[Review] Batwoman volta ao Brasil com ótima história solo

Batwoman está de volta ao Brasil em aventuras próprias. Faz algum tempo que os brasileiros não têm contato com material solo da heroína criada por Greg Rucka e JH Williams III, já que ela mal estrelou aventuras próprias desde que sua antiga revista mensal foi publicada até o fim por aqui em A Sombra do Batman, da Panini. Agora a editora italiana traz ao país a fase do Renascimento da personagem, em um encadernado contendo o primeiro arco de histórias de sua nova publicação regular.

A DC elegeu Marguerite Bennett e James Tynion IV para cuidar dos roteiros, ambos bem familiarizados com as versões mais modernas da Bat-família por terem cuidado de alguns desses personagens nos últimos anos. Mas o mais interessante foi a escolha artística: Steve Epting, recém-saído da Marvel, fez capas e desenhos das principais edições do primeiro arco. E se o trabalho dele já impressionava na revista mensal do Capitão América anos atrás, ele está em níveis de qualidade ainda mais altos em seu primeiro trabalho regular na concorrência.

Já que estamos citamos o trabalho de Epting acima, vamos a resenha falando da arte da revista: ela é visualmente estupeficante. A princípio podem parecer desenhos simples, ainda mais se comparados com o trabalho monumental feito por Williams III quando ele desenhava as histórias de sua criação. Mas a verdade é que Epting tem noções visuais e de narrativa muito apuradas, colocando movimentos naturais em imagens que, na realidade, estão paradas. Só um profissional de seu calibre executa tal feito – isso sem contar sua interessante composição de páginas, que tem estilo próprio e não tenta emular o que Williams III fazia.

Capa de Batwoman nº 1, da Panini, por Steve Epting e Jeromy Cox.
Capa de Batwoman nº 1, da Panini, por Steve Epting e Jeromy Cox.

Em termos de roteiro, a história funciona muito bem. Bennett dá os toques femininos necessários para tornar a personagem palatável a diversos públicos, enquanto Tynion IV usa algumas de suas características típicas (mistério, ação, etc.) para contar uma história que coloca a protagonista em um lugar recluso no planeta. Nele, Batwoman, com sua sidekick Julia Pennyworth, deve descobrir mais sobre um grupo que está vendendo armamento biológico de ponta. A história, aliás, tem ligações com a mais recente saga do Batman publicada principalmente em Detective Comics, A Noite dos Homens-Monstro, na qual toda a Bat-família enfrentou aberrações mutantes de origem desconhecida nas ruas de Gotham City.

Após os eventos da saga, a aventura solo da Batwoman toma uma tangente desta linha narrativa e busca pela origem das aberrações, ao mesmo tempo em que cimenta os conflitos da personagem e o que ela enfrentará a partir de agora, bem como qual é sua posição dentro do Universo DC atual. Contudo, a história é redonda por si só e funciona bem; sua origem e histórias pré-Renascimento continuam valendo também.

Os diálogos são bem construídos e estão um pouco acima da média dos quadrinhos que a DC lançou nos últimos tempos, em especial os estrelados por super-heroínas. A Batwoman é uma personagem muito bem estabelecida e de complexidade profunda, uma que faz as escolhas que o Batman não faria para que um bem maior seja atingido. Seu passado sombrio e a turbulência de seu ser são seus maiores motivadores, e a natureza inquieta de sua alma é seu maior charme como personagem para com os leitores.

De leitura muito agradável e até com pistas de como pode ser o futuro de Gotham City quando Bruce Wayne morrer, Batwoman nº 1 é um dos melhores itens que um fã da DC pode comprar nas bancas brasileiras.


Sinopse/Ficha Técnica:

Título: Batwoman n° 1
Roteiro: Marguerite Bennett e James Tynion IV
Arte: Steve Epting, Stephanie Hans, Renato Arlem
Cores: Jeromy Cox, Stephanie Hans, Adriano Lucas
Páginas: 164
Publicação: Panini (Janeiro de 2018)
Idioma: Português
Preço de Capa (cartonada): R$ 24,90

Alguém está vendendo armamentos de alta tecnologia no mercado negro, e sua meta é matar tantas pessoas – do maior número de nações – quanto for possível. Com a ajuda de sua assistente, Julia Pennyworth, a Batwoman rapidamente rastreia as armas até a fonte: uma pequena ilha conhecida como Coryana, lar de piratas, bandidos… e de um ano inteiro da vida da heroína!

Comente

Clique para comentar

11 + 4 =

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com