse a cegueira causada pela inconformidade de um evento arrebatador (diga-se: Cavaleiro das Trevas 2 após o 11 de Setembro), Frank Miller ficou famoso dentro e fora da indústria de gibis por passar a mensagem que desejava, independente de como seus fãs reagiriam a elas.

Contudo, Cavaleiro das Trevas III abriu uma porta inédita na carreira do autor. Apesar de ter seu nome na capa, o material foi produzido por Brian Azzarello e Andy Kubert. Vendida como uma obra criada por um trio, ela na verdade foi feita por esta dupla, como o próprio Miller revelou ao Newsarama em 2015 e aos fãs brasileiros no painel da CCXP dedicado à sua vida e obra no mesmo ano. Logo, o que impede de todo este material ser, na verdade, produzido em parceria com outras pessoas sendo que apenas seu nome estará lá, como uma espécie de selo de aprovação para fins comerciais? Nada, na verdade — você pode ter pensado em muitos exemplos e, aqui na redação, o nome de Bob Kane vem imediatamente à cabeça, mesmo que não seja um exemplo tão bom assim.

Ter Frank Miller vivo, saudável e produzindo é uma bênção, de qualquer forma. Menos furioso e mais tranquilo e sorridente que antes (aqui no Brasil sentimos essa diferença, e talvez as demonstrações de carinho recebidas na CCXP tenham mesmofeito toda essa diferença), ele parece ter se transformado completamente, ainda que suas opiniões sociopolíticas não tenham mudado por causa disso. Se pelo menos uma parcela do que sair com o nome dele daqui pra frente for de fato feito por ele, é uma vitória. Com tantos altos e baixos do autor nos últimos 25 anos e com um estado de saúde tão debilitado a ponto de colocá-lo em uma cadeira de rodas por um tempo, qualquer passo adiante merece comemoração. E com quadrinhos inéditos de um renovado Miller saindo, todos ganham.