[#Review #CCXP2017] Batgirl e As Aves de Rapina (e Oráculo) estão de volta

Batgirl e as Aves de Rapina estão de volta no novo encadernado lançado pela Panini Comics em dezembro e na CCXP 2017. Se o Artists’ Alley estava recheado de grandes quadrinhos e artistas independentes de toda sorte, a principal editora de HQs no Brasil também tinha novidades para quem compareceu ao seu sempre movimentado estande no evento. Um deles foi justamente o primeiro volume de Batgirl e as Aves de Rapina, que rapidamente chegou às bancas brasileiras também e traz o Renascimento do grupo de super-heroínas mais querido dos quadrinhos norte-americanos.

Canário Negro e Batgirl estão juntas novamente, com o adicional da nova versão de Helena Bertinelli que já estava aparecendo no quadrinho Grayson, publicado antes do Renascimento da DC. Criada com uma mistura de conceitos das Caçadoras anteriores e de pele negra, a personagem é nova mas mantém a essência de tudo que os leitores mais gostavam na impulsiva e agressiva Caçadora de outrora, mantendo a relação do trio interessante do começo ao fim.

Capa do primeiro volume de Batgirl e as Aves de Rapina. Arte de Yanick Paquette e Nathan Fairbairn.
Capa do primeiro volume de Batgirl e as Aves de Rapina. Arte de Yanick Paquette e Nathan Fairbairn.

Nesta primeira aventura juntas, Batgirl e Canário começam a trabalhar num caso que ataca o coração da relação delas, pois traz à tona algo relativo ao passado de ambas: a identidade de Oráculo. Barbara a utilizou enquanto estava paraplégica e foi tido como oficial (e sem volta) na vida da personagem durante os anos 1990 e 2000 na cronologia da DC. Logo, de volta à identidade da Batgirl, a personagem e sua melhor amiga correm atrás de descobrir quem é a(o) nova(o) Oráculo. E mais: Helena Bertinelli tem interesses que convergem com o das outras vigilantes, fazendo com que elas se unam forçadamente (em um primeiro instante) e depois comecem a trabalhar juntas de fato.

Levando-se em conta o histórico impressionante de boas histórias que as Aves de Rapina tiveram no passado com grandes escritores (destaque para Chuck Dixon e Gail Simone; o primeiro deu vida ao grupo e se tornou seu pai e criador, enquanto a segunda o revolucionou e tornou uma das mais importantes feitas para super-heroínas nas últimas décadas), havia muita dúvida de que esse retorno pudesse fazer justiça a elas. Felizmente, Julie e Shawna Benson deram o melhor de si e entregaram um bom encadernado aos fãs.

Diferentemente de outras abordagens do time, Batgirl e As Aves de Rapina nº 1 mostra uma versão mais alegre e despreocupada da equipe. Mesmo quando a ameaça é mais séria e os trágicos passados de cada personagem são explorados, o leitor não deixa de ter a sensação de que está lendo algo leve, descolado, com caracterizações modernas de personagens femininas como os quadrinhos de super-heróis mainstream precisavam há tempos. As Benson souberam utilizar humor, drama e referências à cultura pop e à internet na medida certa (serem roteiristas da popular The 100 ajuda bastante nesse caso), fazendo da modernidade a palavra chave para o entendimento (e a curtição) desta nova versão das Aves.

Infelizmente a arte de Claire Roe derrapa um pouco na execução, fazendo com as páginas só fiquem mais interessantes quando o gaúcho Rogê Antonio assume o lápis e mostre toda a força dos talentos brasileiros. Por outro lado, a colorização de Allen Passalaqua é certeira e combina perfeitamente com as histórias. O maior momento de sintonia entre toda essa galera provavelmente está no capítulo em que o passado de Helena Bertinelli é explorado e explicado novamente aos fãs, para que o novo cânone fique afixado em suas mentes. Dramática e cheia de reviravoltas, a vida desta personagem tem um potencial imenso de exploração futura na revista – mais que o de suas colegas.

Sendo assim, Batgirl e As Aves de Rapina é mais uma boa adição à cada vez maior lista de boas opções do Renascimento DC para os leitores consumires, principalmente para os que estão sedentos por mais histórias boas de super-heroínas neste universo.


Sinopse/Ficha Técnica:
Título: Batgirl e As Aves de Rapina n° 1
Roteiro: Julie Benson, Shawna Benson
Arte: Claire Roe, Rogê Antonio
Cores: Allen Passalaqua
Páginas: 164
Publicação: Panini (Dezembro de 2017)
Idioma: Português
Preço de Capa (cartonada): R$ 25,90

O período de Bárbara Gordon como Oráculo, a hacker mais poderosa do mundo, ainda era completamente sigiloso até hoje… mas não mais. Alguém reassumiu o manto de Oráculo, e Bárbara não faz ideia de quem seja. Pelo contrário, essa figura está fazendo com que ela corra em círculos por toda Gotham. Mas a garota tem ao seu lado duas das heroínas mais casca-grossa do planeta: Canário Negro e a nova Caçadora. Será que elas conseguirão resolver o mistério sobre o novo Oráculo a tempo e se safar das forças vilanescas?

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