Conan em volta de Thor e Wolverine na arte do brasileiro Mike Deodato.

Conan: Sobre o retorno do cimério para a Casa das Ideias

Parece que foi ontem mesmo que gravamos o primeiro ComicPod de 2017 focado inteiramente em Conan, o Cimério, personagem do escritor pulp Robert E. Howard que é amado pelo mundo todo, seja por suas histórias originais, pelos quadrinhos ou pelos filmes. E falando em quadrinhos, desde que o Conan aportou para valer nesta mídia, ele esteve sob a batuta da Marvel, e foi assim por vários anos – mais exatamente de 1970 até o ano 2000. Seus direitos foram negociados a seguir pela Dark Horse, que passou a publicar histórias inéditas em 2003. 2018 é o último dela com o cimério.

Foi anunciado há poucas semanas que, a partir de janeiro do ano que vem, Conan terá aventuras inéditas contadas pela Marvel novamente, em uma movimentação comercial com a instituição que cuida do licenciamento das propriedades criadas por Robert E. Howard e a Disney (e sua divisão de quadrinhos, ou seja, a Marvel).

Conan retornando para a Marvel em arte de Esad Ribic.
Conan retornando para a Marvel em arte de Esad Ribic.

Nenhum detalhe sobre novas publicações foi revelado ainda, mas dois pequenos textos à imprensa foram oferecidos pela Casa das Ideias e pela Conan Properties International, respectivamente, quando do anúncio da transferência:

De Barry Windsor-Smith a John Buscema e Neal Adams, uma lista lendária de artistas incríveis deram vida ao Conan nas páginas da Marvel. É um legado que pretendemos respeitar com os talentos que temos alinhados para o retorno do cimério em 2019. Estamos empolgados!

Estamos felizes por trabalharmos com a Marvel e contar mais histórias do Conan. Como a editora mais conhecida e criativa na indústria, acreditamos que a Marvel é perfeita para nossas histórias.

Mas será que isso é tão bom assim para o Conan, levando-se em conta o momento em que a Marvel vive atualmente? Será que ela oferece o aconchego necessário para criadores expandirem suas capacidades e produzirem com o mínimo possível de amarras criativas e editoriais?

Antes de mais nada, é importante destacar que esta é a segunda propriedade que estava sob a tutela da Dark Horse, previamente sob o guarda-chuva da Marvel, que a Casa das Ideias recupera. A primeira foi Star Wars e até agora os fãs estão muito felizes com o trabalho dela em seu novo universo expandido quadrinístico — haja visto que os campeões de venda da editora de 2015 pra cá são muitas vezes quadrinhos de SW.

De qualquer forma, as primeiras impressões, inclusive as desse redator, nas redes sociais não foram muito boas. Há muita consternação em torno do que a Marvel tem liberdade para fazer em termos de violência, de abordagem e até do que ela pode ou não criticar metaforicamente em suas histórias, e todos esses elementos fizeram (e fazem) parte do que as histórias do Conan significam de modo geral.

Conan em volta de Thor e Wolverine na arte do brasileiro Mike Deodato.
Conan em volta de Thor e Wolverine na arte do brasileiro Mike Deodato.

Quem leu principalmente o material original produzido por REH sabe que muito do que ele dizia tem a ver com a própria natureza humana, algo imutável dos anos 1930 para cá. Isso parece improvável na Casa das Ideias de Ike Perlmutter, a mesma que perdera recentemente talentos como Axel Alonso e Brian Michael Bendis. Mas não é impossível. Na verdade, o apreço de Joe Quesada (hoje publisher da editora) pelo Conan é tamanho que o mesmo esforço que ele fez para recuperar os direitos do personagem será efetuado para garantir a qualidade das novas histórias. Ele quer isso há muito tempo.

Isso garante que as novas histórias serão boas? Se Quesada tomar a frente do projeto (como parece estar acontecendo) em busca de talentos preparados para escrever novas aventuras do cimério, as probabilidades são grandes. Da mesma forma que a DC escalou nomes importantes para suas iniciativas tomadas nos últimos dois anos (Young Animal, a nova WildStorm etc), é esperado que a Marvel saiba gerenciar talentos e confiná-los nesse universo para que o restante do editorial da empresa não interfira no que será feito a partir de agora.

Em termos artísticos as coisas parecem estar indo bem — as duas artes divulgadas até agora são dos astros Mike Deodato Jr. e Esad Ribic, dois dos maiores nomes que a Casa das Ideias possui. Resta saber se Quesada conseguirá convocar os novos Roy Thomas e Kurt Busieks dessa geração para mostrarem que o Conan está aqui para ficar.

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