[#Review #CCXP2017] Amor é Amor é a antologia do ano

Love is Love (ou simplesmente Amor é Amor, como saiu no Brasil pela Geektopia, parte da editora Novo Século) chegou ao país bem a tempo da visita do artista e autor Marc Andreyko durante a mais recente CCXP (aliás, o Terra Zero o entrevistou exclusivamente, o que poderá ser conferido por vocês em nosso canal no Youtube nas próximas semanas – fiquem ligados!). A antologia lançada em homenagem a todas as vítimas do ataque à boate Pulse, ocorrida em junho de 2016 em Orlando, serviu para beneficiar a entidade Equality Florida e para expurgar a indignação, o descontentamento e a dor de dezenas de artistas e pessoas pelo mundo que não acreditavam no que viram.

Apesar de ser encabeçada por Andreyko, a antologia foi uma produção conjunta entre DC Entertainment e IDW Publishing. Enquanto a gigante do entretenimento forneceu gratuitamente o uso de seus personagens e artistas exclusivos, além do auxílio na distribuição do material, a editora independente reuniu todo o material, organizou o que recebeu (de doações gratuitas de todos os artistas, sem exceção) e colocou Amor é Amor no mercado norte-americano e internacional.

O formato da antologia é bem simples: histórias em quadrinhos (ou contos ilustrados) de uma ou duas páginas que prestem qualquer tipo de homenagem a todas vítimas do ataque e à comunidade LGBT como um todo. Portanto, há humor, drama e romance; homenagens diretas a vítimas reais; mensagens de amor e confraternização, de luta e resistência.

Capa da versão nacional de Amor é Amor.
Capa da versão nacional de Amor é Amor.

Entre os destaques estão histórias produzidas por tantos nomes em único lugar, cujos criadores variam de héteros a queers, e, claro, o uso de personagens da DC para contar histórias mais impactantes colocando-os no drama do mundo real. Com o histórico da editora de criar personagens que representem a diversidade do mundo real, ficou fácil associar seu universo à luta pela igualdade diante da tragédia. Estão lá Batwoman, Maggie Sawyer, Reneé Montoya, Extraño e muitos outros, inclusive os héteros, buscando sentido diante do inexplicável absurdo: enquanto Batman busca entender as motivações do criminoso, Superman carrega a bandeira arco-íris protegendo as vítimas em uma belíssima arte de Stephane Roux.

E os exemplos acima são apenas alguns dos muitos (e emocionantes) momentos de Amor é Amor, que lidam com temas como entendimento de diferenças entre as pessoas, amor-próprio e pelo outro, igualdade e fraternidade, independentemente das diferenças entre cada um. Ou seja, apesar da variedade de artistas e conteúdo que a HQ apresenta, muitos temas são recorrentes, e todos são muito tocantes para quem se foi ou perdeu pessoas queridas neste e em outros ataques contra a comunidade LGBT. Há quem use os super-heróis; há quem use eventos reais da boate para dramatizar a narrativa e passar uma mensagem; há quem utilize a arte como forma de mostrar a complexidade que é sair do armário e se assumir membro da comunidade LGBT; e há quem mostre o lado horrível do mundo, aquele que não aceita diferenças.

Como tal, Amor é Amor mostra-se uma antologia é tanto, com histórias de todos os níveis mostrando que a forma mais pura da arte pode representar os sentimentos mais bondosos ou vis da humanidade. No mundo em que vivemos hoje, Amor é Amor é necessária e certamente causará diversas reações em qualquer tipo de leitor que a pegar em mãos.

Arte de Amor é Amor por Stephane Roux.
Arte de Amor é Amor por Stephane Roux.

A antologia só deixa a desejar em termos de edição. A original, no caso, não a brasileira. Por tratar-se de um material produzido com as emoções mais profundas dos artistas que se prontificaram a participar do projeto, fica clara a falta de edição de alguns materiais durante a leitura. Responsável por deixar natural e puro o texto de todos que participaram, esta edição falha um pouco em organizar os pensamentos de alguns artistas. Não dá para culpar ninguém, é claro; se a falta de edição faz algumas histórias soarem emotivas demais ou até meio perdidas, a catarse visual de cada um impressiona e mostra como todos somos humanos e iguais, mesmo dentro das nossas diferenças.

A edição nacional de Amor é Amor é muito bem-acabada e não deve em nada ao material original. O único senão fica para o uso de Harley Quinn lugar de Arlequina. A personagem já tem nome em português, não fez sentido o uso do seu nome no idioma original. Afora isso, Amor é Amor apresenta-se como uma coletânea impactante e de respeito no meio do mercado, com contos de pura emoção e muito bem reunidos por Andreyko.


Sinopse/Ficha Técnica:
Título: Amor é Amor
Roteiro & Arte: Marc Andreyko, Sarah Gaydos e diversos convidados
Páginas: 144
Publicação: Geektopia (Dezembro de 2017)
Idioma: Português
Preço de Capa (cartonada): R$ 39,90

O universo dos quadrinhos une forças para apoiar os sobreviventes e relembrar as vítimas do atentado à boate Pulse, em Orlando, Flórida, em 12 de junho de 2016

“Amor é amor” foi concebido por escritores e artistas do mundo todo, unidos pelo propósito de expressar sua dor, compaixão, frustração e esperança, inspirados pelos trágicos eventos de junho de 2016. Nesta obra, celebram as vítimas, os sobreviventes e suas famílias, e espalham uma mensagem de paz e inclusão.

Organizado por Marc Andreyko e IDW Publishing, com o apoio da DC Comics, “Amor é amor” também inclui muitos personagens amados do universo dos quadrinhos, incluindo Batman, Super-Homem, Supergirl, Arlequina e muitos outros.

A obra foi recentemente agraciada com o Eisner Award 2017 na categoria “Melhor Antologia”.

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