[Emulador de Críticas] 2017 e o confronto pelo ego

Um dos assuntos que mais atraem os leitores de quadrinhos são bastidores. O leitor realmente gosta de entender o que está acontecendo atrás das cortinas, seduzido pelas formulas e técnicas utilizadas. Mas também gostamos de assistir a alguns bons embates de ideias durante a construção de HQs.

O ano de 2017 foi um período de confrontos. Das mais diversas formas. Por espaço, reconhecimento, posicionamento. E pelo ego.

Diariamente presenciamos embates, discussões acaloradas e, em muitas vezes, elas não são frutíferas. É apenas o confronto pelo confronto. Isso deve ter a ver com o cenário mundial, onde cada pessoa quer apenas ter uma identidade, enquanto os outros cobram para que nos comuniquemos melhor, ou dizendo que devemos falar o que eles querem.

O que isso tem trazido para os quadrinhos? Resultados pequenos. Quem melhor sabe como usar esse confronto para um resultado de melhoria do mercado são os militantes das assim chamadas minorias. Temos sites, lugares seguros e pessoas atuantes querendo melhorar o cenário de representatividade de HQs. Em contrapartida, assistimos a escolhas estranhas, a pessoas que acham que a imprensa especializada deve atuar de tal forma ou de outra. São tempos difíceis para comunicação. Existem muitos canais, muita produção e todos querem seu lugar ao sol. Existe cobrança demais e solução de menos.

Alguns querem apenas uma nota, uma citação, simples. Outros dirão que temos de fazer textos mais complexos, Leitores pedem para falarmos de assuntos mais pop, porque é mais fácil para eles lidarem com a compreensão desse universo. Alguns profissionais ficam no meio desse caminho, buscando como agradar a gregos e troianos, em meio a muitas críticas e poucas sugestões.

A pluralidade de ideias deveria ser benéfica, claro. Mas a coisa vira uma gritaria,  a ponto de não conseguimos entender mais quem está tentando resolver o problema ou quem está deixando o ego falar mais alto e apenas confrontando o lado oposto. Triste tudo isso.

É algo que não se resume mais somente aos quadrinhos, tudo isso. Na atualidade, ninguém está disposto à conversar.

Se eu fosse resumir o ano em uma manchete, ela seria “o confronto pelo ego”, com tudo em minusculas mesmo. Foi um ano em que muita gente quis fazer bastante, que trabalhou muito, mas também no qual ficou demonstrado que uma parcela visível do mercado é pequena e não aprendeu a lidar com críticas, nem a criar empatia para se colocar no lugar do outro e perceber o que acontece com os seus pares.

Esse texto deveria ser uma despedida do ano. Vocês não tem noção de como fico feliz que esse ano esteja acabando. Aconteceram coisas boas em meio a transtornos. Que venha a CCXP, que talvez tire esse gosto amargo da minha boca. Que 2018 seja uma ano melhor para todos e que vocês, leitores, também tenham conquistas. Ele será para nós.

Afinal, no ano que vem vamos completar dez anos de jornada falando sobre HQs.

O novo ano do Terra Zero vai trazer novidades, como sempre! Uma temporada fora dessa era das trevas, com projetos lindos que estão chegando para vocês todos se orgulharem de acessar este nosso cantinho na internet brasileira.

  • Marcelo Pereira

    Concordo. Tem muita gente por aí quebrando OVOS pra MEXER numa FRIGIDEIRA de Haters.Clickbaits inúteis, com vídeos que passam meia hora mostrando autoelogios, merchandising e um minuto pra “discutir” o assunto da chamada.

  • Felipe Ribeiro Santa Fé

    Disse tudo o que eu penso. Com relação a 2018, talvez seja o último ano aceitável. Dependendo do resultado das eleições, teremos 4 anos bem difíceis pela frente. Abraço.

  • Cassiano Cordeiro Alves

    Puxa, esse foi o emulador mais melancólico dos últimos tempos. Pelo menos uma parte dessa tristeza (fora dos assuntos do site) eu consigo compreender.