[Review] A infância de um ícone da ação em John Wick #1

Que levantem a mão (ou comente abaixo) aqueles que não gostam de um bom filme de ação. Quem resiste a uma trama simples e amarradinha, um protagonista marcante, carrancudo e determinado, cenas bem coreografadas com a dose certa de violência e aquele final gratificante? Baseado nesses alicerces, os diretores Chad Stahelski e David Leitch (ex-coreógrafos de cenas de ação da trilogia Matrix) lançaram em 2014 despretensiosamente o longa metragem John Wick: De volta ao jogo estrelado pelo popular Keanu Reeves. Três anos depois, o filme se tornou um cultuado novo sucesso do gênero com direito a uma sequência, John Wick: Um novo dia para matar e a esta novíssima série em quadrinhos escrita por Greg Pak (Planeta Hulk, Action Comics) e ilustrada por Giovanni Valletta (Dark Horse Apresenta) publicada pela Dynamite neste fim de ano.

Na primeira edição de John Wick, Greg Pak começa a nos contar um dos primeiros capítulos da conturbada e sangrenta carreira do assassino. Recém saído da cadeia, o jovem Wick se vê às voltas com uma comunidade organizada de mercenários que tem uma forte ligação com sua infância na península da baixa Califórnia. A história convenientemente se passa em El Paso, Texas — quase que um clichê em contos do gênero — e coloca um impulsivo John em rota de colisão com antagonistas que contribuirão muito para sua formação e para os acontecimentos dos longa metragens estrelados por Keanu Reeves.

O roteiro de Pak é bem veloz, sem espaço algum para recordatórios ou verborragia desnecessária. Como é de se esperar, a trama do roteirista prioriza a ação através de situações muito familiares para os fãs deste gênero. Desde a cena inicial no café na qual John pede uma torta, já sabemos mais ou menos como a coisa vai se desenrolar dali em diante. Os diálogos são simplesmente funcionais. Sem apelo cômico, originalidade ou muita personalidade. Entretanto o apelo popular deste protagonista se mantém intacto em relação aos filmes. E, mostrando John como uma criança em algumas cenas, o leitor sente ainda mais empatia pelo anti-herói que tem motivações e uma personalidade bem unidimensional sim, mas que em momento algum deixa de ser carismático.

A arte de Giovanni Valletta tem a pegada urbana suja e violenta que esse tipo de gênero tanto carece. A caracterização do protagonista é o destaque. Temos um John Wick imediatamente reconhecível, mas que em momento algum torna-se uma caricatura do ator que o imortalizou na tela grande. As cenas de ação tem a fotografia e o tempo narrativo apropriados, sem indulgências. Graficamente o quadrinho é funcional. Transmite a mensagem do roteiro sem problema algum, mas não gera impacto no leitor em momento algum da mesma forma.

A Dynamite e Greg Pak tem uma ótima oportunidade de desenvolver uma mitologia para um personagem que já funciona muito bem sem a mesma. Com um roteiro que faz jus a obra original, uma caracterização que transpõe na medida certa elementos do filme e um ritmo e arte que podem cativar principalmente fãs de quadrinhos como Justiceiro. John Wick não é algo que vai te surpreender, mas é honesto o suficiente para criar uma base sólida de leitores.

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