80 anos de Superman: Ainda há o que ser contado!

Estamos de volta!

Após algumas semanas mais tranquilas, com poucas coisas saindo no site (como podcasts e materiais em texto e vídeo da CCXP), nosso expediente retorna ao normal com posts diários de segunda a sexta e plantões aos finais de semana. 2018 promete ser um ano importantíssimo para todos os âmbitos da indústria, com destaque para mercado nacional, que novamente terá uma edição do FIQ; para a Marvel Studios, que finalmente reunirá todos os seus heróis em um filme para enfrentar o vilão cósmico Thanos; e para a DC, que celebra mais uma década na vida do Superman, seu primeiro super-herói.

Neste ano ele comemora seus 80 anos. Quem diria que um personagem que foi fruto de sua época duraria tanto tempo? Ele foi adaptado constantemente para sobreviver ao tempo, mas quase nunca perdeu sua essência, principalmente depois de ter sido transformado em um pacifista nos anos 1960 sob a tutela do editor Mort Weisinger, algo que o definiu praticamente para o resto dos anos a seguir.

Mort Weisinger, um dos grandes transformadores do Superman, em uma de suas últimas fotos.
Mort Weisinger, um dos grandes transformadores do Superman, em uma de suas últimas fotos. (Reprodução)

Agora nos vemos diante de uma nova realidade: Brian Michael Bendis o escreverá. Claramente deslocado do que a Marvel é hoje e produzindo histórias, segundo seus fãs, aquém de sua capacidade, o autor topou uma aventura inédita em sua carreira: deixar os 18 anos de exclusividade na Casa das Ideias para aventurar-se na principal concorrente dela escrevendo seu maior herói, provando que o Superman ainda é uma moeda de troca importantíssima entre profissionais da indústria.

Bendis começará com uma história curta na edição especial Action Comics #1000, partindo para uma minissérie semanal de seis edições intitulada Man of Steel e, em seguida, assumindo o controle das duas mensais do herói: Superman (cuja numeração será zerada) e Action Comics, que continua com a numeração normal.

O autor deixou claro no anúncio à imprensa que aproveitará a minissérie para estabelecer sua abordagem, mais focada na parte jornalística e humana das vidas de Clark Kent e Lois Lane, algo muito parecido com o que John Byrne fez nos anos 1980 em uma publicação de mesmo título. Falamos sobre ela em um ComicPod mais que especial lançado em 2013, quando o Superman completou 75 anos.

Capa original de O Homem de Aço #1 por John Byrne e Dick Giordano.
Capa original de O Homem de Aço #1 por John Byrne e Dick Giordano.

Nada disso, porém, é novidade. Já vimos acontecer outras vezes. A própria fase de Jeph Loeb à frente do título mensal do Superman no início dos anos 2000 trouxe algo semelhante, com a diferença de que no início do século 21, Lois & Clark já estavam casados e mais maduros. O que parece ser interessante na leitura que Bendis dará ao personagem é o retorno de suas raízes judias às histórias.

Explico.

Jerry Siegel e Joe Shuster, criadores do Superman, eram filhos de judeus muito pobres, nascidos nos primeiros anos do século 20, que passaram por muitas dificuldades. Quando criaram o personagem, eles lhe deram uma origem judaica: tal qual Moisés, enviado pelo rio Nilo em um cesto para escapar do genocídio contra recém nascidos hebreus, Kal-El foi enviado por seus pais à Terra para ser salvo do moribundo planeta Krypton.

O Superman de Jeph Loeb em arte de Ed McGuinness. Ele foi um dos primeiros a conseguir misturar modernização e nostalgia no personagem.
O Superman de Jeph Loeb em arte de Ed McGuinness. Ele foi um dos primeiros a conseguir misturar modernização e nostalgia no personagem.

Vale lembrar que “El” pode significar duas coisas importantes:

  • deus ou Deus dos hebreus, dependendo do contexto;
  • O sufixo “el” é considerado como “de deus”, de onde viriam os nomes dos anjos: Gabriel, Miguel etc. De certa forma, Superman é um anjo que veio à Terra ajudar a humanidade.

Já que Bendis é um “garoto judeu de Cleveland” (nas palavras dele) é bem provável que ele traga ainda mais do espírito original do personagem que Grant Morrison conseguiu oferecer quando teve chance de reescrever sua origem no advento dos Novos 52. Naquela época (2011) o autor escocês reposicionou o herói em seu lugar original, ou seja, como um justiceiro social que representa o melhor para o povo humano. Mas há coisas que apenas uma pessoa com as mesmas origens de Siegel e Shuster pode contar.

Contudo, levando-se em conta que ele tem dito à imprensa que “os tempos atuais pedem por esperança e um personagem como o Superman já tem o conceito de esperança acoplado a ele”, as versões mais modernas do personagem não serão de forma alguma ignoradas pelo autor.

Para isso Bendis contará com o superstar brasileiro Ivan Reis na arte, o que já garante que pelo menos 50% da revista será de altíssima a qualidade. A outra metade dependerá do autor.

O Superman de Brian Bendis em arte de Ivan Reis.
O Superman de Brian Bendis em arte de Ivan Reis.

Mas o que importa é que um novo momento para o Superman está chegando, provando o que todos deveriam saber mas o que maioria sempre esquece: ainda há o que ser contado. Novas histórias do Homem de Aço podem ser contadas — e serão — por muito tempo. Utilizando-me de algumas palavras proferidas por Morrison em seu livro Superdeuses, “esses personagens estarão aqui quando morrermos”. E assim continuará por outras gerações. Agora é a vez de Bendis. Amanhã veremos de quem será.


Aproveitem nossas promoções da Amazon e comprem quadrinhos do Superman!